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'No Brasil, o neonazismo na música surge no subúrbio de São Paulo', diz antropólogo (VÍDEOS)
'No Brasil, o neonazismo na música surge no subúrbio de São Paulo', diz antropólogo (VÍDEOS)
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O White Power, movimento supremacista branco de inclinação neonazista, além dos discursos políticos, também está inserido em segmentos culturais como a música... 17.04.2026, Sputnik Brasil
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Nesse contexto, o historiador e antropólogo Alexandre de Almeida, em entrevista à Sputnik Brasil, explica que a banda Locomotiva foi a primeira com inclinação nazifascista, surgiu em Mauá, cidade da Região Metropolitana de São Paulo, cujo nome remete ao imaginário do estado paulista ser o responsável pelo desenvolvimento brasileiro.Esse grupo desponta na época da ditadura militar brasileira, época em que havia muita repressão, desigualdade social e, em paralelo, um cenário cultural marginal na década de 1980, onde começava a surgir fanzines, publicações feitas a partir de xerox, que vinham do exterior sobre skinheads.No cenário brasileiro, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) submeteu, em 2024, um relatório à Organização das Nações Unidas (ONU) alertando a respeito da expansão de grupos neonazistas no país.Segundo Almeida, autor da obra "Os mitos políticos do poder branco paulista (1988–1992)", a maior incidência dessa subcultura ocorre em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, regiões que mais receberam a imigração europeia. Dessa forma, a música é percebida como meio de mobilização.Música como ferramenta metapolíticaO pesquisador, que integra o Observatório da Extrema Direita (OED) no Brasil, enfatiza que o uso da projeção musical, entre outras manifestações artísticas, são elementos que compõem a batalha cultural e que esse expediente sempre foi utilizado, inclusive pela Alemanha nazista.Assim como na cena brasileira, o antropólogo fez pesquisa de campo na Itália, onde conheceu um grupo de rap neonazista. Apesar de o estilo ter origem na cultura negra, o analista enfatiza que na batalha cultural não há distinção de gêneros, já que todos podem servir ao propósito de propaganda extremista e, nessa diversificação, pode ter alcance maior em diversos públicos.IA intensifica batalha culturalCom o avanço da inteligência artificial (IA), a música acaba sendo composta por autores que não são músicos ou sequer têm experiência em banda. Almeida observa que esse fenômeno se torna um braço relevante para a propagação rápida de canções neonazistas no ambiente virtual.Na disputa por narrativas, o mercado cultural é uma plataforma eficaz por conseguir aglutinar pessoas de grupos sociais distintos que se tornam fãs de determinado segmento da indústria do entretenimento e que, a depender do caso, podem ser influenciadas também na esfera política.
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A música é uma ferramenta metapolítica que mobiliza pessoas, comenta especialista
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A Inteligência Artificial intensifica a batalha cultural na propaganda extremista musical, diz analista
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'No Brasil, o neonazismo na música surge no subúrbio de São Paulo', diz antropólogo (VÍDEOS)
12:45 17.04.2026 (atualizado: 13:21 17.04.2026) Especiais
O White Power, movimento supremacista branco de inclinação neonazista, além dos discursos políticos, também está inserido em segmentos culturais como a música para propagar ideias extremistas, a fim de conquistar corações e mentes.
Nesse contexto, o historiador e antropólogo Alexandre de Almeida, em entrevista à Sputnik Brasil, explica que a banda Locomotiva foi a primeira com inclinação nazifascista, surgiu em Mauá, cidade da Região Metropolitana de São Paulo, cujo nome remete ao imaginário do estado paulista ser o responsável pelo desenvolvimento brasileiro.
"Essa banda Locomotiva não chegou a gravar um disco, mas fez muito sucesso porque fundou a ideia de música neonazista no Brasil. Eles tinham canções como 'Sangue e Raça', que retrata o paulista como um elemento genético, ou seja, paulista não seria quem nasceu [em São Paulo], mas sim quem teria o sangue paulista", disse.
Esse grupo desponta na época da ditadura militar brasileira, época em que havia muita repressão, desigualdade social e, em paralelo, um cenário cultural marginal na década de 1980, onde começava a surgir fanzines, publicações feitas a partir de xerox, que vinham do exterior sobre skinheads.
"Os jovens que defenderam a supremacia branca nos anos 80 não são os do Itaim Bibi, bairro de luxo de São Paulo, e sim do Itaim Paulista, superperiférico. Esse jovem cresce em ambiente hostil e se comunica com pessoas e bandas de fora sobre o universo cultural europeu e americano, onde receberam as primeiras informações sobre a cultura skinhead", contextualiza.
No cenário brasileiro, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) submeteu, em 2024, um relatório à Organização das Nações Unidas (ONU) alertando a respeito da expansão de grupos neonazistas no país.
Segundo Almeida, autor da obra "Os mitos políticos do poder branco paulista (1988–1992)", a maior incidência dessa subcultura ocorre em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,
regiões que mais receberam a imigração europeia. Dessa forma, a música é percebida como meio de mobilização.
"O White Power tem um objetivo, que é implantar o nazismo aqui no Brasil, especialmente em São Paulo e nos três estados do Sul. A partir daí, eles também começam a perceber a música como um instrumento que mobiliza os seus congêneres, os seus iguais em outros lugares do mundo, e começam a formar bandas", comenta.
Música como ferramenta metapolítica
O pesquisador, que integra o Observatório da Extrema Direita (OED) no Brasil, enfatiza que
o uso da projeção musical, entre outras manifestações artísticas,
são elementos que compõem a batalha cultural e que esse expediente sempre foi utilizado, inclusive pela Alemanha nazista.
"Além de política, existe a cultura. Foi preciso um processo de nazificação na sociedade alemã para que o partido [nazista] chegasse ao poder. Isso se chama metapolítica, ou seja, primeiro se conquista o coração e a mente; posteriormente, conquista o voto. O nazismo, o fascismo e o integralismo no Brasil fizeram isso", disserta.
Assim como na cena brasileira, o antropólogo fez pesquisa de campo na Itália, onde conheceu um grupo de rap neonazista. Apesar de o estilo ter origem na cultura negra, o analista enfatiza que na batalha cultural não há distinção de gêneros, já que todos podem servir ao propósito de propaganda extremista e, nessa diversificação, pode ter alcance maior em diversos públicos.
"Eu fiz pesquisa de campo em Roma, Nápoles e Milão e vi grupos de rap fascista. Eles falaram que cresceram ouvindo e entendem que precisam transmitir a mensagem da melhor forma possível. E eu perguntei se eles conheciam bandas brasileiras como Racionais MC. Eles não conheciam, mostrei o som e, apesar de um grupo negro, eles disseram curtir o som", destaca.

11 de dezembro 2025, 21:15
IA intensifica batalha cultural
Com o avanço da inteligência artificial (IA), a música acaba sendo composta por autores que não são músicos ou sequer têm experiência em banda. Almeida observa que esse fenômeno se torna um braço relevante para a propagação rápida de canções neonazistas no ambiente virtual.
"Tem um pessoal que faz a letra no ChatGPT e depois utiliza um aplicativo com diversos estilos para musicalizar a letra feita pelo prompt. Uma vez a música pronta, usa-se ferramentas para criar videoclipes. Então, hoje em dia, essas ferramentas são usadas para adensar o espaço digital com o máximo possível de propaganda", conclui.
Na disputa por narrativas, o mercado cultural é uma plataforma eficaz por conseguir aglutinar pessoas de grupos sociais distintos que se tornam fãs de determinado segmento da indústria do entretenimento
e que, a depender do caso, podem ser influenciadas também na esfera política.
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