Rejeição de Messias ao STF desencadeia caça a traidores e tensão no governo, diz mídia
12:36 30.04.2026 (atualizado: 17:06 30.04.2026)

© Foto / Rafa Neddermeyer / Agência Brasil
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Lula e aliados passaram a noite mapeando traições após o Senado rejeitar Jorge Messias para o STF, atribuindo a derrota a um conluio entre Davi Alcolumbre, Rodrigo Pacheco e Alexandre de Moraes, além de dissidências no MDB e no PSD, que surpreenderam o governo e abriram uma crise na articulação política.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus aliados iniciaram, horas após a derrota no Senado, um mapeamento das traições que levaram à rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a mídia brasileira, a avaliação ocorreu em reunião no Palácio da Alvorada, logo após a votação, quando integrantes do governo identificaram dissidências no MDB e no PSD, atribuídas a um movimento articulado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).
Para aliados de Lula, Alcolumbre teria atuado em conjunto com o senador Rodrigo Pacheco (PSD) e o ministro Alexandre de Moraes para impedir a nomeação. Pacheco era o preferido de Alcolumbre para a vaga no Supremo, enquanto Lula buscava manter o senador como candidato ao governo de Minas Gerais. A indicação de Messias contrariou o chefe do Senado e teria motivado a articulação.
De acordo com a apuração, interlocutores do governo afirmam que o pacto foi selado em um jantar na residência oficial de Pacheco, na véspera da votação, com o objetivo de evitar mudanças internas no STF. Messias também teria desagradado ministros ao defender a criação de um código de ética para a Corte, o que aumentou resistências.
Entre os aliados de Lula, recaem suspeitas sobre Renan Filho e Renan Calheiros, ambos do MDB, que teriam votado contra Messias em solidariedade ao ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, interessado na vaga. A derrota abriu espaço para possíveis retaliações, como a exoneração de indicados de Alcolumbre no governo, embora Lula tenha demonstrado serenidade e buscado confortar Messias.
Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, ficando sete abaixo do mínimo necessário. Foi a primeira rejeição de um indicado ao STF desde 1894. Lula conversou com o Advocacia-Geral da União (AGU) por telefone após a votação, preocupado com seu estado emocional, e sinalizou que qualquer reação política só deve ocorrer após o feriado, quando houver clareza sobre os responsáveis pela derrota.
A agenda presidencial publicada para o dia seguinte incluiu uma reunião com o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, indicado do União Brasil, partido de Alcolumbre. No Congresso, José Guimarães, responsável pela articulação política, reconheceu a gravidade do revés e defendeu que o governo aja com inteligência, não por impulso.
Durante a sabatina, Jaques Wagner (PT) também esteve com Lula e relatou que o clima no Senado era favorável à aprovação, o que reforçou a surpresa com o resultado. A derrota expôs fragilidades na articulação política e abriu uma crise interna que o governo tenta administrar enquanto identifica os responsáveis pelo fracasso.


