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México deve repensar relação política com EUA após ataque à Venezuela, dizem especialistas

© AP Photo / Marco UgarteA presidente mexicana Claudia Sheinbaum concede sua coletiva de imprensa matinal no Palácio Nacional, na Cidade do México, 2 de abril de 2025
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum concede sua coletiva de imprensa matinal no Palácio Nacional, na Cidade do México, 2 de abril de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 04.01.2026
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Diante da ameaça de um possível ataque militar semelhante ao ocorrido na Venezuela, sob o pretexto de combater o narcotráfico, o México precisa reconfigurar sua relação política com os Estados Unidos e até considerar a suspensão da revisão do acordo de livre comércio USMCA, concordam especialistas consultados pela Sputnik.
Horas depois do ataque militar dos EUA a Caracas e da prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o presidente Donald Trump afirmou, em entrevista à Fox News, que, embora respeitasse sua homóloga mexicana, Claudia Sheinbaum, "algo terá que ser feito em relação ao México".
Segundo o republicano, isso se deve ao fato de o país latino-americano estar sob controle do crime organizado.
A declaração de Trump foi usada pela conta de resposta rápida da Casa Branca para rebater uma publicação de Sheinbaum, na qual ela reafirmou a posição do governo mexicano diante dos eventos de 3 de janeiro: a rejeição e condenação de qualquer tipo de intervenção militar.
Apesar disso, ao ser questionada pela imprensa, a presidente reiterou que a relação entre México e Washington é de cooperação em segurança, não de subordinação, e enfatizou seu compromisso com a soberania nacional e a oposição a qualquer forma de ingerência estrangeira.
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Uma ameaça real

Especialistas consultados pela Sputnik avaliam que a ameaça de um ataque ou invasão militar dos EUA ao território mexicano é real e defendem a necessidade de uma mudança na política atual em relação a Washington.
Em entrevista, Aníbal García Fernández, integrante do Observatório Lawfare e especialista em assuntos mexicanos, considera que as declarações da Casa Branca visam manter a "pressão psicológica" exercida desde o início da administração Trump. Ele também entende que o objetivo é enviar um recado claro: haverá consequências caso a política mexicana não se alinhe aos interesses de Washington.
Nesse contexto, o acadêmico observa que, dada a importância dos interesses dos EUA no México e a relevância da relação bilateral, a possibilidade de uma intervenção militar "é sempre um cenário que não se pode descartar", embora reconheça que, se ocorresse, traria um alto custo político.
Por sua vez, o doutor Nayar López Castellanos, pesquisador do Centro de Estudos Latino-Americanos da UNAM, lembra que o México não é alheio a intervenções estadunidenses no passado e que Washington poderia justificar uma nova ação com o suposto objetivo de combater os cartéis de drogas.

"A suposta luta contra o narcotráfico é uma falácia, mas o poder midiático com que esse aparato imperial intervencionista é mobilizado é muito eficaz", afirma López Castellanos.

Até o momento, não há acusações formais dos EUA contra autoridades mexicanas em exercício, além de supostos vazamentos à imprensa internacional, já negados por representações diplomáticas.
No entanto, em diversas ocasiões, Washington tem insistido que o México está sob o jugo do crime organizado.
Em declarações recentes, Trump afirmou ter oferecido repetidamente ajuda a Sheinbaum para a captura de narcotraficantes. O México, por sua vez, respondeu com iniciativas coordenadas, mantendo sua postura de defesa da soberania nacional.
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O que o México deve fazer?

Nesse cenário, especialistas defendem que o México reavalie sua relação política e diplomática com os Estados Unidos, indo além da mera insistência na cooperação em segurança.
García Fernández afirma que o país deve apostar na "unidade latino-americana", uma estratégia que, embora possa soar como um slogan recorrente, representa uma forma concreta de enfrentar uma potência militar cuja força supera em muito as capacidades bélicas do continente.

"Os EUA já não são aquele parceiro; não são mais confiáveis. É um país com o qual o diálogo se tornou impossível; não respeitará nenhum acordo firmado, como já demonstrou no passado. A política mexicana em relação aos EUA precisa passar por um ajuste necessário depois do que ocorreu com o pretexto do narcotráfico. Eles influenciaram diversos países da região a invadi-los, a depor presidentes e a alterar políticas públicas", afirma o especialista em relações internacionais.

López Castellanos complementa que o nível de ameaça por parte dos EUA se intensifica justamente porque o México tem buscado novos parceiros, especialmente no Sul Global, afastando-se gradualmente da dependência histórica em relação a Washington.

"O México já deu passos significativos, mas, na relação com os EUA, persiste a lógica de colaboração contínua, mesmo diante de outras potências e países com os quais poderia forjar relações econômicas robustas", afirma.

Analistas mexicanos destacam que o diálogo previsto para este ano entre os países signatários sobre a revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês), deveria ser suspenso até que haja garantias concretas de segurança para a nação latino-americana.
Até o momento, o governo mexicano não anunciou grandes mudanças em sua política externa com Washington, embora a Diretoria do Senado (câmara alta) tenha suspendido a sessão agendada para amanhã (5) para discutir e, se aplicável, aprovar a entrada de militares americanos no país para exercícios militares, em decorrência dos eventos na Venezuela.
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