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Acordo militar entre Grécia, Chipre e Israel mira conter a expansão da Turquia, avalia analista
Acordo militar entre Grécia, Chipre e Israel mira conter a expansão da Turquia, avalia analista
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Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analista aponta que para Grécia e Chipre, se unir a Israel é visto como um risco menor do que serem "recolonizados"... 29.01.2026, Sputnik Brasil
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Israel, Grécia e Chipre assinaram, em dezembro de 2025, um plano trilateral de cooperação militar que inclui diálogos estratégicos e exercícios e treinamentos conjuntos. A parceria, aparentemente improvável, tem como pano de fundo disputas por energia e segurança na região do Mediterrâneo Oriental, que vê com preocupação a ascensão geopolítica da Turquia.É o que explica Dominique Marques, professora de relações internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil.Após a descoberta, nos anos 2000, de vastas reservas de gás em seu território, a Turquia recupera forças em seu projeto de soberania energética. Com a garantia de sua autossuficiência energética, Ancara ascende no cenário global como uma nação maculada pelas cicatrizes do que teve de suportar em sua reorganização após o fim do Império Otomano.Foi nesse momento de retomada de soberania que o atual presidente, Recep Tayyip Erdogan, ganhou força como voz oposta à ocidentalização da Turquia, estratégia traçada pelo primeiro presidente do país, Mustafa Kemal (1923-1938). Em meio a isso, ele posiciona navios de guerra para escoltar perfurações de gás no Mediterrâneo, criando um ambiente de insegurança.Nesse contexto, Grécia e Chipre expressam certo temor de uma possível recolonização por parte da Turquia. Ambos os países faziam parte do antigo território do Império Otomano, tendo conquistado suas independências graças ao financiamento de Londres, que buscava garantir sua influência na região que conecta Ocidente e Oriente.A Turquia teve, inclusive, um momento de tensão com o Chipre em 1974, quando forças turcas desembarcaram na ilha após um golpe de Estado apoiado pela Grécia.A parceria trilateral com IsraelNesse contexto, surge a colaboração de ambos os países com Israel, uma vez que mesmo que a Grécia tenha respaldo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e o Chipre estar nessa zona de influência grega, a Turquia também faz parte da aliança, sendo poderosa o suficiente dentro dela para saber que é indispensável.Por outro lado, diz a analista, Israel tem interesse em integrar o acordo por estar isolado geopoliticamente por conta das ações contra a Palestina. "Por mais que Benjamin Netanyahu [premiê isralense] pareça que não está nem aí, Israel está ficando isolado."Ela considera que para Chipre e Grécia é arriscado se associar a Israel, mas que eles preferem assumir esse risco a serem dominados pela Turquia.
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Acordo militar entre Grécia, Chipre e Israel mira conter a expansão da Turquia, avalia analista
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Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analista aponta que para Grécia e Chipre, se unir a Israel é visto como um risco menor do que serem "recolonizados" pela Turquia.
Israel, Grécia e Chipre assinaram, em dezembro de 2025, um plano trilateral de cooperação militar que inclui diálogos estratégicos e exercícios e treinamentos conjuntos. A parceria, aparentemente improvável, tem como pano de fundo disputas por energia e segurança na região do Mediterrâneo Oriental, que vê com preocupação a ascensão geopolítica da Turquia.
É o que explica Dominique Marques, professora de relações internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil.
Após a descoberta, nos anos 2000, de vastas reservas de gás em seu território, a Turquia recupera forças em seu projeto de soberania energética. Com a garantia de sua autossuficiência energética,
Ancara ascende no cenário global como uma
nação maculada pelas cicatrizes do que teve de suportar em sua reorganização após o fim do Império Otomano.
"Todo aquele peso, aquela potência e, de repente, o império se esfacela. Reduzem o território da Turquia e esse novo país que fica submetido aos interesses do Ocidente, enquanto tenta fazer parte do bloco europeu. Aí você tem essa Turquia que está alinhada com o Ocidente, que não sabe muito como agir."
Foi nesse momento de retomada de soberania que o atual presidente, Recep Tayyip Erdogan, ganhou força
como voz oposta à ocidentalização da Turquia, estratégia traçada pelo primeiro presidente do país, Mustafa Kemal (1923-1938). Em meio a isso, ele posiciona navios de guerra para escoltar perfurações de gás no Mediterrâneo,
criando um ambiente de insegurança.
Nesse contexto,
Grécia e Chipre expressam certo temor de uma possível recolonização por parte da Turquia. Ambos os países faziam parte do antigo território do Império Otomano, tendo conquistado suas independências graças ao financiamento de Londres, que buscava garantir sua influência na região
que conecta Ocidente e Oriente.
A Turquia teve, inclusive, um momento de tensão com o Chipre em 1974, quando forças turcas desembarcaram na ilha após um golpe de Estado apoiado pela Grécia.
"E aí a Turquia invade dizendo assim: 'Olha, como é que vão ficar os interesses dos turcos cipriotas?'"
A parceria trilateral com Israel
Nesse contexto, surge a colaboração de ambos os países com Israel, uma vez que mesmo que a Grécia tenha respaldo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e o Chipre estar nessa zona de influência grega, a Turquia também faz parte da aliança, sendo poderosa o suficiente dentro dela para saber que é indispensável.
"Como eles não podem contar somente com a OTAN, eles pensam assim: 'Eu vou pegar uma parceria que nesse momento aqui está super contra a Turquia, mesmo que não seja uma das maiores forças militares'."
Por outro lado, diz a analista, Israel tem interesse em integrar o acordo por estar isolado geopoliticamente por conta das ações contra a Palestina. "Por mais que Benjamin Netanyahu [premiê isralense] pareça que não está nem aí, Israel está ficando isolado."
Ela considera que para Chipre e Grécia é arriscado se associar a Israel, mas que eles preferem assumir esse risco a serem dominados pela Turquia.
"Não dominados, assim, de ter uma invasão e a Turquia, de fato, ocupar esses territórios, porque não vai acontecer. Mas em termos de eles perderem toda a capacidade de crescimento com essas explorações de gás da Turquia."
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