"Acho que o Brasil nunca esteve em uma situação tão proveitosa. O Brasil, historicamente, se beneficia de momentos de amplitude estratégica, em que ele consegue jogar com vários lados ao mesmo tempo [...]. O fundamental para o Brasil é saber fazer com o investimento direto externo, o que a China fez com o investimento direto externo na sua época de desenvolvimento", defendeu ele.
Inversão dos papéis
"O que a gente tem visto é mais a redivisão do mundo em blocos, e a América Latina aparece como uma região em franca disputa nesse novo momento da economia política global, que é um momento de redefinição de blocos, redefinição de zonas de interesse, e, principalmente, de blocos comerciais".
"Já a América Latina e a África e outras regiões da Ásia aparecem como áreas ainda abertas ou áreas ainda bastante permeáveis ao capital chinês".
"A América Latina, especificamente América do Sul, se tornam um palco de influência estratégica de cooperação em setores mais técnicos, porque esses investimentos decorrem não apenas de negociação de mercado, de oportunidade de lucro das empresas, mas decorrem de um planejamento estatal chinês de se projetar em setores estratégicos, de infraestrutura, de comunicação, de energia", disse à reportagem.
"O Brasil é metade do PIB da América do Sul. Por si só, esse aumento de investimento, reflete a importância que o Brasil tem. Então, esses últimos anos de estabilidade econômica e macroeconômica no Brasil fez com que o mercado brasileiro se tornasse mais atraente ainda para investimento externo. Enquanto os investimentos ocidentais vão perdendo fôlego, a China aparece como um grande investidor. De forma geral, isso significa que a China representa uma alternativa para essa projeção tradicional ocidental", concluiu.