Segundo integrantes do governo brasileiro, Brasília pretende usar a reunião para reforçar as ações que vêm sendo adotadas contra organizações criminosas e ampliar a cooperação com os EUA na área de segurança.
No mês passado, os dois países anunciaram um acordo de cooperação voltado ao combate ao tráfico internacional de armas e drogas. A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões realizadas nas aduanas brasileira e norte-americana, com o objetivo de acelerar investigações sobre rotas, padrões e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.
Além da pauta de segurança, o encontro deve abrir espaço para discussões geopolíticas e econômicas, incluindo temas ligados à exploração de terras raras e minerais críticos.
A reunião vinha sendo negociada havia semanas pelas equipes diplomáticas dos dois governos e foi confirmada nos últimos dias. A expectativa é que Lula permaneça poucas horas em Washington e retorne ao Brasil logo após o encontro.
Integram a comitiva presidencial os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; e de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Tensões diplomáticas entre Brasil e EUA
Após se reunir em duas ocasiões no ano passado e até apontar uma "química" — ocasiões que culminaram na redução do tarifaço contra o Brasil e no fim de sanções econômicas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes —, Lula e Trump voltaram a fazer das divergências a tônica das relações em 2026.
Neste mês, Lula citou os embates do norte-americano com o papa Leão XIV, contrário à guerra promovida por Washington contra o Irã. "O Trump não precisava ficar ameaçando o mundo", afirmou à época.
Dias depois, em meio à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado a mais de 16 anos de prisão no Brasil e considerado foragido, os Estados Unidos determinaram a expulsão do delegado brasileiro envolvido na detenção, realizada pelas autoridades migratórias. O governo brasileiro reagiu com a retirada das credenciais diplomáticas de um agente de imigração norte-americano que atuava em Brasília.
Mais cedo, Dario Durigan disse, em entrevista à Rádio Nacional, esperar que a visita ajude a "normalizar" as relações entre os dois países, apesar do que chamou de tentativas de setores da oposição de gerar desgaste diplomático.
"A gente não pode admitir que elementos estranhos, que inclusive joguem contra o país, fiquem criando problema para a população brasileira", declarou.
O ministro da Fazenda também afirmou que o governo brasileiro pretende reiterar às autoridades norte-americanas que poderá adotar medidas de reciprocidade caso Washington aplique tarifas contra produtos brasileiros por razões políticas.