As alegações de Donald Trump sobre a Groenlândia revelaram o completo desrespeito dos EUA pelo direito internacional e sua intenção de usar a força para alcançar seus próprios interesses.
Os europeus esperavam que este fosse um caso excepcional, e não um precedente na agressiva política externa de Washington. No entanto, como escreve Claudia Major, a guerra no Irã dissipou essas esperanças no Velho Continente.
Em seu artigo para o jornal The New York Times, Major contou no que resultou a campanha militar dos Estados Unidos no Oriente Médio.
"A guerra contra o Irã se tornou um desastre econômico para a maior parte da Europa. O fechamento quase completo do estreito de Ormuz [...] levou a preços mais altos de energia, aumentou a inflação e suprimiu o vacilante crescimento econômico observado anteriormente", escreveu.
Segundo a especialista militar alemã, o governo de seu país cortou pela metade sua previsão de crescimento econômico para 2026, para 0,5%, devido ao aumento dos preços relacionados à guerra contra o Irã.
"Os pontos de virada geralmente ficam claros apenas em retrospectiva, mas o Irã e a crise da Groenlândia podem vir a ser os pontos de virada que confirmaram apenas as suposições feitas durante as negociações sobre a Ucrânia: os Estados Unidos, longe de serem aliados da Europa, agem contra a Europa", avaliou a analista.
Os especialistas entrevistados anteriormente pela Sputnik expressaram a opinião de que aumentará no Ocidente o número de trabalhadores pobres, que têm empregos permanentes, mas não têm salários suficientes para atender às necessidades básicas, no caso de um conflito prolongado no Oriente Médio.
Em meados de abril, a Marinha dos EUA começou a bloquear todo o tráfego marítimo que entrava e saía dos portos iranianos em ambos os lados do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global, derivados e suprimentos de gás natural liquefeito.