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Declaração do embaixador dos EUA na Argentina pressionam Milei a se afastar da China, dizem analistas
Declaração do embaixador dos EUA na Argentina pressionam Milei a se afastar da China, dizem analistas
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Pequim "é um sistema controlado por um governo comunista, que usa esse controle para manejar a informação e as pessoas". 21.04.2026, Sputnik Brasil
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Com essa declaração, o embaixador dos Estados Unidos na Argentina, Peter Lamelas, voltou a a tensionar o vínculo entre Buenos Aires e a China. Em entrevista concedida ao jornal argentino El Tribuno, Lamelas afirmou que a Casa Branca observa com preocupação os vínculos da América Latina com Pequim e acrescentou que "os chineses são concorrência e têm outros interesses, outros valores".Pequim expressou seu "forte descontentamento e firme rejeição" às declarações do diplomata que classificou de "repletas de preconceitos ideológicos" e por "incitar a confrontação".Em comunicado divulgado por sua embaixada na Argentina, o governo Pequim afirmou que Lamelas "atacou e difamou deliberadamente a cooperação entre China e Argentina" provocou Washington a fazer "algo concreto" pelo desenvolvimento argentino, em vez de exagerar a "ameaça chinesa".A delegação diplomática chinesa afirmou que as declarações do futuro embaixador refletem "uma mentalidade de soma zero da Guerra Fria" e hipócrita e lembrou que cerca de 73 mil empresas americanas operam na China e que muitas estão ampliando seus investimentos.O episódio se soma a uma série de declarações anteriores de Lamelas, que antes de assumir havia prometido percorrer as províncias argentinas para “vigiar que não façam acordos com os chineses”, ao considerar que esses vínculos poderiam levar à corrupção. Uma disputa regional no tabuleiro globalDe acordo com o analista internacional Tadeo Casteglione, a declaração de Lamelas "é uma clara ingerência da Casa Branca na política doméstica da Argentina, em meio ao recuo de Washington no continente americano"Ao aproveitar a forte afinidade do presidente argentino Javier Milei com o governo estadunidense de Donald Trump, as declarações buscam afastar trocas e parcerias comerciais do país sul-americano com a o gigante asiático, ressaltou.Em entrevista à Sputnik, ele frisou que a política de "linha dura do governo Trump" também é visível no Comando Sul dos EUA e em outras decisões recentes de segurança.Casteglione sustentou que "o comunicado da embaixada da China defende seu país, mas também o comércio bilateral".O governo de Javier Milei, avaliou "tem uma contradição interna porque precisa escolher entre salvaguardar a economia argentina apostando nas relações com a China ou aceitar certas pressões de Washington contra seu principal parceiro comercial”.A encurralada diplomáticaJá o analista internacional Ezequiel Magnani destacou que o episódio deve ser interpretado a partir de um dado prévio.Lamelas, segundo ele, percorre o país e as províncias, que têm alto nível de autonomia, para ser bastante incisivo em relação ao papel da China, de maneira "hostil e ofensiva em relação a Pequim, e também à Argentina". Embora o episódio não tenha impacto concreto, visa restringir a capacidade de ação dos países latino-americanos e "enviar uma mensagem à China" sobre os limites que Washington pretende impor.Na sua avaliação, Washington aproveita o contexto político argentino para avançar com essa mensagem, em que a Argentina "se autolimita em política externa de maneira totalmente gratuita, já que se apega apenas a um ator e permite retóricas ofensivas em relação a outro Estado muito importante".Essa conduta, acrescentou, "não traz nenhum benefício claro e, sim, custos bastante significativos" para o país em termos estratégicos.Sobre a reação de Pequim, Magnani afirmou que "a China joga com paciência" e "dá sinais de descontentamento e tensiona a relação", ciente de que "isso é temporário e que o caso argentino é particular". Enquanto isso, explicou, "coopera com outros países da região" e espera, enquanto a Argentina "se alinha com um único ator e perde oportunidades com os demais".
