"Não podemos entender como blocos antagônicos, porque um país pode ter as duas características. Esses conceitos nos ajudam a entender as relações internacionais em termos energéticos além do petróleo e do gás. Ou seja, o poder não será só de quem possui hidrocarbonetos ou controla rotas, mas também de quem domina tecnologias de eletrificação como veículos, painéis solares, baterias, entre outros", disse.
"Essa distinção entre eletroestados e petroestados denota de um novo campo em disputa. Por exemplo, os próprios Estados Unidos não investem na matriz [energética], mas buscam conseguir controlar o fluxo de minerais críticos e isso acentua, sim, uma grande rivalidade intrabloco. Acredito que no médio, longo prazo, a gente pode começar a falar de conflitos até entre aliados", comenta.
Rússia e China despontam na transição energética
"O quadro atual é um quadro bastante híbrido. A China lidera o campo das energias renováveis e pode se tornar um polo de inovação energética e o principal instrumento de adaptação, digamos assim, utilizado por Moscou nesse sentido, é a energia nuclear e isso coloca o país em uma posição bastante vantajosa dentro desse jogo", observa.
"A transição energética tem, de fato, estreitado os laços entre Rússia e China, um movimento impulsionado pela complementariedade entre as duas nações. Enquanto a China depende de hidrocarbonetos de regiões como o Oriente Médio, a Rússia surge como uma parceira politicamente segura e geograficamente próxima. O exemplo mais emblemático dessa convergência é o gasoduto Power of Siberia", discorre
Brasil pode buscar cooperação para evoluir no setor
"Na América Latina, a pauta da eletrificação é bastante baixa, inclusive no Brasil, a gente ainda está muito envolto nessa ideia um pouco mais tradicional. Capacidade para liderar essa pauta, nós temos principalmente a partir dessas boas relações com figuras-chave dentro do BRICS, como é o caso da Rússia e da China, entre outros países do grupo que já percebem o florescer dessas discussões", conclui.