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Inteligência artificial e automação estão esvaziando fábricas, diz Geraldo Alckmin

"Se a luta sindical dos trabalhadores era importante décadas atrás, hoje ela é muito, muito mais importante. Nós estamos frente a um novo momento do mundo", afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin nesta segunda-feira (13), durante evento na União Geral dos Trabalhadores (UGT), em São Paulo.
Sputnik
Alckmin destacou que novas tecnologias têm reduzido a exigência de mais trabalhadores em determinadas áreas e que isso é uma oportunidade para discutir temas como a redução da jornada 6 x 1, que ele próprio defendeu.
O vice-presidente citou a robotização de fábricas, a mecanização do campo e o avanço da inteligência artificial em áreas como radiologia e medicina como exemplos de uma transformação que concentra riqueza e aprofunda a desigualdade.
"Você viaja pelo interior, não tem uma planta que não plante com máquina, colhe com máquina, pulveriza com máquina. Vai vendo nas fábricas: cadê os trabalhadores? Lá em cima, controlando. É robô", disse.
Alckmin lembrou ainda que há 30 anos o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov ainda conseguia vencer um computador. No ano seguinte, perdeu. "De lá pra cá, nunca mais ninguém conseguiu enfrentar um programa de computador", afirmou, para ilustrar a velocidade do avanço tecnológico e seus impactos sobre o trabalho humano.
Nesse contexto, o vice-presidente defendeu a redução da jornada de trabalho como uma tendência mundial. "Se nós podemos ter mais com menos gente, essa é uma tendência mundial."
Ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem compromisso com a redução da jornada 6 x 1. Para reforçar o argumento, relatou o encontro com uma trabalhadora numa lanchonete à beira de uma rodovia.
"Ela falou: 'Olha, eu posso trabalhar sábado, tem problema nenhum, posso trabalhar domingo, tem problema nenhum. O que eu gostaria é de não trabalhar seis dias por semana. Por que eu tenho um dia? Eu sou mãe, eu tenho família, eu tenho tarefas domésticas'."
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O vice-presidente também criticou o modelo tributário brasileiro, baseado principalmente em impostos sobre consumo. "O imposto sobre consumo é igual. Eu vou comprar uma bicicleta pra criança: é igualzinho pra quem ganha 1 milhão por mês e pra quem ganha um salário mínimo. Agora, o imposto de renda tem que ser proporcional à renda", afirmou.
Alckmin também defendeu a reforma tributária em curso e disse que a unificação de cinco impostos num Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual pode elevar o PIB em 12% em 15 anos, aumentar o investimento em 14% e as exportações em 17%. "O Brasil ficou caro antes de ficar rico", resumiu, argumentando que reformas estruturantes são necessárias para o país voltar a crescer e gerar empregos.
No campo previdenciário, o vice-presidente disse que ajustes são necessários, mas devem recair sobre os maiores benefícios. Citou diferenças expressivas no déficit per capita entre trabalhadores do INSS, de R$ 9 mil ao ano; e servidores do setor público, que pode chegar a R$ 156 mil. Para ilustrar o que chamou de privilégio, mencionou o caso de uma promotora pública no Rio de Janeiro que teria recebido R$ 260.700 de salário por mês no ano passado.

"Tem que fazer ajuste lá em cima, combatendo o privilégio e desperdício", completou.

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Alckmin elogiou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino pelo combate a supersalários no Judiciário. "Gostei de ver o ministro Flávio Dino lá no Supremo, meteu o dedo na ferida e falou: 'Tem que acabar com esse espírito corporativo'."
O vice-presidente relembrou, ainda, conquistas da Constituição de 1988, da qual foi constituinte, como a universalização da saúde pelo Sistema Único de Saúde (SUS); a equiparação da aposentadoria entre trabalhadores urbanos e rurais; e o piso de um salário mínimo para aposentadorias.
"Como era a saúde antes? Era INAMPS [Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social]. Eu sou trabalhador com carteira assinada, tenho direito. Perdi o emprego, seis meses depois acabou. Trabalhador rural não tinha assistência médica", lembrou.
Alckmin encerrou reafirmando apoio à reeleição de Lula e a defesa da democracia. "Não existe democracia sem sindicato forte e não tem sindicato forte sem democracia", disse. E completou: "As ditaduras muitas vezes suprimem a liberdade em nome do pão. Não dão o pão que prometeram e nem devolvem a liberdade que tomaram".
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