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Alimentos em alta: ainda que governo faça dever de casa, 'melhora só no longo prazo' (VÍDEO)
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Sputnik Brasil
A alta persistente dos alimentos nos últimos meses tem sido a principal vilã na percepção negativa da população em relação à economia brasileira e... 26.02.2025, Sputnik Brasil
2025-02-26T20:53-0300
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Embora o problema seja global, conforme aponta a própria agência para alimentação e agricultura das Nações Unidas, FAO, atingindo o maior patamar em 18 meses no mundo, no Brasil a inflação da cesta básica fez a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva despencar em fevereiro.Mais de 90% da população de oito estados brasileiros (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco e Bahia) acham que os alimentos estão mais caros neste mês, segundo pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (26). Números do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) também divulgados hoje revelam dados positivos sobre a alta do emprego, mas, com a forte subida da inflação, essa melhora parece não ter sido sentida pelos trabalhadores. De acordo com o levantamento, a desaprovação de Lula superou 60% nos três maiores colégios eleitorais do Brasil: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.Para os economistas Bruno Mota e Alexandre Chaia, ouvidos pela Sputnik Brasil, mesmo que faça o dever de casa, o governo só terá resultados positivos no setor alimentício no longo prazo, pois, por ser majoritariamente produtor de commodities, o país fica refém das intempéries do clima, da economia e da geopolítica.Chaia, que é professor de finanças do Insper, ressaltou que, como exportar vale mais do que vender em casa, devido ao dólar alto, a oferta no mercado interno diminui e os preços sobem. Mota, que também é especialista em desenvolvimento regional e urbano, salientou o problema das mudanças climáticas, que vêm alterando safras e influenciando a inflação de vários alimentos e o dólar alto, que deixam o governo brasileiro com "pouca margem de manobra para poder acertar essa conta".Chaia argumentou que para além das influências externas, o governo errou na expansão da economia, sem focar no equilíbrio fiscal, gerando consumo maior de produtos importados, falta de dólar na economia, e sua consequente supervalorização: Para o economista do Insper, o governo deveria evitar medidas pontuais e focar estratégias mais macroeconômicas, como fazer um ajuste fiscal melhor para atrair mais investimentos para o Brasil e forçar a queda do dólar e a importação de produtos:Estoques reguladoresO governo reiniciou recentemente a política de estoques reguladores para evitar aumentos abusivos de alimentos considerados essenciais, como milho e arroz. Ambos os economistas entrevistados defenderam a medida:No entanto, ele comentou que a medida foi tardia:Mota acrescentou que é fundamental que esse estoque tenha fornecimento contínuo e incentive que outros novos fornecedores entrem no processo:A ampliação da agricultura familiar para Mota é outra estratégia de longo prazo para evitar que especulações e crises externas tenham tanto peso no valor dos alimentos, bem como investimento na logística de distribuição:O economista também citou o programa federal Nova indústria Brasil como medida positiva para diminuir futuramente custos de insumos importados, como petróleo e fertilizantes.
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Alimentos em alta: ainda que governo faça dever de casa, 'melhora só no longo prazo' (VÍDEO)
20:53 26.02.2025 (atualizado: 15:09 27.02.2025) Especiais
A alta persistente dos alimentos nos últimos meses tem sido a principal vilã na percepção negativa da população em relação à economia brasileira e, consequentemente, à atuação do governo federal.
Embora o problema seja global, conforme aponta a própria agência para alimentação e agricultura das Nações Unidas, FAO, atingindo o maior patamar em 18 meses no mundo,
no Brasil a inflação da cesta básica
fez a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva despencar em fevereiro.
Mais de 90% da população de oito estados brasileiros (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco e Bahia) acham que os alimentos estão mais caros neste mês, segundo pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (26). Números do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) também
divulgados hoje revelam dados positivos sobre
a alta do emprego, mas, com a forte subida da inflação,
essa melhora parece não ter sido sentida pelos trabalhadores. De acordo com o levantamento, a
desaprovação de Lula superou 60% nos três maiores colégios eleitorais do Brasil: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Para os economistas Bruno Mota e Alexandre Chaia, ouvidos pela Sputnik Brasil, mesmo que faça o dever de casa, o governo só terá resultados positivos no setor alimentício no longo prazo, pois, por ser majoritariamente produtor de commodities, o país fica refém das intempéries do clima, da economia e da geopolítica.
Chaia, que é professor de finanças do Insper, ressaltou que, como exportar vale mais do que vender em casa, devido ao dólar alto, a oferta no mercado interno diminui e os preços sobem.
