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EUA querem instalar um 'protetorado funcional' na Venezuela: aqui estão seus 4 componentes

© AP Photo / Ariana CubillosUm civil armado participa de um protesto pró-governo exigindo a libertação do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, um dia depois de forças norte-americanas os terem capturado e levado para os Estados Unidos, em Caracas, Venezuela, 4 de janeiro de 2026
Um civil armado participa de um protesto pró-governo exigindo a libertação do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, um dia depois de forças norte-americanas os terem capturado e levado para os Estados Unidos, em Caracas, Venezuela, 4 de janeiro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 05.01.2026
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Washington tenta impor quatro formas de controle na Venezuela após a saída de Nicolás Maduro, segundo o analista Nicolas Takayama Constantini, que vê a estratégia como um protetorado de fato: do domínio político e petrolífero à presença militar e alerta que a operação sinaliza um grave abalo na ordem internacional do pós-Segunda Guerra.
Com a saída de Maduro, Washington pretende estabelecer "quatro tipos de controle" no país. O analista independente de geopolítica e economia Nicolas Takayama Constantini, radicado no Peru, descreveu os mecanismos dessas medidas à Sputnik.
"Operacionalmente, isso significa que eles terão uma administração tutelar de fato", explicou Constantini. Isso implicaria:
1.
"Controle político indireto", por meio de uma "autoridade provisória" ou "conselho de transição" aprovado por Washington, e não pelo povo venezuelano;
2.
Controle técnico e financeiro sobre o setor petrolífero, incluindo contratos, portos e fluxos de moeda estrangeira;
3.
Controle direto sobre as receitas do petróleo, seja pelo Tesouro dos Estados Unidos ou por alguma entidade sob seu controle;
4.
Alguma forma de presença militar ou de segurança dos EUA, ainda que não em grande escala.
“Portanto, na verdade, isso não seria uma governança clássica, mas sim uma forma de protetorado funcional, semelhante ao Iraque em 2003”, afirmou o analista.
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"Do ponto de vista econômico racional, a intervenção militar não é eficiente. O custo militar, político e de reputação para os Estados Unidos supera em muito qualquer ganho energético potencial. Mas não se trata apenas de recursos", disse Constantini, mesmo considerando os ativos venezuelanos como petróleo, gás, terras raras, metais tecnológicos e ouro.

"Trata-se de enviar uma mensagem aos rivais geopolíticos de Washington, incluindo China, Rússia e Irã, sobre como impedir que os recursos da Venezuela caiam em suas mãos, e deixar claro para os países da região: 'se vocês não submeterem ou não disponibilizarem seus recursos quando eu precisar, isso acontecerá com vocês'."

"Vale ressaltar que, obviamente, os Estados Unidos não se importam com os interesses venezuelanos nem com os interesses dos cidadãos americanos relacionados ao narcotráfico, porque as próprias agências norte-americanas afirmam que o principal fluxo de drogas não vem da Venezuela", acrescentou o especialista.
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"É um precedente extremamente grave para a ordem internacional. Significa que a soberania estatal já não funciona. A imunidade de chefes de Estado também não funciona mais. A operação normaliza a mudança de regime pela força, sem autorização multilateral, e reforça a ideia de que o poder se sobrepõe ao direito internacional", explicou Constantini.

"Marca o fim do que restava da ordem internacional e do direito internacional construídos após a Segunda Guerra Mundial [...] uma maior militarização da política externa e a aceleração da fragmentação da ordem global em blocos concorrentes. Isso implica que outras potências poderão agir da mesma forma sempre que não considerarem legítimo determinado governo", resumiu o analista.

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