"O 'Da Guerra' é considerado para muita gente uma bíblia da geopolítica e lida com a gramática da relação entre os países e como vão entrar em dado conflito. Então, é um livro ainda superatual, no sentido de que, a partir da compreensão de certos conceitos de Clausewitz, é possível a gente traçar uma série de análises e compreender circunstâncias que envolvem a colisão entre países", disse.
"Há conceitos [no livro] como o de 'Fog of War', ou seja, uma névoa de incerteza, que está sempre dentro de um conflito e esse conceito é muito utilizado até hoje, por exemplo, quando o governo Trump, no conflito contra o Irã, não tem clareza de todos os elementos que estão contidos dentro da resposta e resistência iraniana e nem da capacidade ou da vontade do governo iraniano de fechar o estreito de Ormuz", comenta.
Guerra é a continuação da política por outros meios
"Eu, como cientista político, acho que tudo é política, até a ideia de quem determina para onde vão os recursos e o que se produz de fato. Sem dúvida, guerras são políticas, e que pesem alguns elementos que possa argumentar sobre uma guerra defensiva, mas, na realidade, houve um ataque para poder ter um tipo de conflito e esse ataque tem um motivo, que é alguém querendo controlar algo que não controla", pontua.
"A questão da guerra total toca todas as esferas sociais da sociedade, como foi na Síria. Há maneiras diferentes de olhar para o conflito e ver como ele está impactando certas sociedades. Ele pode ser total para aquelas que sofrem intervenção, mas a dinâmica é diferente para quem invade ou apoia. Então, a mensuração do formato faz com que a guerra não seja igual para todos", explica.
Cenário político europeu presente em 'Da Guerra'
"O contexto do livro surge quando a Prússia vinha se consolidando como potência na região e como locomotiva na formação do Estado alemão em meio a muitas guerras. Clausewitz está preocupado com a Europa, porque é o mundo imediato dele. Ele passa a entender o conflito na formação dos Estados e, para ele, isso é importante porque significa compreender como operar as próximas transições do futuro", conclui.