"Porque o produtor rural, o produtor brasileiro, o agricultor, o pecuarista, ele vende para o mundo, não vende para o Brasil. Então, se o preço do mundo subir, ele não vai vender aqui internamente, vai vender para fora. Por isso que toda vez que tem um aumento da falta, que é uma quebra de soja nos EUA, impacta o Brasil, mesmo ele produzindo soja", frisou ele.
Mota, que também é especialista em desenvolvimento regional e urbano, salientou o problema das mudanças climáticas, que vêm alterando safras e influenciando a inflação de vários alimentos e o dólar alto, que deixam o governo brasileiro com "pouca margem de manobra para poder acertar essa conta".
"O governo precisa mapear mais a questão da oferta e buscar outros recursos. Porque o maior problema dessa inflação de oferta é que atinge justamente as pessoas mais pobres", ponderou o especialista.
Chaia argumentou que para além das influências externas, o governo errou na expansão da economia, sem focar no equilíbrio fiscal, gerando consumo maior de produtos importados, falta de dólar na economia, e sua consequente supervalorização:
"Além de tudo, houve uma remessa de recursos no final do ano que é um fato sazonal que também pressionou o dólar no final do ano com as multinacionais que mandam dinheiro para fora. E, por último, os importadores e exportadores, que adiaram a internação do dinheiro por conta do risco Trump, de tributação de tarifa, e pela incerteza sobre medidas heterodoxas do governo para conter o aumento do dólar [...] a principal questão foi a falta de confiança no governo", avaliou ele.
Para o economista do Insper, o governo deveria evitar medidas pontuais e focar estratégias mais macroeconômicas, como fazer um ajuste fiscal melhor para atrair mais investimentos para o Brasil e forçar a queda do dólar e a importação de produtos:
"[...] e gera um aumento de renda, o que faz com que as pessoas consigam comprar melhor, isso é o que o governo deveria fazer. O governo fazendo ou não fazendo, aí uma questão mais macroeconômica não é necessariamente ligada à medida de alimento".
O governo reiniciou recentemente a política de estoques reguladores para evitar
aumentos abusivos de alimentos considerados essenciais, como milho e arroz. Ambos os economistas entrevistados defenderam a medida:
"Se ele acha que o preço está muito caro, ele venderia o estoque quando tivesse a safra, ele compraria mais barato e ficava regulando a oferta de produtos a preços melhores. Esse é o caminho que vejo sem interferir nas relações, porque toda vez que você interfere nas relações privadas, acaba criando desequilíbrios que são pagos no futuro por alguém", opinou Chaia.
No entanto, ele comentou que a medida foi tardia:
"Para conter esse momento da alimentação não vai mudar muita coisa. Qualquer medida de planejamento estratégico é positiva no médio e longo prazo. No curto prazo, acho que vai ter pouco efeito".
Mota acrescentou que é fundamental que esse estoque tenha fornecimento contínuo e incentive que outros novos fornecedores entrem no processo:
"[...] Só que você envolve aí, às vezes, oportunidade e também investimento. Então, às vezes, não tem quem entre. E aí o Estado precisa entrar no processo, um Estado que já não tem também muita massa de manobra, limitado hoje, endividado, com pouco recurso. Mas, assim, o governo pode incentivar. O governo tem incentivado. Então, você tem um plano safra que são bilhões de reais investidos. O governo tem feito algumas políticas de incentivo, mas precisa ir mais do que isso. Precisa ir além disso".
A ampliação da agricultura familiar para Mota é outra estratégia de longo prazo para evitar que especulações e crises externas tenham tanto peso no valor dos alimentos, bem como investimento na logística de distribuição:
"O custo de transporte termina sendo muito alto. Agora, claro, ele pode responder às demandas locais mais próximas, da cidade mais próxima, e isso atenuar um pouco a questão desses problemas da oferta de alimentos.
O economista também citou o
programa federal Nova indústria Brasil como medida positiva para diminuir futuramente custos de insumos importados,
como petróleo e fertilizantes.
"Há produtos que compõem a questão do fertilizante, por exemplo, que a gente não produz nacionalmente. Você tem que importar. E às vezes o problema do câmbio faz com que, por exemplo, a Petrobras não consiga ter preço competitivo a ponto de as indústrias terem que importar. A indústria de fertilizante vem fazendo isso há muito tempo. É necessário que a gente rediscuta também os preços relacionados à energia e ao combustível. Esses dois itens são os mais responsáveis pela inflação no Brasil e eles impactam em toda a cadeia, no transporte de cada etapa".
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