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Disputa pelo Senado em 2026 esquenta com ministros em campo e fundo eleitoral em jogo
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A consolidação do PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, como a maior bancada do Senado, com 15 cadeiras ao fim de 2025, redesenhou o tabuleiro político em... 22.01.2026, Sputnik Brasil
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Nos bastidores de Brasília, o ano mal começou para as primeiras jogadas do xadrez eleitoral serem iniciadas: de um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer dar prioridade para o pleito Legislativo, enquanto que o PL vê seu principal líder cada vez mais distante das articulações por conta da prisão e até uma disputa do espólio político. É justamente nesse jogo que a disputa para o Senado em 2026 deve ganhar ainda mais atenção tanto dos governistas quanto da oposição.A pouco mais de dois meses do prazo para que ocupantes de cargos públicos se desincompatibilizem das funções caso desejem disputar a eleição, ao menos 20 ministros devem deixar o primeiro escalão do governo até abril, muitos até por incentivo de Lula. Entre eles, seis devem disputar justamente o Senado, que em 2026 terá duas vagas por estado em jogo para um mandato de oito anos.O cientista político e presidente do Instituto Cultiva, Rudá Ricci, pontua à Sputnik Brasil que a estratégia governista de incentivar a candidatura de ministros ao Legislativo, principalmente o Senado, é efetiva. Isso porque, segundo ele, o ministeriado costuma ter maior visibilidade política ao longo do mandato."Por exemplo, a ministra [da Secretaria de Relações Institucionais] Gleisi Hoffmann já aceitou o convite do Lula para ser candidata ao Senado pelo Paraná. Nós temos até uma certa inflação de nomes do campo lulista cogitados para São Paulo: é o caso da Simone Tebet [ministra do Planejamento e Orçamento], do Fernando Haddad [ministro da Fazenda] e da Marina Silva [ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima]. O Lula também tenta articular nomes como o Rui Costa, ministro da Casa Civil, para o Senado na Bahia", exemplifica.Além desses, também são cotados para disputar uma cadeira no Senado os ministros da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD-MT), e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), que deixou o cargo na última semana. Já o titular da Educação e ex-governador do Ceará, Camilo Santana, foi eleito senador em 2022 e segue no cargo até 2030 — atualmente, ele se encontra licenciado para atuar na Esplanada.Já pelo lado bolsonarista, que calcula os efeitos da prisão de seu principal líder, o ex-presidente Jair Bolsonaro, as eleições para a Casa também são prioridade. O objetivo é manter a bancada do PL como a maior da Casa.Para o cientista político, a detenção de Bolsonaro não deve afetar tanto a disputa ao Senado, diferentemente das eleições majoritárias, como para presidente. Isso porque, segundo Ricci, na campanha legislativa, há muito financiamento para a direita de setores como o agronegócio, empresas de varejo, redes de restaurantes e até grandes marcas. À reportagem, o destaca dois casos peculiares, um ligado ao PT, no Rio Grande do Norte, e outro ligado ao PL, no Rio de Janeiro. Em ambos, os atuais governadores devem se desincompatibilizar até abril para concorrer ao Senado. No fluminense, o ex-vice governador assumiu um cargo no Tribunal de Contas do Estado, já no potiguar, o vice que assumiria interinamente também anunciou que vai renunciar. Então, em ambos a Assembleia Legislativa deverá escolher indiretamente o governador tampão.Para Claudio Castro, do RJ, a situação é um pouco mais confortável. mas Fátima Bezerra está longe de ter a maioria no legislativo estadual, que pode eleger um nome da oposição para assumir.Direita, esquerda e centrão: forças políticas devem ser alteradas no Senado?A corrida eleitoral ainda está restrita aos bastidores mas, segundo Ricci, as pesquisas eleitorais divulgadas até o momento não apontam uma grande mudança na correlação de forças no Senado.Além da disputa entre governistas e bolsonaristas, o equilíbrio interno da Casa também passa, principalmente, pelo comportamento do centrão. Diante disso, há expectativa que o PL mantenha o número de parlamentares na Casa, com um número parecido do MDB e na sequência o PSD, que já foi a maior bancada. Já PT aparece em oitavo lugar.À agência, Ricci destaca que o Senado tem tido uma atuação importante nos últimos anos como "um contrapeso em relação às barganhas e à ofensiva da direita e da extrema-direita na Câmara dos Deputados, que hoje é, de longe, a principal Casa parlamentar do país".Em sua avaliação, a gênese desse papel começou durante a primeira reeleição de Lula em 2006. À época, para manter a alta do consumo brasileiro, tido motor da economia nacional, houve o corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).Como reflexo, explica, a isenção do tributo levou a uma redução do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que é o repasse do governo federal às prefeituras calculado conforme a arrecadação do IPI e também o Imposto de Renda. Diante disso, as cidades perderam a capacidade de realizar investimentos."Os governos municipais passaram a depender de convênios com ministérios para trazer obras e serviços novos. Esses envolviam bancos estatais, principalmente a Caixa Econômica Federal, e ministérios como Educação, Saúde, Esporte e assim por diante. Quem fazia esse meio de campo entre um município muito pequeno e um ministério para tentar furar a fila e conseguir logo um convênio e garantir obras no seu município era o deputado federal."E foi justamente nessa esteira que foram eleitas figuras como os ex-presidentes da Câmara Severino Cavalcanti, Eduardo Cunha, Artur Lira e, mais recentemente, Hugo Motta.'Fundo eleitoral será a grande moeda de troca'Em meio às estratégias eleitorais de cada partido, também há um elemento crucial que pode alterar o cenário político: a janela de transferência partidária, um período de 30 dias que permite que parlamentares troquem de sigla sem perda de mandato, geralmente entre março e abril. E a principal moeda de troca para manutenção dos senadores é justamente o fundo partidário, aponta Ricci.
