Durante discurso, o chefe do Planalto destacou que o acordo foi feito "a ferro, suor e sangue", salientando os esforços do bloco sul-americano para negociar em pé de igualdade com os europeus.
"Sabemos que nós temos dificuldade, porque, quando o acordo vem dos colonizadores para os colonizados, eles vêm com mais rapidez, mas quando os colonizados resolvem levantar a cabeça e dizer que eles têm direito, as coisas criam mais dificuldades, porque aí nós viramos competitivos com produtos que são produzidos em outros países."
O presidente também ressaltou a importância do multilateralismo após um tratado firmado entre latino-americanos e europeus, dando uma resposta às taxas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"Depois que o presidente Trump tomou as medidas que ele tomou, praticando as taxações de forma unilateral contra o mundo inteiro, a resposta que a União Europeia e o Brasil deram ao mundo é que não existe nada melhor do que a gente acreditar no exercício da democracia, no multilateralismo e na relação cordial entre as nações."
Lula também repassou momentos da sua viagem à Alemanha e relembrou de provar que o biocombustível brasileiro é menos poluente que o europeu, desafiando a União Europeia e montadoras como a Volkswagen a apostar no combustível do Brasil.
"O nosso biodiesel é 90% menos poluente do que o deles. Na média geral, nós somos 67% menos emissores de gases de estufa do que eles. Em vez deles fazerem o mix tecnológico, é melhor eles começarem a comprar o nosso biocombustível aqui, e aí a gente vai gerar desenvolvimento aqui."
O Acordo Mercosul-UE criará uma zona de livre comércio para cerca de 700 milhões de pessoas. Pelo texto, as barreiras comerciais entre as regiões serão eliminadas gradualmente: o Mercosul vai zerar as tarifas de 91% dos produtos europeus em até 15 anos, enquanto a UE fará o mesmo com 95% dos bens sul-americanos em até 12 anos.