Aposta arriscada: ultimato de Trump isola EUA e aumenta chance de conflito prolongado, diz mídia
06:13 07.04.2026 (atualizado: 08:37 07.04.2026)

© AP Photo / Julia Demaree Nikhinson
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Às vésperas do prazo do ultimato dos EUA, Donald Trump voltou a ameaçar o Irã, dizendo que o país poderia ser "eliminado em uma noite" caso não aceite as exigências norte-americanas. Apesar do tom agressivo e de acenos a negociações, Teerã rejeita ceder e mantém desconfiança após ataques anteriores.
O presidente norte-americano afirmou que o Irã poderia ser "eliminado em uma noite" caso não aceitasse as exigências de Washington até o prazo desta terça-feira (7), embora também tenha mencionado tentativas de negociação. Até agora, porém, não há sinais de que Teerã esteja disposto a ceder.
Trump endureceu o discurso ao prometer destruir usinas elétricas e pontes iranianas, ignorando críticas de que tais ações poderiam configurar crimes de guerra. Ainda assim, disse acreditar que existe um interlocutor disposto a negociar no Irã e que espera evitar ataques diretos à infraestrutura do país. O ultimato inclui a reabertura do estreito de Ormuz, cuja importância estratégica tem sido central no conflito.
Durante a coletiva, Trump também criticou aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) por não contribuírem para a segurança do estreito, chamando a aliança de "tigre de papel".
Do lado iraniano, autoridades reiteram que não vão aceitar o ultimato sem garantias de que não serão atacadas novamente. O chefe da missão iraniana no Cairo afirmou que Teerã perdeu a confiança no governo Trump após bombardeios anteriores durante negociações.
Para analistas consultados pelo Global Times, diante da pressão, Washington alterna entre escalada e recuos táticos, tornando imprevisível o próximo movimento caso o acordo fracasse.
Falando à apuração, especialistas avaliaram que o Irã dificilmente fará concessões significativas, enquanto os EUA enfrentam limitações para alterar a sua posição. O envolvimento de Israel adiciona complexidade ao cenário: o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem pressionado Trump a não aceitar um cessar-fogo, temendo riscos estratégicos. Trump, por sua vez, insiste que só considerará uma trégua se o Irã entregar todo o urânio enriquecido e abandonar o programa nuclear.
A divergência entre os objetivos estratégicos de Washington e Tel Aviv sugere que os EUA podem estar sendo influenciados pela agenda israelense, aproximando o conflito de uma dinâmica de guerra por procuração. Essa dependência pode obscurecer os interesses norte-americanos, aumentar o risco de escalada e dificultar qualquer tentativa de desescalada, segundo analistas chineses citados pela mídia.
Com o prazo se esgotando e o Irã rejeitando tanto o ultimato quanto um cessar-fogo temporário, Trump se vê em uma posição delicada. Caso não haja acordo, ele pode estender o prazo novamente — algo que já fez três vezes em semanas recentes — prolongando ainda mais o conflito e tornando o desfecho ainda mais incerto.