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PSD e PL disputam espaço no Congresso e podem redesenhar forças no Senado, diz analista
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Disputa pelo Senado em 2026 esquenta com ministros em campo e fundo eleitoral em jogo
21:05 22.01.2026 (atualizado: 21:08 22.01.2026) Especiais
A consolidação do PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, como a maior bancada do Senado, com 15 cadeiras ao fim de 2025, redesenhou o tabuleiro político em Brasília e colocou a eleição para a Casa no centro da estratégia do presidente Lula. Aliado a isso, o cenário reacende o debate sobre seu papel histórico como contrapeso às decisões da Câmara.
Nos bastidores de Brasília, o ano mal começou para as primeiras jogadas do xadrez eleitoral serem iniciadas: de um lado, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer dar prioridade para o pleito Legislativo, enquanto que o PL vê seu principal líder cada vez mais distante das articulações por conta da prisão e até uma disputa do espólio político.
É justamente nesse jogo que a disputa para o Senado em 2026 deve ganhar ainda mais atenção tanto dos governistas quanto da oposição.
A pouco mais de dois meses do prazo para que ocupantes de cargos públicos se desincompatibilizem das funções caso desejem disputar a eleição, ao menos 20 ministros devem deixar o primeiro escalão do governo até abril, muitos até por incentivo de Lula. Entre eles, seis devem disputar justamente o Senado, que em 2026 terá duas vagas por estado em jogo para um mandato de oito anos.
O cientista político e presidente do Instituto Cultiva,
Rudá Ricci, pontua à
Sputnik Brasil que a estratégia governista de
incentivar a candidatura de ministros ao Legislativo, principalmente o Senado, é efetiva. Isso porque, segundo ele, o
ministeriado costuma ter maior visibilidade política ao longo do mandato.
"Por exemplo, a ministra [da Secretaria de Relações Institucionais]
Gleisi Hoffmann já aceitou o convite do Lula
para ser candidata ao Senado pelo Paraná. Nós temos até uma
certa inflação de nomes do campo lulista cogitados para São Paulo: é o caso da Simone Tebet [ministra do Planejamento e Orçamento], do Fernando Haddad [ministro da Fazenda] e da Marina Silva [ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima]. O Lula também tenta articular nomes como o Rui Costa, ministro da Casa Civil, para o Senado na Bahia", exemplifica.
Além desses, também são cotados para disputar uma cadeira no Senado os ministros da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD-MT), e
Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), que deixou o cargo na última semana. Já o titular da Educação e ex-governador do Ceará, Camilo Santana, foi eleito senador em 2022 e segue no cargo até 2030 — atualmente, ele se encontra licenciado para atuar na Esplanada.
Já pelo lado bolsonarista, que calcula os efeitos da prisão de seu principal líder, o ex-presidente Jair Bolsonaro, as eleições para a Casa também são prioridade. O objetivo é manter a bancada do PL como a maior da Casa.
Para o cientista político, a detenção de Bolsonaro não deve afetar tanto a disputa ao Senado, diferentemente das eleições majoritárias, como para presidente. Isso porque, segundo Ricci, na campanha legislativa, há muito financiamento para a direita de setores como o agronegócio, empresas de varejo, redes de restaurantes e até grandes marcas.
"O problema do bolsonarismo hoje é a divisão interna. Temos a família Bolsonaro, os governadores liderados por Tarcísio de Freitas e os jovens bolsonaristas evangélicos da geração Z, com o Nikolas Ferreira como principal expoente. São três blocos disputando o mesmo eleitorado. Se não houver acordo até julho, nas convenções partidárias, isso pode prejudicar. Mas o bolsonarismo ainda tem entre 20% e 25% do eleitorado, algo entre 20 e 30 milhões de pessoas. Isso é suficiente para eleger muitos senadores. A potência eleitoral continua existindo", destaca.