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Declaração do embaixador dos EUA na Argentina pressionam Milei a se afastar da China, dizem analistas
Pequim "é um sistema controlado por um governo comunista, que usa esse controle para manejar a informação e as pessoas".
Com essa declaração, o embaixador dos Estados Unidos na Argentina, Peter Lamelas, voltou a a tensionar o vínculo entre Buenos Aires e a China.
Em entrevista concedida ao jornal argentino El Tribuno, Lamelas afirmou que a Casa Branca observa com preocupação os vínculos da América Latina com Pequim e acrescentou que "os chineses são concorrência e têm outros interesses, outros valores".
Pequim expressou seu "
forte descontentamento e firme rejeição" às declarações do diplomata que classificou de "repletas de preconceitos ideológicos" e por "
incitar a confrontação".
Em comunicado divulgado por sua embaixada na Argentina, o governo Pequim afirmou que Lamelas "atacou e difamou deliberadamente a cooperação entre China e Argentina" provocou Washington a fazer "algo concreto" pelo desenvolvimento argentino, em vez de exagerar a "ameaça chinesa".
A delegação diplomática chinesa afirmou que as declarações do futuro embaixador refletem "uma mentalidade de soma zero da Guerra Fria" e hipócrita e lembrou que cerca de 73 mil empresas americanas operam na China e que muitas estão ampliando seus investimentos.
O episódio se soma a uma série de declarações anteriores de Lamelas, que antes de assumir havia prometido percorrer as províncias argentinas para “vigiar que não façam acordos com os chineses”, ao considerar que esses vínculos poderiam levar à corrupção.
Uma disputa regional no tabuleiro global
De acordo com o analista internacional Tadeo Casteglione, a declaração de Lamelas "é uma clara ingerência da Casa Branca na política doméstica da Argentina, em meio ao recuo de Washington no continente americano"
Ao aproveitar a forte afinidade do presidente argentino Javier Milei com o governo estadunidense de Donald Trump, as declarações buscam afastar trocas e parcerias comerciais do país sul-americano com a o gigante asiático, ressaltou.
Em entrevista à Sputnik, ele frisou que a política de "linha dura do governo Trump" também é visível no
Comando Sul dos EUA e em outras decisões recentes de segurança.
Casteglione sustentou que "o comunicado da embaixada da China defende seu país, mas também o comércio bilateral".
O governo de Javier Milei, avaliou "tem uma contradição interna porque precisa escolher entre salvaguardar a economia argentina apostando nas relações com a China ou aceitar certas pressões de Washington contra seu principal parceiro comercial”.
A encurralada diplomática
Já o analista internacional Ezequiel Magnani destacou que o episódio deve ser interpretado a partir de um dado prévio.
“Washington sabe que sua atuação com as províncias argentinas ocorre no contexto de um governo nacional fortemente alinhado aos Estados Unidos”, portanto o embaixador “sabe que tem o respaldo inclusive da administração argentina para dizer o que diz”, afirmou em entrevista à Sputnik.
Lamelas, segundo ele, percorre o país e as províncias, que têm alto nível de autonomia, para ser bastante incisivo em relação ao papel da China, de maneira "hostil e ofensiva em relação a Pequim, e também à Argentina".
Embora o episódio não tenha impacto concreto, visa restringir a capacidade de ação dos países latino-americanos e "enviar uma mensagem à China" sobre os limites que Washington pretende impor.
Na sua avaliação, Washington
aproveita o contexto político argentino para avançar com essa mensagem, em que a Argentina "se autolimita em política externa de maneira totalmente gratuita, já que
se apega apenas a um ator e permite retóricas ofensivas em relação a outro Estado muito importante".
Essa conduta, acrescentou, "não traz nenhum benefício claro e, sim, custos bastante significativos" para o país em termos estratégicos.
Sobre a reação de Pequim, Magnani afirmou que "a China joga com paciência" e "dá sinais de descontentamento e tensiona a relação", ciente de que "isso é temporário e que o caso argentino é particular".
Enquanto isso, explicou, "coopera com outros países da região" e espera, enquanto a Argentina "se alinha com um único ator e perde oportunidades com os demais".
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