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Pressão de Trump e divisões domésticas: Canadá corre risco de avanço separatista?
Pressão de Trump e divisões domésticas: Canadá corre risco de avanço separatista?
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No início do mês, a mídia norte-americana revelou que funcionários do Departamento de Estado tiveram pelo menos três reuniões com líderes separatistas da... 12.02.2026, Sputnik Brasil
2026-02-12T18:10-0300
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Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, a Casa Branca tem travado uma verdadeira batalha contra o vizinho Canadá: depois de sugerir que o país se torne o 51º estado norte-americano, Trump voltou a ameaçar Ottawa com a imposição de tarifa de 100% sobre a importação de todos os produtos canadenses.E no episódio mais recente das tensões entre esses aliados históricos, Trump ameaçou na última quarta-feira (11) impedir a abertura da Ponte Internacional Gordie Howe, uma estrutura de 2,4 km que conecta a Detroit (EUA) à Windsor (CA). "Não permitirei que esta ponte seja aberta até que os Estados Unidos sejam totalmente compensados por tudo que demos a eles e, também, importante, o Canadá trate os Estados Unidos com a justiça e respeito que merecemos", disse na ocasião, enquanto o governo do Canadá declarou que a ponte de quase US$ 4 bilhões foi pagada totalmente com recursos próprios.Aliado a isso, a mídia norte-americana revelou no início de abril que autoridades do Departamento de Estado se reuniram pelo menos três vezes ao longo do ano passado com integrantes do Projeto de Prosperidade de Alberta, um grupo que defende a independência da província canadense. A professora de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Denilde Oliveira Holzhacker, explica ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, que Alberta é uma das regiões canadenses onde conservadorismo é mais dominante. Enquanto isso, acrescenta a especialista, o governo central do Canadá, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney, tem perfil mais progressista e preocupado com as questões ambientais. Para Holzhacker, as provocações de Trump têm mobilizado as bases conservadoras do Canadá, como de Alberta, para questionar as opções políticas adotadas por Carney.Assim como em diversas partes do mundo, a especialista também cita o fenômeno da polarização na política canadense, como fator que contribui para o debate. "Esse movimento em Alberta, com questionamentos cada vez mais frequentes ao governo canadense, já vinha durante o período anterior [do ex-primeiro-ministro Justin Trudeau, que renunciou em 2025 após ocupar o cargo por quase 13 anos] e agora no atual."Outro ponto citado pela especialista é que, por concentrar uma das principais atividades econômicas do país, parte da população de Alberta tem uma percepção de tratamento "injusto" diante do que a província produz. "Há uma diferenciação também sobre o tratamento dos recursos ambientais. Isso tem sido um caldeirão de divergências internas e posições entre conservadores e liberais".Há viabilidade para Alberta se tornar independente?Apesar da retomada das discussões separatistas na província canadense, a especialista cita dificuldades jurídicas para concretizar a independência. Segundo ela, além de perder políticas de financiamento ligadas ao governo central do Canadá, mesmo com a forte atividade econômica, seriam necessários um grande montante de recursos para criar a própria estrutura administrativa.Além disso, Holzhacker ressalta que o Canadá integra a Commonwealth, associação de países que mantêm vínculos com a monarquia britânica, tendo o rei Charles III como chefe de Estado em caráter simbólico. Nesse contexto, uma eventual ruptura também envolveria a posição do monarca."