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Como uma 'OPEP do Lítio' influenciaria uma hegemonia política mundial?
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Sputnik Brasil
Diferente do petróleo, uma coordenação internacional voltada ao lítio enfrentaria alguns entraves legislativos e tecnológicos, embora trouxesse um potencial... 05.02.2026, Sputnik Brasil
2026-02-05T12:40-0300
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O avanço acelerado da eletrificação no transporte e o aumento do consumo de baterias de íon de lítio colocaram o minério no centro de uma nova disputa estratégica global. Nesse cenário, cresce a atenção internacional sobre quem controla as maiores reservas e como esses países podem transformar recursos naturais em poder econômico e político. É nesse contexto que volta à pauta a hipótese de uma "OPEP do lítio": uma articulação entre grandes produtores para coordenar produção, preços e exportações, em moldes semelhantes à Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Na teoria, países como o Chile, a Bolívia e Argentina — que integram o chamado "triângulo do lítio" — e a Austrália, um dos maiores fornecedores globais, teriam peso suficiente para influenciar o mercado se atuassem de forma conjunta.Na prática, porém, a proposta levanta dúvidas sobre viabilidade, já que o lítio possui dinâmicas distintas do petróleo, com cadeias mais fragmentadas, diferentes métodos de extração e maior presença de empresas privadas e contratos de longo prazo. Ainda assim, a simples possibilidade de coordenação internacional já é suficiente para gerar repercussões econômicas e geopolíticas.Ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, Mario Tito Almeida, professor de relações internacionais da Universidade Federal do Pará (UFPA) diz ver entraves para a formação de um grupo voltado a esse ativo estratégico.O principal desafiam seriam as leis de exploração de cada país, explica o professor, já que países como Austrália e Argentina diferem em suas legislações sobre o assunto, o que dificulta a organização dos países na formação do cartel. Sobretudo, as características distintas entre o lítio e o petróleo – o primeiro central para transição energética e, o outro, um combustível fóssil ainda dominante – tornam improvável, neste momento, que um grupo consiga coordenar a oferta e controle de preços no padrão OPEP, segundo o professor.Almeida destaca também que é ter grandes reservas de lítio não é o suficiente para formar um mercado, já que é preciso viabilizar exploração do minério e, assim, consolidar presença no mercado internacional. Por isso, o professor vê como difícil surgir um "OPEP do lítio", embora acredita que seja viável no médio e longo prazo.Caso se forme, porém, uma eventual "OPEP do lítio" teria que levar em conta outros fatores para além da geopolítica, como interesses de corporações transnacionais, muitas vezes as detentoras da tecnologia necessária para a exploração do mineral, que nem sempre estão alinhadas com interesses nacionais.Ao mesmo tempo, os países da América do Sul, que somados possuem cerca de 70% das reserva de lítio do mundo, possuem de fato alto poder de barganha para dominarem o setor. O ganho, diz, não seria apenas econômico, mas de grande influência política.Segundo Marcos Baroncini Proença, doutor em engenharia mecânica pela Unicamp e rofessor da Escola Superior Politécnica da Uninter, um grande incentivo para a criação do grupo seria a redução da volatização do mercado.Isso não só traria maior previsibilidade ao setor, como também traria a possibilidade de se investir no beneficiamento do minério. "Mas aí temos um problema: a Austrália". O país já atua fortemente no refino do lítio, logo não teria interesse em se unir a países que basicamente só mineram.Além disso, o professor vê que alinhamentos ideológicos estão se tornando cada vez mais relevantes. Um exemplo é a Argentina de Javier Milei, que provavelmente não aderiria a uma OPEP do Lítio. Outros presidentes recém-eleitos do grupo sul-americano, como o boliviano Rodrigo Paz e o chileno Antonio Kast, também alinhados com Washington, não demonstraram tanta submissão assim à Casa Branca, mas ainda assim, é difícil prever o que fariam.Além disso, ele também alerta que os primeiros efeitos de uma coordenação internacional voltada ao lítio seriam sentidos de forma imediata no preço da commodity, elevando em cascata os custos de toda cadeia ligada à transição energética. "Por exemplo, veículos elétricos, mas afetaria também a comunicação com os celulares, tudo que envolve a bateria de lítio, que hoje é a melhor opção do mercado pela velocidade de recarga."O professor avalia que essa alta poderia pressionar a inflação e tornar carros elétricos e híbridos mais caros do que veículos a combustão, estimulando, por razões de mercado, uma retomada da extração de petróleo e a busca por alternativas como motores flex.Ainda assim, ele pondera que o impacto inicial tenderia a ser amortecido com o tempo, já que grandes compradores e países que dominam o beneficiamento e a tecnologia — como China e Austrália — possuem mecanismos para conter a escalada de preços.
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Como uma 'OPEP do Lítio' influenciaria uma hegemonia política mundial?
12:40 05.02.2026 (atualizado: 18:11 05.02.2026) Especiais
Diferente do petróleo, uma coordenação internacional voltada ao lítio enfrentaria alguns entraves legislativos e tecnológicos, embora trouxesse um potencial retorno econômico alto e influência geopolítica na transição energética.
