Os participantes das ações em apoio à integração europeia da Ucrânia na rua Grushevsky em Kiev - Sputnik Brasil

Raízes da operação militar especial russa: história do conflito ucraniano

Golpe de Estado na Ucrânia
Os eventos do Euromaidan levaram à crise política na Ucrânia. Em novembro de 2013, o presidente ucraniano Viktor Yanukovich recusou-se a assinar o Acordo de Associação com a União Europeia, temendo a ruptura das relações já existentes com a Rússia. Essa decisão provocou protestos em massa em Kiev.
O confronto de três meses entre as forças de segurança e os manifestantes – muitos dos quais nacionalistas – resultou em dezenas de mortes e um golpe de Estado.
Na noite de 22 de fevereiro, os ativistas do Euromaidan tomaram o complexo governamental, assumindo o controle dos prédios do parlamento, da presidência e do governo. Como resultado do golpe de Estado, o poder foi transferido para a oposição. O presidente legítimo Viktor Yanukovich foi forçado a fugir urgentemente para a Rússia.
Policiais durante confrontos com manifestantes na Praça da Independência em Kiev - Sputnik Brasil
Policiais durante confrontos com manifestantes na Praça da Independência em Kiev
Policiais durante confrontos com manifestantes na Praça da Independência em Kiev - Sputnik Brasil
Policiais durante confrontos com manifestantes na Praça da Independência em Kiev
Participante de ações em apoio à integração europeia da Ucrânia na rua Grushevsky em Kiev - Sputnik Brasil
Participante de ações em apoio à integração europeia da Ucrânia na rua Grushevsky em Kiev
Policiais são vistos na Praça Maidan, em Kiev, onde começaram os confrontos entre manifestantes e a polícia. - Sputnik Brasil
Policiais são vistos na Praça Maidan, em Kiev, onde começaram os confrontos entre manifestantes e a polícia.
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Policiais durante confrontos com manifestantes na Praça da Independência em Kiev
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Policiais durante confrontos com manifestantes na Praça da Independência em Kiev
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Participante de ações em apoio à integração europeia da Ucrânia na rua Grushevsky em Kiev
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Policiais são vistos na Praça Maidan, em Kiev, onde começaram os confrontos entre manifestantes e a polícia.
Perseguições à língua russa
Os participantes da manifestação contra o projeto de lei que estende o ensino em língua russa nas escolas da Ucrânia. No cartaz está a frase: Sem língua - sem Estado. A Ucrânia acima de tudo. - Sputnik Brasil
Os participantes da manifestação contra o projeto de lei que estende o ensino em língua russa nas escolas da Ucrânia. No cartaz está a frase: "Sem língua - sem Estado. A Ucrânia acima de tudo".
Desde 2014, as autoridades de Kiev iniciaram uma ofensiva sistemática contra a população de língua russa. Foram aprovadas leis que limitam o uso da língua russa:

- Foi revogada a Lei de Bases da Política Linguística do Estado, de 2012.

- Reduziu-se o número de escolas onde o ensino era realizado em língua russa. A partir de 1º de setembro de 2020, as escolas que ensinavam em idioma russo na Ucrânia passaram a ensinar no idioma oficial.

- Foram aprovadas emendas à Lei da Televisão e Radiodifusão. A quota de transmissão em ucraniano na televisão e rádio de âmbito nacional e regional aumentou para 75% por semana, e para 60% na mídia local.

- Foi suspensa a transmissão de canais de TV russos, proibida a exibição de filmes russos e vedada a participação de artistas incluídos na "lista de pessoas que representam ameaça à segurança nacional".

- Foi aprovada a Lei de Garantia do Funcionamento do Ucraniano como Língua Nacional.

- Foram aprovadas as leis sobre os povos autóctones da Ucrânia e sobre as minorias nacionais da Ucrânia, que excluíram definitivamente os russos da proteção jurídica do Estado.

