Rover da NASA detecta diversidade inédita de moléculas orgânicas e reforça busca por vida em Marte

© Foto / NASA/JPL-Caltech/MSSS
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O rover Curiosity, da NASA, identificou em Marte uma variedade inédita de moléculas orgânicas — incluindo compostos considerados fundamentais para a origem da vida na Terra — graças a um experimento químico jamais realizado em outro planeta. A descoberta ocorreu na cratera Gale, região que pode ter abrigado condições favoráveis à vida antiga.
O instrumento Análise de Amostras em Marte (SAM, na sigla em inglês), responsável por analisar amostras marcianas, utilizou pela primeira vez o reagente hidróxido de tetrametilamônio (TMAH) para liberar e detectar compostos orgânicos preservados em arenitos ricos em argila. Entre eles estão moléculas contendo nitrogênio e enxofre, semelhantes às que ajudaram a impulsionar a vida terrestre, embora ainda não seja possível determinar se têm origem biológica ou geológica.
O estudo, liderado por Amy Williams, da Universidade da Flórida, confirma mais de 20 moléculas orgânicas preservadas em rochas de 3,5 bilhões de anos. A diversidade química encontrada sugere que parte da matéria orgânica resistiu à diagênese e à intensa radiação marciana ao longo de bilhões de anos.

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Esta imagem em close-up mostra os três furos de perfuração feitos pelo rover Curiosity da NASA em Marte, na localização "Mary Anning".

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A Mastcam (câmera de mastro) do rover Curiosity da NASA em Marte capturou esse mosaico enquanto explorava a "unidade rica em argila" em 2019.
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Esta imagem em close-up mostra os três furos de perfuração feitos pelo rover Curiosity da NASA em Marte, na localização "Mary Anning".
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A Mastcam (câmera de mastro) do rover Curiosity da NASA em Marte capturou esse mosaico enquanto explorava a "unidade rica em argila" em 2019.
Segundo Williams, análises com equipamentos sobressalentes do SAM reforçaram que os compostos detectados derivam de carbono macromolecular mais complexo, preservado no subsolo marciano. A caracterização contínua dessa matéria orgânica é vista como central para avaliar a habitabilidade passada do planeta.
A pesquisa destaca que, após uma década de avanços, a exploração marciana evoluiu da simples busca por moléculas orgânicas para a identificação de compostos nativos, permitindo investigar se sua origem é externa — como poeira meteorítica — ou interna, produzida por processos abióticos ou biológicos.
Os resultados também se alinham às observações do rover Perseverance, que detectou compostos orgânicos cíclicos e carbono macromolecular com instrumentos diferentes. A convergência dos achados sugere que o carbono orgânico pode ser mais bem preservado em Marte do que se imaginava.
As conclusões reforçam que futuros experimentos de termoquimiólise podem revelar bioassinaturas antigas, caso existam. Missões como a do rover europeu Rosalind Franklin e da sonda Dragonfly, que levarão versões do experimento TMAH, devem se beneficiar diretamente dessas descobertas.
Para Williams, o fato de o carbono macromolecular permanecer preservado por longos períodos indica que moléculas maiores — possivelmente associadas à vida — podem sobreviver na superfície marciana. Isso orienta o desenvolvimento de instrumentos capazes de extrair e identificar esses compostos com maior precisão.
Segundo o portal Space, os cientistas afirmam que os novos resultados ampliam o catálogo de moléculas orgânicas confirmadas em Marte e fortalecem a evidência de que o planeta preserva registros químicos complexos, essenciais para futuras buscas por sinais de vida.


