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Analistas veem movimento europeu na Groenlândia como 'gesto político contra os EUA'

© AP Photo / Ebrahim NorooziForças militares dinamarquesas participam de um exercício com centenas de soldados de vários membros europeus da OTAN no Oceano Ártico, em Nuuk, Groenlândia, 15 de setembro de 2025
Forças militares dinamarquesas participam de um exercício com centenas de soldados de vários membros europeus da OTAN no Oceano Ártico, em Nuuk, Groenlândia, 15 de setembro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 13.01.2026
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A movimentação de países europeus para reforçar sua presença militar na Groenlândia e no Ártico é vista por analistas que conversaram com a Sputnik como um gesto político destinado a conter avanços dos EUA e evitar que a Europa seja marginalizada em disputas estratégicas, mas a iniciativa expõe divisões internas e fragilidades na OTAN.
A decisão de Alemanha, Reino Unido e outros países europeus de projetar forças militares rumo ao Ártico tem sido interpretada como um esforço para demonstrar autonomia estratégica em meio à crescente pressão dos Estados Unidos. Para Paolo Raffone, diretor da CIPI Foundation em Bruxelas, o objetivo central é mostrar que "ao menos dentro das fronteiras europeias, ainda são capazes de controlar segurança e defesa".
Raffone afirma que o gesto funciona como uma "declaração de intenções", semelhante às discussões sobre uma força de paz na Ucrânia após um eventual cessar-fogo. Segundo ele, os governos europeus buscam ter "algo para negociar com os EUA" e evitar as consequências de serem "deixados de lado pelos EUA — 'a Europa como sendo uma extensão do continente americano'" na competição entre grandes potências.

O analista acrescenta que, em Washington, a recepção não é positiva. "O presidente dos EUA e o Pentágono veem esses anúncios europeus como um incômodo desnecessário", afirmou, destacando o crescente desalinhamento entre aliados históricos.

A presença militar europeia na Groenlândia, em particular, tornou-se foco de debate nos últimos dias. Mikael Valtersson, ex-oficial das Forças Armadas suecas, afirma que vários países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) planejam enviar tropas ao território. Oficialmente, a missão seria proteger a ilha de ameaças externas, mas, segundo ele, "na realidade esse movimento é contra os EUA e não contra ameaças externas".
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Valtersson argumenta que tropas terrestres europeias não têm utilidade contra navios ou mísseis balísticos, reforçando que o objetivo é criar um obstáculo político a qualquer plano norte-americano de anexação.

"É um limiar político, não militar", disse, lembrando que qualquer ação dos EUA contra aliados europeus "significaria a sentença de morte da Europa e romperia o elo transatlântico".

O ex-oficial sueco avalia que a medida não altera o equilíbrio militar, mas pode influenciar debates internos em Washington.

"Fortalece aqueles no Pentágono que se opõem a uma ação militar, mas pode ser vista como provocação por figuras próximas a Trump", afirmou, alertando que a estratégia pode reduzir riscos, mas também "pode sair pela culatra", com consequências graves para as relações EUA‑Europa.

As dúvidas sobre a eficácia da iniciativa também são compartilhadas por Jacques Hogard, coronel aposentado do Exército francês. Ele afirma ter "muitas questões sobre a chamada estratégia" dos líderes europeus e classifica o movimento como "gesticulação, inicialmente verbal e depois simbólica", destinada a demonstrar apoio político à Dinamarca.
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Hogard considera improvável que a postura europeia intimide Washington. "A fraqueza da Europa Ocidental diante da determinação de Trump? Duvido!", afirmou. Para ele, o gesto dificilmente produzirá resultados e ainda expõe "as profundas divisões dentro da OTAN, cuja sobrevivência parece cada vez mais ameaçada".
O major alemão Florian Pfaff, também reformado, concorda que o gesto é essencialmente político. "Não há chance de vitória militar, mas é um sinal político", disse. Segundo ele, a mensagem europeia é clara: "Não querem dizer a Trump 'continue', querem dizer 'pare de conquistar a Groenlândia'."
Pfaff também criticou a ausência de medidas internacionais contra Washington: "É incrível que não haja sanções contra os Estados Unidos, enquanto tantos outros países são punidos por violar o direito internacional".
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