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Mídia: concorrência chinesa pressiona indústria ferroviária brasileira em meio à retomada do setor

© Foto / Governo do Estado de São Paulo/Agência BrasilA Estação da Luz, uma das mais importantes da cidade de São Paulo, teve seu projeto feito por Charles Henry Driver, um arquiteto britânico conhecido por projetos em estações ferroviárias
A Estação da Luz, uma das mais importantes da cidade de São Paulo, teve seu projeto feito por Charles Henry Driver, um arquiteto britânico conhecido por projetos em estações ferroviárias - Sputnik Brasil, 1920, 04.01.2026
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A indústria ferroviária brasileira prevê crescimento em 2026, com alta na produção de locomotivas, vagões e carros de passageiros, mas fabricantes afirmam que o avanço poderia ser maior não fosse a forte concorrência da chinesa CRRC, que venceu contratos bilionários e pressiona o setor por condições de competição mais equilibradas.
De acordo com a Folha de S.Paulo, as fabricantes ferroviárias instaladas no Brasil preveem aumento na produção de locomotivas, vagões e carros de passageiros em 2026, mas afirmam que o avanço poderia ser maior se houvesse condições de concorrência mais equilibradas frente às gigantes chinesas. A CRRC, maior fabricante ferroviária do mundo, venceu a licitação bilionária do Metrô de São Paulo, integra o consórcio do Trem Intercidades e já forneceu trens para operações nacionais.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), a indústria deve produzir 72 locomotivas em 2026, 1.900 vagões de carga e 193 carros de passageiros, crescimentos significativos em relação ao ano anterior e os melhores níveis da década para locomotivas e vagões. Mesmo assim, o setor ainda está distante dos picos históricos registrados nas décadas de 2000 e 2010.
Ainda de acordo com a apuração, a entidade afirma que a concorrência chinesa pressiona o mercado brasileiro, não por falta de qualidade local, mas pelo poder econômico e pela agressividade comercial da CRRC. O caso mais recente é o contrato de R$ 3,1 bilhões para 44 trens do Metrô de São Paulo, no qual fabricantes nacionais chegaram ao limite de competitividade.
A CRRC, com faturamento anual de cerca de R$ 170 bilhões, acumula contratos em países desenvolvidos e emergentes e ampliou sua presença na América Latina, vencendo licitações em Medellín e Bogotá. No Brasil, integra o consórcio liderado pela Comporte para o Trem Intercidades e já forneceu trens para a Vale.
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Representantes do setor, como o Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), ouvidos pela Folha, afirmam que as empresas brasileiras são competitivas no exterior, mas enfrentam concorrência desleal internamente. Por isso, pedem financiamentos mais competitivos e isonomia regulatória, em articulação com o governo federal e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Para atender ao contrato paulista, a CRRC instalará parte da produção em Araraquara, em área da Hyundai Rotem, com investimento de R$ 50 milhões e geração de cem empregos, cumprindo exigências de nacionalização.
Apesar da retomada gradual, a indústria ferroviária ainda opera abaixo da capacidade histórica: os carros de passageiros previstos para 2026 representam menos da metade do volume de 2016, e os vagões equivalem a apenas um quarto do pico de 2005, segundo dados compilados pela Folha. Mesmo assim, empresas como a Marcopolo Rail veem oportunidades em novos projetos, modernização de metrôs e reaproveitamento de trechos ferroviários devolvidos.
A Wabtec também projeta cenário positivo, impulsionado pela renovação de concessões e pela demanda de setores como mineração e agronegócio. A empresa ampliou sua estrutura em Contagem (MG), inaugurando um centro global de engenharia e uma segunda linha de produção de locomotivas, sinalizando confiança no crescimento do mercado ferroviário brasileiro.
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