Líder democrata chama intervenção dos EUA na Venezuela de 'ato de guerra' não autorizado

© AP Photo / J. Scott Applewhite
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O líder democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, rejeitou as alegações do governo Trump de que a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela foi uma operação policial, classificando-a como um "ato de guerra" que exigia autorização do Congresso.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou no domingo (4) que a operação norte-americana na Venezuela não precisou de aval do Congresso porque, segundo ele, não constituiu uma invasão ou ocupação do país, mas sim uma ação policial para prender o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
"Essa não foi simplesmente uma operação de combate ao narcotráfico. Foi um ato de guerra [...]. Tratou-se de uma ação militar envolvendo a Força Delta, o Exército, aparentemente milhares de soldados, pelo menos 150 aeronaves militares e talvez dezenas de navios ao largo da costa da Venezuela e da América do Sul. Portanto, é evidente que foi uma ação militar, e, de acordo com a Constituição, somente o Congresso tem o poder de declarar guerra e autorizar esse tipo de operação", disse Jeffries ao canal de TV NBC no domingo.
Assim que o Congresso retomar os trabalhos na próxima semana, os democratas pretendem adotar medidas legislativas para proibir ações militares sem autorização explícita do Legislativo, acrescentou Jeffries.
O parlamentar questionou ainda as declarações do presidente Donald Trump de que poderia melhorar a vida dos venezuelanos por meio de suas ações, argumentando que o mandatário não cumpriu a promessa de campanha de reduzir o custo de vida dos cidadãos norte-americanos. Jeffries pediu que Trump se concentre em resolver os problemas internos dos Estados Unidos.
No dia 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram um ataque maciço contra a Venezuela, capturando o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e levando-os para Nova York. O presidente norte-americano Donald Trump anunciou que Maduro e Flores serão julgados por suposto envolvimento em "narcoterrorismo" e por representarem uma ameaça, inclusive aos EUA.
Caracas solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU em resposta à operação dos Estados Unidos. O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela nomeou a vice-presidente Delcy Rodríguez como chefe de Estado interina.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia manifestou solidariedade ao povo venezuelano, pediu a libertação de Maduro e de sua esposa e alertou para a necessidade de evitar uma escalada ainda maior do conflito. A China exigiu a liberação imediata dos dois, reforçando que as ações dos EUA violaram o direito internacional.