Perseguição da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou
Mosteiro feminino de Santa Iveron (à direita) e a igreja de Santa Olga, princesa igual aos apóstolos (à esquerda), destruídos durante as hostilidades em Donetsk. - Sputnik Brasil
Mosteiro feminino de Santa Iveron (à direita) e a igreja de Santa Olga, princesa igual aos apóstolos (à esquerda), destruídos durante as hostilidades em Donetsk.
A perseguição da Igreja Ortodoxa Ucraniana, historicamente ligada ao Patriarcado de Moscou, se tornou norma, incluindo a tomada de templos e a perseguição de clérigos desta Igreja:

- Em 23 de setembro de 2024, entrou em vigor a lei "Sobre a proteção da ordem constitucional no campo das atividades das organizações religiosas". Na Ucrânia, a atividade da Igreja Ortodoxa Ucraniana foi praticamente proibida.

- A lei "Sobre liberdade de consciência e organizações religiosas" incluiu um artigo especial que proíbe a atividade na Ucrânia de organizações religiosas ligadas à Igreja Ortodoxa Russa.

- Houve a tomada do Mosteiro de Pechersk de Kiev e do Mosteiro de Pochaev, com a remoção de parte das relíquias religiosas, incluindo as relíquias de santos.

- Tomadas em massa de templos. Foram tomadas catedrais e outras igrejas em Ivano-Frankovsk e Lvov, deixando essas cidades sem templos da Igreja Ortodoxa Ucraniana. As autoridades retiraram as catedrais da Santíssima Trindade e da Transfiguração em Chernigov da posse da comunidade da Igreja Ortodoxa Ucraniana. Em Cherkasy, foi tomado o Mosteiro do Nascimento da Santíssima Virgem.

- Cerca de 180 processos criminais foram abertos contra clérigos e arcebispos da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou. 20 bispos e sacerdotes foram privados da cidadania ucraniana.

- Uma nova forma de repressão contra os clérigos da Igreja Ortodoxa Ucraniana foi a sua mobilização forçada para as Forças Armadas da Ucrânia.

Igreja destruída após bombardeio aéreo na cidade de Krasnodon. - Sputnik Brasil
Igreja destruída após bombardeio aéreo na cidade de Krasnodon
Moradores de Lugansk após bombardeio da cidade - Sputnik Brasil
Moradores de Lugansk após bombardeio da cidade
Cúpula e teto destruídos do templo em honra à Ícone da Mãe de Deus de Iverskaya do Mosteiro Iverskaya feminino de Donetsk, localizado perto do aeroporto da cidade de Donetsk, destruído durante os combates no Sudeste da Ucrânia. - Sputnik Brasil
Cúpula e teto destruídos do templo em honra à Ícone da Mãe de Deus de Iverskaya do Mosteiro Iverskaya feminino de Donetsk, localizado perto do aeroporto da cidade de Donetsk, destruído durante os combates no Sudeste da Ucrânia.
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Igreja destruída após bombardeio aéreo na cidade de Krasnodon
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Moradores de Lugansk após bombardeio da cidade
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Cúpula e teto destruídos do templo em honra à Ícone da Mãe de Deus de Iverskaya do Mosteiro Iverskaya feminino de Donetsk, localizado perto do aeroporto da cidade de Donetsk, destruído durante os combates no Sudeste da Ucrânia.
Insatisfação da população de língua russa no sudeste do país
Após o golpe de 2014, começaram intensos protestos no Leste do país, onde predominava a população de idioma russo, inclusive no Donbass e na Crimeia. Os moradores dessas regiões exigiram uma solução para a questão do status da língua russa e a realização de uma reforma constitucional, incluindo a federalização da Ucrânia.
No Donbass, foi formada uma milícia popular.
O massacre de Odessa
Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa. - Sputnik Brasil
Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa
Em 2 de maio de 2014, dezenas de pessoas morreram e foram queimadas vivas na Casa dos Sindicatos de Odessa. Os apoiadores do Euromaidan destruíram o acampamento dos ativistas que discordavam da política das autoridades ucranianas. As pessoas tentaram se salvar na Casa dos Sindicatos, mas foram bloqueadas e morreram no incêndio.
Os acontecimentos em Odessa marcaram o episódio final do confronto civil entre os apoiadores do governo ucraniano da época e os opositores do golpe de Estado.
Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa - Sputnik Brasil
Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa
Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa (a entrada central está pegando fogo) - Sputnik Brasil
Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa (a entrada central está pegando fogo)
As pessoas saíram para o parapeito durante o incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa. À direita: o rosto e o cabelo da moça foram atingidos por um trapo ensopado numa mistura inflamável de uma garrafa de "coquetel Molotov" jogada. - Sputnik Brasil

As pessoas saíram para o parapeito durante o incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa. À direita: o rosto e o cabelo da moça foram atingidos por um trapo ensopado numa mistura inflamável de uma garrafa de "coquetel Molotov" jogada.