É algo simbólico, mas há uma função importante [do rei] na garantia da unidade nacional. Qualquer decisão de desmembramento ou cisão no país passa pela monarquia. Se isso não foi conquistado em Quebec após dois referendos, acredito que também será difícil no caso de Alberta", analisa.Economia de Alberta e ciclos do preço do petróleoJá o professor de geopolítica das energia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcelo Simas, pontua ao Mundioka que o Canadá é o quarto maior produtor de petróleo do mundo, além do quinto principal exportador. Como a extração petrolífera se encontra praticamente toda na província de Alberta, a região é totalmente afetada pelos ciclos de preço do combustível.Quando o valor está alto — o que é necessário para a produção do Canadá ser viável — há forte geração de renda, emprego e investimentos. Já em um ciclo de baixa, é o contrário, com diminuição da atividade econômica.Algo característico da região, no entanto, pode prejudicá-la em caso de secessão. Alberta não tem saía para o mar e, em caso de independência, teria seu escoamento de petróleo prejudicado. É um problema similar ao enfrentado por países como Paraguai e Bolívia, disse Simas."Então, Alberta depende de gasodutos que vão sair na Colúmbia Britânica [província vizinha] e também estruturas até a costa leste do Canadá. Isso seria bastante complicado e teria que negociar", conclui.Diferenças culturais no Canadá x colonização europeiaPor fim, a professora Denilde Oliveira também cita um traço histórico do Canadá, marcado pelas diferenças culturais trazidas pela influência da colonização francesa, de um lado, e a britânica do outro. Tanto que essa diversidade levou a um movimento na década de 1990, o separatismo em Quebec que, após superado, ajudou a valorizar o "multiculturalismo", inclusive entre conservadores.Porém, com o passar dos anos, houve uma integração maior dos povos originários do Canadá nas políticas de Estado, além de imigrantes de várias partes do mundo, o que trouxe impactos. "Esse multiculturalismo era valorizado quando vinha da discussão sobre a origem europeia, mas começou a gerar mais atritos à medida em que você teve que incorporar outros grupos. Acho que o Canadá reflete também o que temos visto em outros países com o mesmo questionamento, com dificuldades de assimilar a presença de outros grupos, gerando as atuais polarizações."
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Pressão de Trump e divisões domésticas: Canadá corre risco de avanço separatista?
18:10 12.02.2026 (atualizado: 19:30 12.02.2026) Especiais
No início do mês, a mídia norte-americana revelou que funcionários do Departamento de Estado tiveram pelo menos três reuniões com líderes separatistas da província de Alberta. Além de pedir apoio de Trump ao movimento de independência, o grupo tentou viabilizar uma linha de crédito de US$ 500 bilhões (R$ 2,6 trilhões) para apoiar a "transição".
Desde o início do
segundo mandato de Donald Trump, a Casa Branca tem travado uma verdadeira batalha contra o vizinho Canadá: depois de sugerir que o país se torne o 51º estado norte-americano, Trump voltou a ameaçar Ottawa com a imposição de
tarifa de 100% sobre a importação de todos os produtos canadenses.
E no episódio mais recente das tensões entre esses aliados históricos, Trump ameaçou na última quarta-feira (11) impedir a abertura da Ponte Internacional Gordie Howe, uma estrutura de 2,4 km que conecta a Detroit (EUA) à Windsor (CA).
"Não permitirei que esta ponte seja aberta até que os Estados Unidos sejam totalmente compensados por tudo que demos a eles e, também, importante, o Canadá trate os Estados Unidos com a justiça e respeito que merecemos", disse na ocasião, enquanto o governo do Canadá declarou que a ponte de quase US$ 4 bilhões foi pagada totalmente com recursos próprios.
Aliado a isso, a mídia norte-americana revelou no início de abril que autoridades do Departamento de Estado se reuniram pelo menos três vezes ao longo do ano passado com integrantes do
Projeto de Prosperidade de Alberta, um grupo que defende a
independência da província canadense. Com cerca de cinco milhões de habitantes, o território fica na porção oeste do país e é responsável por quase 85% da produção petrolífera canadense. No ano passado, a primeira-ministra da província, Danielle Smith, chegou a anunciar que os moradores poderiam votar em um referendo local se apoiariam a separação. Além disso, Smith chegou a visitar a mansão de Trump em Mar-a-Lago.
A professora de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Denilde Oliveira Holzhacker, explica ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, que Alberta é uma das regiões canadenses onde conservadorismo é mais dominante.
Enquanto isso, acrescenta a especialista, o governo central do Canadá, liderado pelo
primeiro-ministro Mark Carney, tem perfil mais progressista e preocupado com as questões ambientais. Para Holzhacker, as provocações de Trump têm
mobilizado as bases conservadoras do Canadá, como de Alberta, para questionar as opções políticas adotadas por Carney.