À reportagem, o destaca dois casos peculiares, um ligado ao PT, no Rio Grande do Norte, e outro ligado ao PL, no Rio de Janeiro. Em ambos, os atuais governadores devem se desincompatibilizar até abril para concorrer ao Senado.
No fluminense, o ex-vice governador assumiu um cargo no Tribunal de Contas do Estado, já no potiguar, o vice que assumiria interinamente também anunciou que vai renunciar. Então, em ambos a Assembleia Legislativa deverá escolher indiretamente o governador tampão.
Para Claudio Castro, do RJ, a situação
é um pouco mais confortável. mas Fátima Bezerra está longe de ter a maioria no legislativo estadual, que pode eleger um nome da oposição para assumir.
"Esses dois estados vão merecer muita atenção. Temos duas situações que precisam ser acompanhadas. Tanto o campo lulista, com o Lula à frente, quanto o bolsonarista estão jogando todo o peso nessa disputa. O Lula com ministros e grandes nomes, e o Bolsonaro com nomes ligados à família e a deputados."
Direita, esquerda e centrão: forças políticas devem ser alteradas no Senado?
A corrida eleitoral ainda está restrita aos bastidores mas, segundo Ricci, as pesquisas eleitorais divulgadas até o momento não apontam uma grande mudança na correlação de forças no Senado.
Além da disputa entre governistas e bolsonaristas, o equilíbrio interno da Casa também passa, principalmente, pelo comportamento do centrão. Diante disso, há expectativa que o PL mantenha o número de parlamentares na Casa, com um número parecido do MDB e na sequência o PSD, que já foi a maior bancada. Já PT aparece em oitavo lugar.
À agência, Ricci destaca que o Senado tem tido uma atuação importante nos últimos anos como "um contrapeso em relação às barganhas e à ofensiva da direita e da extrema-direita na Câmara dos Deputados, que hoje é, de longe, a principal Casa parlamentar do país".
Em sua avaliação, a gênese desse papel começou durante a primeira reeleição de Lula em 2006. À época, para manter a alta do consumo brasileiro, tido motor da economia nacional, houve o corte do
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Como reflexo, explica, a isenção do tributo levou a uma redução do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que é o repasse do governo federal às prefeituras calculado conforme a arrecadação do IPI e também o Imposto de Renda. Diante disso, as cidades perderam a capacidade de realizar investimentos.
"Os governos municipais passaram a depender de convênios com ministérios para trazer obras e serviços novos. Esses envolviam bancos estatais, principalmente a Caixa Econômica Federal, e ministérios como Educação, Saúde, Esporte e assim por diante. Quem fazia esse meio de campo entre um município muito pequeno e um ministério para tentar furar a fila e conseguir logo um convênio e garantir obras no seu município era o deputado federal."
E foi justamente nessa esteira que foram eleitas figuras como os ex-presidentes da Câmara Severino Cavalcanti, Eduardo Cunha, Artur Lira e, mais recentemente, Hugo Motta.
"A partir do Eduardo Cunha, você vê uma estruturação do baixo clero comandando a Câmara, com essa sede de dinheiro que vai desembocar nas emendas parlamentares, abocanhando praticamente todo o recurso de investimento, e emenda parlamentar não tem a ver com custeio. Então, você vê uma ascensão dos deputados federais como verdadeiros príncipes da República, enquanto o Senado vinha fazendo frente a muitas das loucuras aprovadas na Câmara", complementa. Mas, nos últimos anos, o Senado tem perdido essa característica, avalia.
'Fundo eleitoral será a grande moeda de troca'
Em meio às estratégias eleitorais de cada partido, também há um elemento crucial que pode alterar o cenário político: a janela de transferência partidária, um período de 30 dias que permite que parlamentares troquem de sigla sem perda de mandato, geralmente entre março e abril. E a principal moeda de troca para manutenção dos senadores é justamente o fundo partidário, aponta Ricci.
"A bancada bolsonarista no Senado passou a ser a primeira bancada em número de senadores muito recentemente, porque iniciou a atual legislatura como a segunda bancada. Na mudança de cadeiras, houve essa alteração de posicionamento. O que a gente começou a ver agora é que o PSD reagiu. Mesmo sem a janela, a bancada do PSD está crescendo e a do PL está diminuindo. Então, o que a gente precisa ter claro é que PSD e PL são duas bancadas que estão disputando nomes, puxando daqui ou dali", finaliza.
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