Investigações comerciais de Trump ampliam ofensiva tarifária dos EUA contra parceiros, diz mídia

© AP Photo / Mark Schiefelbein
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Os EUA abriram novas investigações comerciais contra parceiros como UE, Japão e Coreia do Sul para tentar reconstruir sua barreira tarifária após a Suprema Corte derrubar tarifas anteriores, enquanto o governo Trump busca justificar novas elevações antes que a tarifa provisória de 10% expire em 150 dias.
Os Estados Unidos abriram novas investigações comerciais contra vários parceiros — entre eles União Europeia (UE), Japão e Coreia do Sul — em um movimento que acompanha o esforço do presidente Donald Trump para reconstruir sua barreira tarifária após a Suprema Corte ter invalidado parte das tarifas impostas anteriormente.
O foco das novas apurações, segundo o Financial Times, é o que Washington classifica como "excesso de capacidade e produção" em setores industriais de diversos países.
A iniciativa surge em um momento em que o governo tenta restabelecer tarifas mais altas antes que expire, em 150 dias, a tarifa provisória de 10% aplicada após a decisão da Suprema Corte. Muitos dos países agora visados têm acordos comerciais com os EUA que fixam tarifas superiores a esse patamar, o que abre espaço para que Washington tente restabelecer níveis mais elevados por meio de novas justificativas legais.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o objetivo é concluir as investigações antes do fim da tarifa provisória. Ele declarou que a política comercial do governo continua centrada na proteção de empregos norte-americanos e na busca pelo que classificou como "comércio justo", ainda que as ferramentas utilizadas possam mudar. Greer também disse que os parceiros comerciais demonstraram interesse em manter os acordos firmados recentemente.
A decisão da UE de adiar a ratificação de seu acordo comercial com Washington, após a decisão da Suprema Corte, adicionou tensão ao cenário. O bloco havia concordado em reduzir tarifas sobre produtos industriais e agrícolas americanos a zero, em troca de uma tarifa ampla de 15% imposta pelos EUA — taxa que agora foi substituída por uma tarifa de 10%, aplicada adicionalmente às tarifas já existentes.
As relações transatlânticas já vinham fragilizadas desde o início do ano, quando Trump ameaçou impor tarifas a países europeus caso não apoiassem sua intenção de adquirir a Groenlândia. Questionado sobre o risco de as novas investigações agravarem o clima, Greer criticou a UE, afirmando que o bloco não cumpriu compromissos assumidos no chamado Acordo de Turnberry, enquanto os EUA teriam ajustado suas tarifas rapidamente conforme o combinado.
Greer anunciou ainda que uma segunda investigação, desta vez sobre práticas de trabalho forçado, será lançada na próxima semana e abrangerá mais de 60 países, com outras apurações futuras previstas sobre serviços digitais e preços de medicamentos.
As investigações ocorrem às vésperas de novas negociações comerciais entre autoridades norte-americanas e chinesas, que antecedem um encontro entre Trump e o presidente Xi Jinping em abril.
Além da UE, a lista de países alvo das investigações inclui China, Singapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Bangladesh, México, Japão e Índia.