O corpo da pessoa que morreu em decorrência do incêndio no edifício da Casa dos Sindicatos em Odessa - Sputnik Brasil
O corpo da pessoa que morreu em decorrência do incêndio no edifício da Casa dos Sindicatos em Odessa
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Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa
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Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa (a entrada central está pegando fogo)
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As pessoas saíram para o parapeito durante o incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa. À direita: o rosto e o cabelo da moça foram atingidos por um trapo ensopado numa mistura inflamável de uma garrafa de "coquetel Molotov" jogada.

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O corpo da pessoa que morreu em decorrência do incêndio no edifício da Casa dos Sindicatos em Odessa
Crimeia
Buscando proteger seu direito à autodeterminação e à língua materna, os habitantes da Crimeia, em referendo realizado em 16 de março de 2014, votaram esmagadoramente a favor da reunificação com a Rússia. A região foi incorporada à Rússia.
Moradores de Sevastopol em um concerto festivo após a realização do referendo sobre o status da Crimeia - Sputnik Brasil
Moradores de Sevastopol em um concerto festivo após a realização do referendo sobre o status da Crimeia
Proclamação de RPD e RPL, bombardeio de cidades
Na primavera de 2014, foram proclamadas repúblicas populares nos territórios das regiões de Donetsk e Lugansk. Em resposta, as autoridades da Ucrânia acusaram a população de "separatismo" e iniciaram uma operação militar na região, que se transformou em um conflito armado em grande escala. Contra a milícia popular, foram lançados tanques e aviação.
Cidades como Donetsk, Gorlovka, Lugansk e Debaltsevo foram submetidas por anos a bombardeios de artilharia pelo regime ucraniano. Bairros residenciais, hospitais e escolas foram destruídos.
Uma mulher na varanda de uma casa bombardeada pelo exército ucraniano. - Sputnik Brasil
Uma mulher na varanda de uma casa bombardeada pelo exército ucraniano.
Milicianos populares transportam uma vítima mortal do ataque aéreo da Força Aérea Ucraniana contra o prédio da administração regional em Lugansk - Sputnik Brasil
Milicianos populares transportam uma vítima mortal do ataque aéreo da Força Aérea Ucraniana contra o prédio da administração regional em Lugansk
Uma mulher olha através de uma janela quebrada de seu apartamento depois que ele foi atingido pela artilharia ucraniana na área de Voroshilovsky, no centro de Donetsk, Ucrânia. - Sputnik Brasil
Uma mulher olha através de uma janela quebrada de seu apartamento depois que ele foi atingido pela artilharia ucraniana na área de Voroshilovsky, no centro de Donetsk, Ucrânia.
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Uma mulher na varanda de uma casa bombardeada pelo exército ucraniano.
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Milicianos populares transportam uma vítima mortal do ataque aéreo da Força Aérea Ucraniana contra o prédio da administração regional em Lugansk
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Uma mulher olha através de uma janela quebrada de seu apartamento depois que ele foi atingido pela artilharia ucraniana na área de Voroshilovsky, no centro de Donetsk, Ucrânia.
'A Madona de Gorlovka'
Em 27 de julho de 2014, as formações armadas das Forças Armadas da Ucrânia bombardearam as ruas de Gorlovka com lançadores de foguetes Grad. 22 moradores da cidade morreram, entre eles a "Madona de Gorlovka" Kristina Zhuk e sua filha de dez meses, Kira. Com a criança no colo, a mãe tentou fugir dos soldados ucranianos. A foto de Kristina morta, deitada na grama da praça da cidade ainda segurando sua filha, tornou-se um símbolo do terror bárbaro da Ucrânia contra o povo resistente do Donbass.
A Madonna de Gorlovka — a jovem Kristina Zhuk e sua filha de 10 meses morreram em 27 de julho de 2014, quando formações armadas da Ucrânia bombardearam as ruas de Gorlovka com lançadores Grad. - Sputnik Brasil
