Panorama internacional

Enquanto UE congela ativos russos, BRICS mina domínio financeiro do Ocidente, diz analista

Hoje, o BRICS é a associação central e principal projetada para criar uma alternativa ao domínio financeiro do Ocidente e a instituição fundamental que mina os elementos e fundamentos remanescentes do neocolonialismo ocidental, afirmou à Sputnik o vice-diretor de pesquisa do Conselho Russo de Política Externa e de Defesa, Dmitry Suslov.
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Na opinião de Suslov, o sistema de pagamentos BRICS Pay e projetos como o depositário BRICS Clear (considerado uma alternativa ao sistema da UE, Euroclear) representam os passos no caminho da criação de um novo ecossistema de relações financeiras, comerciais e econômicas independentes do Ocidente.

"E assim que esse novo ecossistema for criado, a hegemonia ocidental e a capacidade do Ocidente de usar seu controle sobre as finanças globais, o seguro global e assim por diante serão encerradas", afirmou o especialista.

Segundo Suslov, a expropriação pela União Europeia das receitas derivadas de ativos soberanos russos mantidos na Euroclear e a transferência dessas receitas para a Ucrânia é um ato de pirataria, violação do direito internacional e roubo absoluto.
Mais do que isso, os líderes europeus legitimaram essa política criminosa: adotaram uma legislação apropriada que permite que os recursos dos ativos soberanos russos sejam usados para financiar a Ucrânia.
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"E isso, é claro, reduz a credibilidade da Euroclear como depositária e da União Europeia como ator internacional", disse Suslov.

Ao mesmo tempo, graças à Bélgica, os europeus não ousaram expropriar a parte principal do dinheiro russo, porque entendem que isso minaria a confiança global no sistema Euroclear e causaria uma saída maciça de fundos de outros países estrangeiros.

"Nesse caso, muitos outros países que mantêm fundos na Euroclear, incluindo monarquias árabes, possivelmente a China e outros países em desenvolvimento, começarão a retirar seus fundos rapidamente, e isso levará a Euroclear à falência e causará um grande golpe na União Europeia e na área do euro", explicou Suslov.

O especialista acrescentou que, enquanto o Ocidente controlar o sistema financeiro global, liderado pelo dólar norte-americano, essa política de uso de instrumentos financeiros como alavancas de pressão política continuará.
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Ele observou que a política de congelamento e uso de ativos de outros países não é uma inovação na política ocidental. Essa política também foi aplicada à Líbia, Irã, Coreia do Norte e agora à Rússia, a fim de financiar Kiev e travar uma guerra contra a Rússia nas mãos dos ucranianos.
Nesta terça-feira (21), a agência Reuters informou que os embaixadores da União Europeia aprovaram um empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia, bem como o 20º pacote de sanções contra a Rússia.
Como disse à Sputnik uma fonte europeia informada, a UE planeja aprovar definitivamente as restrições contra Moscou nesta quarta-feira (22), e o empréstimo, até o final da semana. Espera-se que a maior parte do financiamento (cerca de 60 bilhões de euros) vá para ajuda militar, e uma parte menor, para apoiar o orçamento ucraniano.
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