"No Canadá, as províncias exercem atuação bastante independente e autônoma em diversas áreas em relação ao governo central. Então acabam assumindo maior autonomia em determinados campos, inclusive nas relações externas, na busca por parcerias, no diálogo com outros países e também na gestão de recursos ambientais e energéticos."
Assim como em diversas partes do mundo, a especialista também cita o fenômeno da polarização na política canadense, como fator que contribui para o debate. "Esse movimento em Alberta, com questionamentos cada vez mais frequentes ao governo canadense, já vinha durante o período anterior [do ex-primeiro-ministro Justin Trudeau, que renunciou em 2025 após ocupar o cargo por quase 13 anos] e agora no atual."
Outro ponto citado pela especialista é que, por concentrar uma das principais atividades econômicas do país, parte da população de Alberta tem uma percepção de tratamento "injusto" diante do que a província produz. "Há uma diferenciação também sobre o tratamento dos recursos ambientais. Isso tem sido um caldeirão de divergências internas e posições entre conservadores e liberais".
Há viabilidade para Alberta se tornar independente?
Apesar da retomada das discussões separatistas na província canadense, a especialista cita dificuldades jurídicas para concretizar a independência. Segundo ela, além de perder políticas de financiamento ligadas ao
governo central do Canadá, mesmo com a forte atividade econômica, seriam necessários um grande montante de recursos para criar a própria estrutura administrativa.
"Tem várias coisas, como acesso à água, que é sempre uma questão discutida no Canadá, rede elétrica, Banco Central, sem falar em Exército e da capacidade militar, que é federal", resume.
Além disso, Holzhacker ressalta que o Canadá integra a Commonwealth, associação de países que mantêm vínculos com a monarquia britânica, tendo o rei Charles III como chefe de Estado em caráter simbólico. Nesse contexto, uma eventual ruptura também envolveria a posição do monarca.
"É algo simbólico, mas há uma função importante [do rei] na garantia da unidade nacional. Qualquer decisão de desmembramento ou cisão no país passa pela monarquia. Se isso não foi conquistado em Quebec após dois referendos, acredito que também será difícil no caso de Alberta", analisa.

6 de setembro 2025, 10:10
Economia de Alberta e ciclos do preço do petróleo
Já o professor de geopolítica das energia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
Marcelo Simas, pontua ao Mundioka que o Canadá é o
quarto maior produtor de petróleo do mundo, além do quinto principal exportador. Como a extração petrolífera se encontra praticamente toda na província de Alberta, a região é totalmente afetada pelos ciclos de preço do combustível.
Quando o valor está alto — o que é necessário para a produção do Canadá ser viável — há forte geração de renda, emprego e investimentos. Já em um ciclo de baixa, é o contrário, com diminuição da atividade econômica.
"Existe um sentimento de que eles contribuem mais do que as demais províncias."
Algo característico da região, no entanto, pode prejudicá-la em caso de secessão. Alberta não tem saía para o mar e, em caso de independência, teria seu escoamento de petróleo prejudicado. É um problema similar ao enfrentado por países como Paraguai e Bolívia, disse Simas.
"Então, Alberta depende de gasodutos que vão sair na Colúmbia Britânica [província vizinha] e também estruturas até a costa leste do Canadá. Isso seria bastante complicado e teria que negociar", conclui.

30 de janeiro 2025, 19:50
Diferenças culturais no Canadá x colonização europeia
Por fim, a professora Denilde Oliveira também cita um
traço histórico do Canadá, marcado pelas diferenças culturais trazidas pela influência da colonização francesa, de um lado, e a britânica do outro. Tanto que essa diversidade levou a um movimento na década de 1990, o separatismo em Quebec que, após superado, ajudou a valorizar o "multiculturalismo", inclusive entre conservadores.
Porém, com o passar dos anos, houve uma integração maior dos povos originários do Canadá nas políticas de Estado, além de imigrantes de várias partes do mundo, o que trouxe impactos. "Esse multiculturalismo era valorizado quando vinha da discussão sobre a origem europeia, mas começou a gerar mais atritos à medida em que você teve que incorporar outros grupos. Acho que o Canadá reflete também o que temos visto em outros países com o mesmo questionamento, com dificuldades de assimilar a presença de outros grupos, gerando as atuais polarizações."
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