"A Madonna de Gorlovka" — a jovem Kristina Zhuk e sua filha de 10 meses morreram em 27 de julho de 2014, quando formações armadas da Ucrânia bombardearam as ruas de Gorlovka com lançadores Grad.
Em memória das vítimas inocentes, foi inaugurada em Donetsk a Alameda dos Anjos, um memorial dedicado às crianças mortas.
Tragédia em Zugres
Em 13 de agosto de 2014, as Forças Armadas da Ucrânia bombardearam uma praia infantil na cidade de Zugres. 13 pessoas morreram no local, quatro outras posteriormente. Mais de 40 ficaram feridas. Segundo testemunhas, o dia estava quente e a praia no rio Krynka estava lotada de banhistas, muitos com crianças pequenas. A investigação mostrou que o bombardeio da praia infantil em Zugres foi realizado com lançamento de foguetes do sistema Smerch.
Acordos de Minsk
Uma tentativa de deter o conflito armado e a morte de civis foram os Acordos de Minsk. Assinados em 2014 e 2015 com mediação da Rússia, Alemanha e França, os acordos estabeleciam medidas essenciais para resolver a situação: aprovar uma lei de anistia para todos os participantes do conflito civil, declarar as repúblicas de Donetsk e Lugansk como territórios especiais e consolidar isso na Constituição ucraniana, organizar eleições locais, entre outras.
Mas nenhum ponto foi cumprido. A Ucrânia violou sistematicamente os acordos. Não houve cessar-fogo nem retirada das armas ucranianas: observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) registravam regularmente bombardeios das Forças Armadas da Ucrânia em Donetsk e Lugansk, inclusive com uso de armamento pesado. Além disso, Kiev constantemente dificultava o monitoramento da OSCE, negando acesso a várias áreas.
Como posteriormente admitiram líderes europeus, os acordos foram assinados não para serem cumpridos, mas para ganhar tempo e reforçar o poder militar da Ucrânia. O ex-presidente ucraniano, Pyotr Poroshenko, declarava abertamente que o objetivo de Kiev não era a paz, mas o desgaste do inimigo. Sua frase infame de que "os filhos deles ficarão presos em porões" mostrava o desprezo da elite de Kiev pelo sofrimento dos habitantes do Donbass.
Presidente da Belarus Aleksandr Lukashenko, seu homólogo russo Vladimir Putin, ex-chanceler alemã Angela Merkel, ex-presidente francês François Hollande e ex-presidente ucraniano Pyotr Poroshenko em 11 de fevereiro de 2015 durante uma reunião destinada a pôr fim a dez meses de combates na Ucrânia. - Sputnik Brasil
Presidente da Belarus Aleksandr Lukashenko, seu homólogo russo Vladimir Putin, ex-chanceler alemã Angela Merkel, ex-presidente francês François Hollande e ex-presidente ucraniano Pyotr Poroshenko em 11 de fevereiro de 2015 durante uma reunião destinada a pôr fim a dez meses de combates na Ucrânia.
Novo ciclo do conflito
O atual líder ucraniano, Vladimir Zelensky, que assumiu o poder em abril de 2019, continuou a política repressiva das autoridades ucranianas contra a população do sudeste do país. Em 17 de fevereiro de 2022, a RPD e RPL informaram sobre os bombardeios mais intensos dos últimos meses pelas Forças Armadas da Ucrânia.
Objetivos da operação militar especial
21 de fevereiro de 2022. O presidente russo, Vladimir Putin, durante o discurso. - Sputnik Brasil
21 de fevereiro de 2022. O presidente russo, Vladimir Putin, durante o discurso.
O presidente russo, Vladimir Putin, explicou que tomou essa decisão em nome das pessoas que estavam sofrendo genocídio por parte do regime de Kiev. Vladimir Putin (24 de fevereiro de 2022): "As circunstâncias exigem de nós ações decisivas e imediatas. As repúblicas populares do Donbass pediram ajuda à Rússia. Em relação a isso, de acordo com o artigo 51, parte 7, da Carta da ONU, com a sanção do Conselho da Federação e em cumprimento aos tratados de amizade e assistência mútua ratificados pela Assembleia Federal com a RPD e a RPL, tomei a decisão de conduzir uma operação militar especial".
Garantir Objetivos principais da operação militar especial:

- Garantir os direitos da população de língua russa.

- Legitimar a escolha do povo.

