"A Rússia, nas últimas décadas, desenvolveu uma capacidade de exportar não apenas em termos de bens, mas também de serviços, para poder operar a capacidade de abastecimento de energia e até mesmo a questão de segurança. Já a China, além do investimento em áreas como indústria e telecomunicação, também qualifica as pessoas no continente para trabalhar nesses empreendimentos", disse.
"Muitos africanos pensavam em prosperar na Europa, mas depois descobriram uma série de problemas, como o racismo, e quando voltavam ao continente não conseguiam se reintegrar politicamente. Dentro desse sistema afro-euroasiático, é possível dizer, hoje, que a Europa, apesar de sua importância, está em seu devido lugar com um papel muito menor do que, historicamente, tiveram outras civilizações", comenta.
Países africanos fortalecem o eixo afro-eurasiático
"Vejo na ponta desse processo, a África do Sul com o seu histórico na luta anticolonial pós-Apartheid com outra inserção global, a Etiópia também por estar no BRICS e por construir suas cadeias produtivas mais próximas do Sul Global. Recentemente temos Burkina Faso, Mali e o Níger, que integram essa toada de se integrar mais a esse movimento euroasiático", destaca.
"Essa sinergia de integração já existe em alguma medida. A Índia é muito atual no continente africano e é uma grande parceira econômica e política da África do Sul há décadas, por exemplo. Belarus, hoje, país parceiro do BRICS e membro da Organização para Cooperação de Xangai, já está integrada nesse contexto [com países africanos]", observa.
Dinâmica atual moderniza o conceito de Afro-Eurásia
"Se a gente volta na história, em termos milenares, já existia há mais de 5 mil anos, o que o [teórico] Andre Gunder Frank chama de sistema afro-eurasiático sobre circulação de mercadorias e de pessoas. Esse conceito de Afro-Eurásia vem ganhando essa conotação geopolítica a partir da necessidade de cada país reorganizar prioridades políticas em tanto termos securitários quanto diplomáticos", conclui.