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Brasil quer protagonismo em terras raras, não aderir à aliança dos EUA em 2º plano, avalia analista
Brasil quer protagonismo em terras raras, não aderir à aliança dos EUA em 2º plano, avalia analista
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Em entrevista à Sputnik Brasil, analista diz que o Brasil entende que as terras raras representam no século XXI algo similar ao que o petróleo foi no século... 11.02.2026, Sputnik Brasil
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Em busca de combater a dominância da China no setor de terras raras, os EUA querem criar uma coalizão para garantir acesso e definir preços dos minerais críticos. Mais de 50 países foram convidados a compor a aliança.O governo brasileiro, convidado para a empreitada, enviou para a reunião sobre o tema em Washington somente um diplomata de baixo escalão para acompanhar as discussões.A proposta norte-americana ilustra que o mundo está diante de uma nova fase no tabuleiro do xadrez da geopolítica energética, conforme aponta, em entrevista à Sputnik Brasil, Luis Rutledge, analista de geopolítica energética da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro do Conselho Consultivo do Observatório do Mundo Islâmico e membro do Centro de Estudos das Relações Internacionais (CERES).Rutledge afirma que a aliança é uma tentativa de Washington de proteger indústrias norte-americanas e garantir uma segurança favorável das cadeias de suprimentos, em um contexto que a China controla cerca de 70% da produção mundial de elementos de terras raras e por volta de 90% de seu processamento global. Essa vantagem, aponta o analista, é usada por Pequim como "alavanca" na guerra comercial com Washington."No último ano, a China voltou a demonstrar sua capacidade de influência estratégica ao endurecer controles sobre minerais críticos — especialmente terras raras — em meio à escalada da guerra comercial com os Estados Unidos. As medidas ampliaram a percepção de que esses recursos se tornaram instrumentos centrais de poder geoeconômico."Diante disso, a coalizão proposta pelos EUA teria o mesmo objetivo da Reserva Estratégica de Petróleo Bruto, estoque que os países mantêm para casos de interrupção no fornecimento.O que o Brasil teria a ganhar participando da aliança?Dono da segunda maior reserva de terras raras do mundo, o Brasil ainda não deu uma resposta formal ao convite para integrar a coalizão de Washington, embora analistas apontem que a decisão de enviar um diplomata de baixo escalão sinaliza uma recusa do governo à empreitada.Atualmente, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se empenha em posicionar o Brasil como uma das lideranças em processamento de minerais críticos. Diante disso, Rutledge avalia que não faz sentido o país aceitar compor a aliança norte-americana, na qual o Brasil não apenas ficaria em segundo plano, mas também dependente."Ainda mais, o Brasil se posiciona de forma semelhante à que produtores de petróleo ocuparam no século XX — com capacidade potencial de influenciar cadeias industriais inteiras. O pleno controle de nossas riquezas minerais é fundamental para as próximas décadas de crescimento da transição energética e gradual diminuição de fontes fósseis", afirma.Ele enfatiza que nos últimos anos EUA e União Europeia (UE) intensificaram os esforços para firmar acordos com o Brasil "devido às suas vastas reservas, consideradas essenciais para a transição energética e a autonomia tecnológica".Essa medida, avalia o analista, é tomada tendo em vista a nova corrida global desencadeada pelas terras raras, que passaram de uma questão técnica para uma ferramenta geoeconômica, que desempenha um papel fundamental na remodelação do equilíbrio de poder entre Washington e Pequim, à medida que EUA e Europa buscam reduzir a dependência dos suprimentos chineses.Para Rutledge, assim como na cadeia da indústria do petróleo, "qualquer interrupção no fluxo desses metais pode agravar as pressões inflacionárias globalmente", podendo ocasionar instabilidade nas cadeias de suprimentos industriais das quais depende toda a economia global.
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Brasil quer protagonismo em terras raras, não aderir à aliança dos EUA em 2º plano, avalia analista
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Em entrevista à Sputnik Brasil, analista diz que o Brasil entende que as terras raras representam no século XXI algo similar ao que o petróleo foi no século XX, por isso busca o controle sobre suas riquezas minerais em vez de se colocar como dependente de outras potências.