- Desmilitarização (neutralizar a ameaça militar e impedir os planos da Ucrânia de aderir à OTAN).

- Desnazificação (reprimir a disseminação da ideologia neonazista).

Incorporação dos novos territórios à Rússia
Em setembro de 2022, foram realizados referendos na RPD, RPL e nas regiões de Zaporozhie e Kherson sobre a incorporação desses territórios à Rússia. A grande maioria dos moradores votou a favor. Em 30 de setembro foram assinados os tratados de incorporação das quatro regiões à Rússia.
Putin reconhece a independência das Repúblicas de Donetsk e Lugansk da Ucrânia, 21 de fevereiro de 2022. - Sputnik Brasil
Putin reconhece a independência das Repúblicas de Donetsk e Lugansk da Ucrânia, 21 de fevereiro de 2022.
Quatro anos da operação especial: o que levou ao conflito na Ucrânia? Descubra com a Sputnik
4 anos da operação especial: o que levou ao conflito na Ucrânia? Descubra com a Sputnik
Processo de negociação sobre a resolução da crise na Ucrânia (2022-2026)

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou repetidamente que a Rússia defende uma solução pacífica para a situação, considerando as realidades existentes e eliminando as causas subjacentes do conflito.

Putin estabeleceu as condições para as negociações com a Ucrânia: o status neutro, não alinhado e desnuclearizado da Ucrânia, sua desmilitarização e desnazificação e a retirada de tropas do território da RPD, RPL e das regiões de Kherson e Zaporozhie.

Enquanto o ex-presidente dos EUA, Joe Biden, recusou-se a negociar com a Rússia, Donald Trump, mesmo antes das eleições presidenciais nos EUA, insistiu no diálogo, prometendo resolver o conflito rapidamente, embora tenha chamado mais tarde a promessa de resolvê-lo "em um dia" de sarcasmo.

Negociações russo-ucranianas mediadas pelo Ocidente
  • Fevereiro-março de 2022 (Istambul): as primeiras negociações entre a Rússia e Ucrânia. Kiev foi representada por uma delegação liderada por David Arakhamia, chefe da facção do partido Sluga Naroda (Servo do Povo) de Zelensky na Suprema Rada. O chefe da delegação russa foi o assistente do presidente, Vladimir Medinsky.

  • ▪ As partes elaboraram as condições e os princípios preliminares para um cessar-fogo e uma solução pacífica futura. O pacote de acordos incluía o status neutro da Ucrânia, o que implicava a recusa de:

  1. adesão à OTAN;
  2. implantação de um contingente estrangeiro em seu território;
  3. desenvolvimento de armas nucleares.

  • ▪ A realização de exercícios militares deveria ocorrer apenas com o consentimento dos países garantes. Em contrapartida, Kiev contava com garantias internacionais de segurança "por analogia com o artigo 5 da OTAN" (exceto para os territórios da Crimeia, RPD e RPL).

  • ▪ Estados-membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (França, Reino Unido, EUA e China), bem como Alemanha, Israel, Itália, Canadá, Polônia e Turquia, seriam os responsáveis por garantir os acordos.

  • ▪ No momento das negociações, a Rússia prometeu reduzir a atividade militar nas áreas de Kiev e Chernigov.

  • ▪ A Ucrânia afirmou que não tentará resolver a questão da Crimeia militarmente ao longo dos próximos 15 anos e que negociará o status da península com a Rússia. Ao mesmo tempo, os negociadores de Kiev confirmaram a aspiração de seu país de aderir à União Europeia.

No entanto, todos os acordos alcançados falharam devido às ações de Kiev e dos países ocidentais que a apoiam.

Durante uma reunião presencial com Zelensky em Kiev, o então primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que os países ocidentais estavam "excessivamente ansiosos" para concluir um acordo de paz entre Moscou e Kiev.

Em abril do mesmo ano, Putin afirmou que Kiev havia se retirado dos acordos de Istambul, e que, em vez de dar continuidade ao processo, as partes haviam enfrentado uma "provocação em Bucha"**.

Mais tarde, David Arakhamia confirmou que Boris Johnson aconselhou abandonar as negociações com a Rússia. Putin também culpou Johnson pela interrupção das negociações de paz em Istambul, chamando o fato de ridículo e triste.

