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Crédito livre despenca com juros altos e bancos ampliam cautela ante endividamento recorde, diz mídia

© Marcello Casal Jr. / Agência BrasilSede do Banco Central do Brasil, no Setor Bancário Norte, em Brasília (DF)
Sede do Banco Central do Brasil, no Setor Bancário Norte, em Brasília (DF) - Sputnik Brasil, 1920, 25.04.2026
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Crédito livre caiu 8,1% entre janeiro e fevereiro, refletindo juros altos, cautela dos bancos e endividamento recorde das famílias. Com linhas tradicionais mais restritas e taxas médias chegando a 62%, consumidores migram para opções mais caras, elevando o risco de inadimplência e pressionando a atividade econômica.
O crédito livre concedido pelos bancos caiu 8,1% entre janeiro e fevereiro de 2026, recuando de R$ 331,9 bilhões para R$ 304,9 bilhões, segundo o Banco Central (BC) do Brasil. O movimento reforça a retração iniciada após dezembro de 2025, quando o volume havia atingido R$ 363,2 bilhões.
A redução reflete maior cautela das instituições financeiras diante da Selic em 14,75% e do avanço do endividamento das famílias. Com juros altos, o crédito fica mais caro, e os bancos passam a aprovar menos operações e a exigir garantias mais robustas.
Desde outubro, o comprometimento da renda familiar com dívidas se mantém próximo de um terço, enquanto a taxa média de juros dos recursos livres chegou a 62% em fevereiro, recorde histórico. O cenário acende alertas sobre a inadimplência.

Em entrevista ao Poder 360, a especialista Milene Dellatore afirmou que o sistema financeiro está sinalizando risco elevado, o que leva a spreads maiores e critérios mais rígidos. De acordo com ela, o ajuste é inevitável, mas ocorre de forma "dolorosa", com impacto direto sobre os consumidores.

O economista Bruno Imaizumi avaliou à imprensa que, embora a desaceleração ainda seja moderada, os bancos tendem a acompanhar o aperto monetário e a agir com mais prudência. Ele destacou ainda que há sinais de moderação nas linhas de crédito, em meio a um ambiente fiscal expansionista e monetário restritivo.
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Com a restrição, as famílias migram para alternativas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial. Para Imaizumi, o crédito às famílias cresce mais rápido do que o destinado às empresas, impulsionado pela dependência das linhas rotativas.
Esse movimento alimenta um ciclo de risco: os bancos restringem o crédito, as famílias se endividam mais, aumentam as chances de inadimplência e, em resposta, as instituições apertam ainda mais as condições. Para Dellatore, trata-se de um processo que tende a se retroalimentar.

A especialista alertou que a combinação de crédito em queda e endividamento elevado pode levar a uma desaceleração do consumo e da atividade econômica. Ela comparou o momento ao ciclo de 2015-2017, mas ressalta que o nível atual de endividamento é muito maior, o que pode tornar um eventual ajuste mais severo.

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