Em busca de combater a dominância da China no setor de terras raras,
os EUA querem criar uma coalizão para garantir acesso e definir preços dos minerais críticos. Mais de 50 países
foram convidados a compor a aliança.
O governo brasileiro, convidado para a empreitada, enviou para a reunião sobre o tema em Washington somente um diplomata de baixo escalão para acompanhar as discussões.
A proposta norte-americana ilustra que o mundo está diante de uma nova fase no tabuleiro do xadrez da geopolítica energética, conforme aponta, em entrevista à Sputnik Brasil, Luis Rutledge, analista de geopolítica energética da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro do Conselho Consultivo do Observatório do Mundo Islâmico e membro do Centro de Estudos das Relações Internacionais (CERES).
"Os EUA pretendem construir um estoque estratégico de elementos de terras raras e ter o controle dos minerais raros, com o objetivo de limitar a capacidade da China de usar seu domínio para produzir esses elementos difíceis de processar", explica o analista.
Rutledge afirma que a aliança é uma tentativa de Washington de
proteger indústrias norte-americanas e garantir uma segurança favorável das cadeias de suprimentos, em um contexto que
a China controla cerca de 70% da produção mundial de elementos de terras raras e por volta de 90% de seu processamento global. Essa vantagem, aponta o analista, é usada por Pequim como "alavanca" na guerra comercial com Washington.
"No último ano, a China voltou a demonstrar sua capacidade de influência estratégica ao endurecer controles sobre minerais críticos — especialmente terras raras — em meio à escalada da guerra comercial com os Estados Unidos. As medidas ampliaram a percepção de que esses recursos se tornaram instrumentos centrais de poder geoeconômico."
Diante disso, a coalizão proposta pelos EUA teria o mesmo objetivo da Reserva Estratégica de Petróleo Bruto, estoque que os países mantêm para casos de interrupção no fornecimento.
"Em termos geopolíticos, a transição energética que envolve as reservas e processamento de minerais críticos equivale ao que o petróleo representou no século XX: uma capacidade estrutural de influenciar decisões estratégicas de outros Estados."
O que o Brasil teria a ganhar participando da aliança?
Dono da segunda maior reserva de terras raras do mundo, o Brasil ainda não deu uma resposta formal ao convite para integrar a coalizão de Washington, embora analistas apontem que a decisão de enviar um diplomata de baixo escalão sinaliza uma recusa do governo à empreitada.
Atualmente, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se empenha em posicionar o Brasil como uma das lideranças em processamento de minerais críticos. Diante disso, Rutledge avalia que
não faz sentido o país aceitar compor a aliança norte-americana, na qual o Brasil não apenas
ficaria em segundo plano, mas também dependente.

18 de dezembro 2025, 13:04
"Ainda mais, o Brasil se posiciona de forma semelhante à que produtores de petróleo ocuparam no século XX — com capacidade potencial de influenciar cadeias industriais inteiras. O pleno controle de nossas riquezas minerais é fundamental para as próximas décadas de crescimento da transição energética e gradual diminuição de fontes fósseis", afirma.
Ele enfatiza que nos últimos anos EUA e União Europeia (UE) intensificaram os esforços para firmar acordos com o Brasil "devido às suas vastas reservas, consideradas essenciais para a transição energética e a autonomia tecnológica".
"Porém, o governo brasileiro entende a urgência de políticas para tratar esses recursos como tema de soberania nacional, buscando reduzir a exportação de matéria-prima e ampliar o processamento interno."
Essa medida, avalia o analista, é tomada tendo em vista a nova corrida global desencadeada pelas terras raras, que passaram de uma questão técnica para uma ferramenta geoeconômica, que desempenha um papel fundamental na remodelação do equilíbrio de poder entre Washington e Pequim, à medida que EUA e Europa buscam reduzir a dependência dos suprimentos chineses.
Para Rutledge, assim como na cadeia da indústria do petróleo, "qualquer interrupção no fluxo desses metais pode agravar as pressões inflacionárias globalmente", podendo ocasionar instabilidade nas cadeias de suprimentos industriais das quais depende toda a economia global.
"O petróleo moldou a geopolítica do século XX, por outro lado, os minerais críticos caminham para desempenhar papel semelhante no século XXI — não necessariamente substituindo o petróleo, mas criando uma nova camada de competição estrutural entre as grandes potências", conclui o analista.
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