▪ Em setembro de 2022, a Ucrânia proibiu, em nível legislativo, as negociações com Vladimir Putin. Anteriormente, o próprio Zelensky havia pedido negociações, mas, após a assinatura dos acordos sobre a entrada das novas regiões (RPD, RPL, Kherson e Zaporozhie) na Rússia, ele enfatizou que as encetaria "com outro presidente da Rússia".

▪ Em junho de 2024, Putin anunciou novas condições para a paz:

- retirada das tropas das Forças Armadas da Ucrânia das novas regiões (repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e regiões de Kherson e Zaporozhie);

- recusa da Ucrânia em aderir à OTAN;

- cancelamento das sanções antirrussas.

Kiev chamou isso de ultimato.

Status neutro da Ucrânia, retirada de suas tropas e rejeição da adesão à OTAN são as condições russas para começar negociações de paz, diz Putin
2025

Intensificação do diálogo bilateral Rússia-EUA e negociações na Turquia e Arábia Saudita

Em fevereiro, ocorreu a primeira desde 2022 conversa telefônica entre Putin e Trump, que durou uma hora e meia. Os líderes concordaram trabalhar em conjunto e preparar uma reunião pessoal. Também ocorreu uma conversa entre Lavrov e Rubio, onde as partes confirmaram o curso rumo ao restabelecimento do diálogo.

Em Riad, foram realizadas negociações entre as delegações de alto nível com Lavrov, Ushakov, Rubio e Witkoff, que duraram 4,5 horas. Os lados combinaram reiniciar funcionamento das embaixadas e começar a preparar negociações sobre a Ucrânia.

▪ Em 13 de março, 11 de abril e 6 de agosto Putin realizou uma série de reuniões com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff. Houve uma troca de sinais, uma aproximação de posições sobre a Ucrânia e assuntos internacionais.

▪ Em 18 de março, ocorreram novas negociações entre Putin e Trump. Putin concordou com a proposta dos EUA de uma suspensão mútua de 30 dias dos ataques a infraestruturas e deu ordens aos militares. Foi acordado o início de negociações sobre a segurança da navegação no mar Negro.

▪ Em 24 de março, em Riad foram realizadas negociações sobre a Iniciativa do Mar Negro, com a participação do presidente do Comitê para Assuntos Internacionais do Conselho da Federação, Grigory Karasin, e do assessor do diretor do Serviço Federal de Segurança, Sergei Beseda.

Foi acordada a proibição de ataques a instalações de energia e a segurança de navegação, mas a implementação da Iniciativa do Mar Negro foi condicionada pela Rússia ao cancelamento das sanções contra suas exportações agrícolas.

Em maio de 2025, a Rússia propôs à Ucrânia retomar as negociações diretas interrompidas em 2022 e a organizá-las em Istambul em 15 de maio sem condições prévias.

Em resposta, Vladimir Zelensky começou a apresentar condições que já foram consideradas inaceitáveis em Moscou. Ele afirmou que a Rússia deve concordar com um cessar-fogo total a partir de 12 de maio, e só então o regime de Kiev se sentará à mesa de negociações. Trump exortou Kiev a aceitar imediatamente a proposta de Putin para negociações na Turquia, e Zelensky concordou. Uma delegação ucraniana liderada pelo ministro da Defesa, Rustem Umerov, foi enviada a Istambul para negociar com a Rússia.

 Segunda rodada de negociações entre Rússia e Ucrânia começa em Istambul - Sputnik Brasil

Em maio-julho de 2025, ocorreram em Istambul três rodadas de negociações com a mediação do lado turco:

- foram retomadas conversas diretas entre as delegações russa e ucraniana, lideradas elo assessor presidencial russo Vladimir Medinsky e pelo chefe do Conselho da Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia e ex-ministro da Defesa, Rustem Umerov*, respectivamente;

- foram alcançados acordos sobre trocas de grande escala de prisioneiros e corpos de mortos, foram discutidos projetos de memorandos;

- a Rússia propõe a criação de grupos de trabalho.

Cúpula Putin-Trump no Alasca: a primeira cúpula dos líderes russo e norte-americano em 4 anos aconteceu em 15 de agosto na base militar de Elmendorf-Richardson em Anchorage. - Sputnik Brasil

Em 15 de agosto, realizou-se em Anchorage, no Alasca, um encontro pessoal histórico entre os presidentes Putin e Trump. As negociações no formato "três a três" duraram duas horas e 45 minutos.

