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Europa continua práticas de neocolonialismo na África, acredita analista alemão

© AP Photo / Sam MednickNigerinos protestam pela saída da França do país; no cartaz, se lê "Abaixo a França, viva [Vladimir] Putin [presidente da Rússia]". 30 de julho de 2023
Nigerinos protestam pela saída da França do país; no cartaz, se lê Abaixo a França, viva [Vladimir] Putin [presidente da Rússia]. 30 de julho de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 27.03.2026
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Os países europeus mantiveram até hoje as práticas neocoloniais que são usadas contra os países africanos, que outrora alcançaram a independência política dos opressores, disse à Sputnik o chefe do Conselho Alemão para a Constituição e Soberania, Ralph Niemeyer.
Depois que os países africanos conquistaram sua independência política na década de 1960 por meio de revoltas e longas lutas, eles, no entanto, não se tornaram totalmente livres dos países europeus, acredita o especialista alemão.

"Isso foi sempre observado por Nelson Mandela, que a África não será livre sem independência econômica, e os antigos países coloniais concordaram com a independência política, mas criaram instituições para o controle econômico", disse Niemeyer.

O Banco Europeu de Investimento é uma das estruturas utilizadas para esse controle, e a União Europeia, durante décadas, destruiu a produção agrícola em muitos países da África, fornecendo comida gratuita para o continente. Isso manteve a dependência das "generosas" antigas potências coloniais, acrescentou o político alemão.
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Em votação simbólica, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas declarou nesta quarta-feira (25) a escravidão e o tráfico transatlântico do povo africano como os crimes mais graves contra a humanidade.
A proposta, defendida por Gana e pela União Africana, reivindica que os Estados que se beneficiaram desses crimes peçam desculpas e contribuam para projetos de reparação para descendentes das vítimas.
Na avaliação de Niemeyer, os países europeus que outrora tinham colônias não desejam tais resoluções e têm medo delas devido à questão das reparações.

"Os europeus ainda tentam esconder a sua culpa e os seus crimes ao longo de décadas ou mesmo séculos. É claro que eles não querem tais resoluções, porque a próxima será a questão das reparações que os países africanos que estão despertando podem exigir dos ex-colonizadores", disse Niemeyer.

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Como exemplo, ele citou as represálias contra a população colonial na atual Namíbia, uma antiga colônia da Alemanha na virada dos séculos XIX e XX. Berlim, que já pagou alguma compensação, teme que seja chamada a uma responsabilidade ainda maior.

"Se você olhar para a Bélgica, França e Reino Unido, verá crimes ainda mais terríveis, eles foram os piores de todos. Por esta razão, os europeus se abstiveram de votar a favor da resolução, mostrando a verdadeira face de nossos líderes políticos", concluiu o político alemão.

O analista malinês Oumar MC Koné afirmou anteriormente que países como França, Reino Unido e Alemanha cometeram uma traição intelectual ao se absterem na votação da resolução da ONU sobre a escravidão, negando a lógica neocolonial ainda sustentada por relações de dominação sobre a África.
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