O avanço acelerado da eletrificação no transporte e o aumento do consumo de baterias de íon de lítio colocaram o minério no centro de uma nova disputa estratégica global. Nesse cenário, cresce a atenção internacional sobre quem controla as maiores reservas e como esses países podem transformar recursos naturais em poder econômico e político.
É nesse contexto que volta à pauta a hipótese de uma
"OPEP do lítio": uma articulação entre grandes produtores para
coordenar produção, preços e exportações, em moldes semelhantes à Organização dos Países Exportadores de Petróleo.
Na teoria, países como o Chile, a Bolívia e Argentina — que integram o chamado "triângulo do lítio" — e a Austrália, um dos maiores fornecedores globais, teriam peso suficiente para influenciar o mercado se atuassem de forma conjunta.
Na prática, porém, a proposta levanta dúvidas sobre viabilidade, já que o lítio possui dinâmicas distintas do petróleo, com cadeias mais fragmentadas, diferentes métodos de extração e maior presença de empresas privadas e contratos de longo prazo. Ainda assim, a simples possibilidade de coordenação internacional já é suficiente para gerar repercussões econômicas e geopolíticas.
Ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, Mario Tito Almeida, professor de relações internacionais da Universidade Federal do Pará (UFPA) diz ver entraves para a formação de um grupo voltado a esse ativo estratégico.
O principal desafiam seriam as leis de exploração de cada país, explica o professor, já que países como Austrália e Argentina diferem em suas legislações sobre o assunto, o que dificulta a organização dos países na formação do cartel.
"Veja que a própria OPEP demorou um pouco a pegar exatamente por conta da diferença", pontua Almeida. "Mas o petróleo, sendo um item estratégico, acabou sendo um facilitador."
Sobretudo, as características distintas entre o lítio e o petróleo – o primeiro central para transição energética e, o outro, um combustível fóssil ainda dominante –
tornam improvável, neste momento,
que um grupo consiga coordenar a oferta e controle de preços no padrão OPEP, segundo o professor.
Almeida destaca também que é ter grandes reservas de lítio não é o suficiente para formar um mercado, já que é preciso viabilizar exploração do minério e, assim, consolidar presença no mercado internacional. Por isso, o professor vê como difícil surgir um "OPEP do lítio", embora acredita que seja viável no médio e longo prazo.
Caso se forme, porém, uma eventual "OPEP do lítio" teria que levar em conta outros fatores para além da geopolítica, como interesses de corporações transnacionais, muitas vezes as detentoras da tecnologia necessária para a exploração do mineral, que nem sempre estão alinhadas com interesses nacionais.
Ao mesmo tempo, os países da América do Sul, que somados possuem cerca de 70% das reserva de lítio do mundo, possuem de fato alto poder de barganha para dominarem o setor. O ganho, diz, não seria apenas econômico, mas de grande influência política.
"Não se pode ser uma hegemonia política sem antes ser uma hegemonia econômica. Nesse sentido, é de grande interesse dos grandes países hegemônicos controlar a dinâmica econômica."
Segundo Marcos Baroncini Proença, doutor em engenharia mecânica pela Unicamp e rofessor da Escola Superior Politécnica da Uninter, um grande incentivo para a criação do grupo seria a redução da volatização do mercado.
Isso não só traria maior previsibilidade ao setor, como também traria a possibilidade de se investir no beneficiamento do minério. "Mas aí temos um problema: a Austrália". O país já atua fortemente no refino do lítio, logo não teria interesse em se unir a países que basicamente só mineram.
Além disso, o professor vê que alinhamentos ideológicos estão se tornando cada vez mais relevantes. Um exemplo é a Argentina de Javier Milei, que provavelmente não aderiria a uma OPEP do Lítio.
Outros presidentes recém-eleitos do grupo sul-americano, como o boliviano Rodrigo Paz e o chileno Antonio Kast, também alinhados com Washington, não demonstraram tanta submissão assim à Casa Branca, mas ainda assim, é difícil prever o que fariam.

22 de fevereiro 2024, 14:58
Além disso, ele também alerta que os primeiros efeitos de uma coordenação internacional voltada ao lítio seriam sentidos de forma imediata no preço da commodity, elevando em cascata os custos de toda cadeia ligada
à transição energética. "Por exemplo, veículos elétricos, mas afetaria também a comunicação com os celulares, tudo que envolve a bateria de lítio, que hoje é a melhor opção do mercado pela velocidade de recarga."
O professor avalia que essa alta poderia pressionar a inflação e tornar carros elétricos e híbridos mais caros do que veículos a combustão, estimulando, por razões de mercado, uma retomada da extração de petróleo e a busca por alternativas como motores flex.
Ainda assim, ele pondera que o impacto inicial tenderia a ser amortecido com o tempo, já que grandes compradores e países que dominam o beneficiamento e a tecnologia —
como China e Austrália — possuem mecanismos para conter a escalada de preços.
"Então, a longo prazo, faria com que esse preço novamente caísse bastante, gerando até uma dissolução do próprio cartel, que não seria mais viável."
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