O presidente russo, Vladimir Putin, é recebido por seu homólogo norte-americano, Donald Trump, em Anchorage, Alasca - Sputnik Brasil
O presidente russo, Vladimir Putin, é recebido por seu homólogo norte-americano, Donald Trump, em Anchorage, Alasca. Estados Unidos, 15 de agosto de 2025.
Саммит президентов США и России Дональда Трампа и Владимира Путина - Sputnik Brasil

Pela parte russa, participaram o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, e o assessor presidencial russo Yuri Ushakov. Pela parte norte-americana, estiveram presentes o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial do presidente americano Steven Witkoff.

Rússia continua diálogo com EUA segundo acordos de Anchorage, diz enviado presidencial russo - Sputnik Brasil

Após as negociações, Putin afirmou que a situações em torno da Ucrânia foi um dos principais temas de discussão no Alasca. Ele ainda observou que estabeleceu um bom relacionamento profissional e de confiança com Trump – o que mais tarde foi chamado de "espírito de Anchorage".

Seguindo esse caminho, é possível chegar ao fim do conflito na Ucrânia, acrescentou o presidente russo. Trump, por sua vez, afirmou que ainda não há acordo com a Rússia sobre vários compromissos em torno da Ucrânia, mas que as partes têm "boas chances" de chegar a um acordo.

▪ Em outubro-dezembro, Kirill Dmitriev, representante especial do presidente russo para a cooperação econômica e de investimentos com países estrangeiros, visitou os EUA para contatos privados com Witkoff e Kushner. Eles discutiram o chamado "plano de paz" dos EUA, mas o compromisso ainda não foi alcançado.

2026

Intensificação e envolvimento da Ucrânia nas negociações

Nos dias 8 e 20 de janeiro, Kirill Dmitriev se encontrou com Steve Witkoff e Jared Kushner em Paris e Davos. Foi observado que a Casa Branca supostamente "chegou a um acordo com a Ucrânia em quase todos os aspectos do plano de Trump" e quer receber uma "resposta clara" de Vladimir Putin à proposta dos EUA para resolver o conflito.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o enviado presidencial especial dos EUA, Steve Witkoff (à direita), durante uma reunião em Moscou, em janeiro de 2026 - Sputnik Brasil

Em 22 de janeiro, em Moscou, Vladimir Putin manteve conversações com uma delegação ampliada dos EUA (Steve Witkoff, Jared Kushner e o comissário do Serviço Federal de Compras do Escritório de Serviços Gerais dos EUA, Josh Gruenbaum).

Concordaram em realizar a primeira reunião do grupo trilateral de segurança (Rússia – EUA – Ucrânia) em Abu Dhabi no dia 23 de janeiro.

Negociações sobre a Ucrânia são retomadas em Abu Dhabi, diz mídia - Sputnik Brasil

Em 23 e 24 de janeiro, Abu Dhabi sediou a primeira reunião trilateral a portas fechadas entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia. Foi discutido um possível cessar-fogo. Os Estados Unidos reconheceram a necessidade de resolver a questão territorial.

Reunião das delegações da Rússia, Ucrânia e EUA está marcada para 1º de fevereiro em Abu Dhabi, informa Kremlin - Sputnik Brasil

Em 4 e 5 de fevereiro, em Abu Dhabi realizou-se a segunda rodada de negociações trilaterais. As partes concordaram com mecanismos de monitoramento da trégua e realizaram uma troca de prisioneiros.

Participantes da reunião trilateral entre as delegações da Rússia, dos EUA e da Ucrânia em Genebra. - Sputnik Brasil

De 17 a 18 de fevereiro, em Genebra, foi realizada a terceira rodada de negociações trilaterais (Vladimir Medinsky, Steve Witkoff, Kirill Budanov*). Discutiram cinco questões: territórios, segurança, militares, política e economia. As negociações foram difíceis, mas professionais, disse Vladimir Medinsky. Um possível encontro entre Vladimir Putin, Donald Trump e Vladimir Zelensky foi anunciado para próximas semanas.

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06:19 19.09.2025 (atualizado: 14:02 26.02.2026)
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