Especialista alerta: guerra no Irã pode desencadear catástrofe ambiental no golfo

© AP Photo / Vahid Salemi
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O golfo Pérsico corre risco de uma catástrofe ambiental caso a guerra contra o Irã se intensifique, alerta o especialista dr. Jihad Noun à Sputnik, que vê possibilidade de danos duradouros aos ecossistemas marinhos, ao ar e aos recursos naturais, com impactos globais que podem persistir por gerações.
A escalada da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã pode desencadear uma crise ambiental sem precedentes no golfo Pérsico, segundo o especialista em meio ambiente dr. Jihad Noun, professor da Universidade Libanesa. Ele afirma que conflitos dessa magnitude sempre trazem "poluição e pressão sobre diversos recursos ambientais".
Em entrevista à Sputnik, Noun destacou que a expansão das operações militares aumenta o risco de contaminação em larga escala. Segundo ele, "vastas áreas marítimas podem ser poluídas, especialmente em uma região repleta de poços petrolíferos e navios‑tanque que abastecem o mundo".
Para o especialista, os danos ambientais podem ser profundos e de difícil reversão. Ele afirma que "os efeitos podem se estender por décadas", atingindo desde o plâncton — base da cadeia alimentar marinha — até organismos maiores, plantas costeiras e animais que dependem da saúde dos ecossistemas aquáticos.
Noun também chama atenção para a poluição atmosférica causada pela queima de poços de petróleo, que pode contaminar águas subterrâneas por meio da chuva ácida. Ele ressalta que a extensão dos danos dependerá da escala das operações militares, podendo ultrapassar fronteiras e atingir países distantes por correntes marítimas e atmosféricas.
Outro risco grave envolve ataques a instalações militares que contenham metais pesados, como chumbo, mercúrio e arsênio. Esses elementos podem se espalhar pelo solo e pelo ar, infiltrando-se em aquíferos e áreas agrícolas. Em casos envolvendo materiais radioativos, o impacto seria "global e permanente", segundo o especialista.
As refinarias de petróleo do golfo também representam um ponto crítico. Noun explica que danos a essas estruturas poderiam gerar escassez de derivados, aumento de preços e maior dependência de fontes alternativas de energia mais poluentes, como a lenha, agravando a degradação ambiental e pressionando ainda mais os recursos naturais.
Além disso, a região pode sofrer com poluição diária decorrente de explosões e partículas finas que permanecem no ar por longos períodos. Compostos de enxofre podem retornar ao solo como chuva ácida, enquanto a mistura de umidade costeira com fumaça favorece a formação de smog e de ozônio troposférico, prejudicial à saúde humana e aos ecossistemas.
Noun conclui que o cenário exige mais do que uma revisão das doutrinas de segurança, lembrando que instalações estratégicas têm sempre dupla utilização — civil e militar — e que seus danos podem gerar consequências ambientais e humanitárias de longo alcance.



