A oferta do Governo brasileiro foi precedida, no ano passado, pelo primeiro envio de militares brasileiros a Bogotá, para capacitação de militares colombianos nas operações de desarmamento.
Embora a assinatura do acordo esteja prevista para 23 de março, ainda há diversas questões a serem resolvidas. Uma das mais difíceis até agora é a exigência feita pelas FARC para a desmobilização das forças paramilitares que agem no país desde 1990, a entrega do armamento e a criação de territórios em que os guerrilheiros possam se instalar após a assinatura do acordo.
O Congresso colombiano aprovou recentemente a criação de um referendo para um plesbicito popular que ocorrerá três meses após a assinatura do acordo, que, para ser legitimado, terá que contar com o apoio de 13% da população.
Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), Diogo Dario, especialista em estratégias em políticas latino-americanas, essa cooperação é fundamental.
"Embora limitadas em sua expansão e na venda de um projeto político, as FARC ainda têm uma capacidade de defesa muito forte em algumas regiões, e não existe a possibilidade de que o Governo consiga eliminá-las militarmente ao longo dos próximos anos. Além disso, existe hoje uma geração de guerrilheiros que está em ação desde o início dos combates e que vê o processo de negociação como a última chance de entrarem efetivamente na vida política".
O Professor Dario diz ainda que a maior parte dos atuais comandantes tem planos de ingressar na vida partidária a partir do ano que vem:
"Desde 1984, as FARC tinham um braço político no Parlamento, um partido oficial, a União Patriótica, que foi reativado recentemente, tendo em vista justamente a retomada do processo de negociação."