Em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o programa chega em um momento em que o Brasil convive com uma taxa de juros alta, o que consequentemente deixa os créditos caros e, muitas vezes, coloca famílias brasileiras em um ciclo de dívidas.
"Você está falando de taxas de juros que variam de 6% a 10% ao mês. Então, uma dívida de R$ 10 mil, por exemplo, no mês seguinte, ela possivelmente vai ser uma dívida de R$ 11 mil; no outro mês, uma dívida de R$ 12 mil e alguma coisa. Uma família brasileira que tem um salário médio, possivelmente, não sai desse ciclo de atualização da sua dívida."
Os principais segmentos de créditos apontados pelo ministro são o crédito direto ao consumidor (CDC), o cartão de crédito e o cheque especial. A ideia é reduzir dívidas nesta seara.
Com o programa, segundo ele, os descontos chegarão a 90%. "Com um desconto amplo, imagina que você tem uma dívida de R$ 10 mil, que roda uma taxa de juros de 8, 10% ao mês, numa dívida muito menor, uma dívida que, por exemplo, pode ser de R$ 1 mil, com uma taxa de juros muito menor, o que vai permitir que as famílias se desenrolem, ganhem espaço e ganhem fôlego".
Durigan afirmou que já conversou com instituições financeiras e que há um consenso técnico que será levado ao presidente Lula, para que o anúncio seja feito até 1º de maio.
O avanço do endividamento das famílias atingiu 80,2%, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o maior nível da série histórica. A inadimplência também voltou a crescer, chegando a 29,6%.