Mídia: tensão EUA-Irã eleva petróleo e reacende temor de bloqueio no estratégico estreito de Ormuz

© AP Photo / Fars News Agency / Mahdi Marizad
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A escalada das tensões entre EUA e Irã elevou o petróleo ao maior nível em seis meses e reacendeu temores de interrupções no abastecimento global, diante do risco de ataques militares e de um possível bloqueio iraniano ao estreito de Ormuz, rota vital para as exportações de energia do Oriente Médio.
O medo de que qualquer escalada no Oriente Médio envolvendo um possível ataque dos EUA ao Irã já se reflete no mercado de petróleo, impulsionando seu preço ao nível mais alto em seis meses. Isto se refere à possibilidade de interrupções na produção iraniana ou do bloqueio de rotas estratégicas de exportação por Teerã. Operadores do mercado acompanham de perto cada movimento, atentos ao risco de descontinuidade no fluxo global de energia.
Os EUA mobilizaram amplo poder militar na região, enquanto o presidente Donald Trump avalia um ataque limitado ao Irã para pressionar por um acordo que restrinja o programa nuclear iraniano. Qualquer ofensiva — ou uma eventual tentativa iraniana de restringir o acesso ao estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quarto do petróleo transportado por mar — teria impacto imediato nos mercados globais.
A indústria petrolífera iraniana, embora menos influente do que no passado, ainda desempenha papel relevante. O país responde por cerca de 3% da oferta mundial, com produção em torno de 3,3 milhões de barris por dia. No auge, nos anos 1970, o Irã chegou a fornecer mais de 10% do petróleo global, posição que perdeu após a Revolução de 1979 e a expulsão de empresas estrangeiras.
O setor ensaiou recuperação após a Guerra Irã-Iraque, mas voltou a sofrer com as sanções reimpostas em 2018, quando o governo Trump abandonou o acordo nuclear. Hoje, o Irã é apenas o quarto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), atrás de Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos, e opera sob forte limitação de investimentos externos.
De acordo com a Bloomberg, com as sanções, a China se tornou praticamente o único grande comprador do petróleo iraniano, absorvendo cerca de 90% das exportações. Em janeiro, esses fluxos chegaram a 1,25 milhão de barris por dia, bem acima do volume registrado no ano anterior.
Uma interrupção significativa na produção iraniana obrigaria refinarias chinesas a buscar fornecedores alternativos, mas o maior risco para o mercado global está no estreito de Ormuz. A passagem, vital para o fluxo de petróleo de países como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos, movimenta cerca de 16,5 milhões de barris por dia e já foi alvo de ameaças iranianas em momentos de tensão.
Embora alguns países tenham rotas alternativas — como oleodutos que desviam parte da produção para o mar Vermelho ou o golfo de Omã — um bloqueio total do estreito provocaria forte choque de oferta, especialmente para a Ásia. Episódios recentes de tensão já demonstraram a sensibilidade do mercado, com disparada nas taxas de frete de superpetroleiros, segundo a apuração.
O petróleo continua sendo um pilar da economia iraniana, contribuindo com cerca de dois pontos percentuais para o crescimento do produto interno bruto (PIB) em 2023. Mesmo vendendo com grandes descontos, o país arrecadou cerca de US$ 2,7 bilhões (cerca de R$ 13,09 bilhões) apenas em novembro.
No entanto, essa receita pode ser pressionada caso a campanha de "pressão máxima" dos EUA afaste compradores chineses ou force o Irã a competir com o petróleo russo, também vendido a preços reduzidos.



