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Governo Lula enfrenta alerta do mercado com pacote econômico ampliado em ano eleitoral, diz mídia

© Rafa Neddermeyer/Agência BrasilPrédio do Ministério da Fazenda, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Brasil, 11 de novembro de 2023
Prédio do Ministério da Fazenda, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Brasil, 11 de novembro de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 27.04.2026
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O avanço de medidas econômicas em estudo ou já anunciadas pelo governo Lula reacendeu o alerta entre analistas e técnicos da área econômica, que veem risco de estímulos excessivos em ano eleitoral e impacto sobre inflação e juros, especialmente diante das incertezas provocadas pela guerra entre Estados Unidos e Irã.
A série de medidas econômicas anunciadas ou estudadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva reacendeu o alerta entre analistas e integrantes da equipe econômica. Nas últimas semanas, o governo desonerou o diesel, anunciou aporte de R$ 20 bilhões no Fundo Social para programas habitacionais e prepara um amplo pacote de renegociação de dívidas que pode movimentar mais de R$ 100 bilhões.
O pacote inclui liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), reforço a fundos garantidores de crédito, linhas especiais para motoristas de aplicativos, taxistas e caminhoneiros renovarem veículos e medidas voltadas ao setor de fertilizantes.

Segundo a Folha de S.Paulo, no entanto, a percepção de que essas ações podem impulsionar a demanda ocorre no momento em que o Boletim Focus já registra revisões para cima nas projeções de inflação e da taxa Selic para 2026 e 2027, refletindo maior incerteza.

Diante desse cenário, membros da equipe econômica têm sido orientados a reforçar ao mercado que as medidas não têm caráter eleitoral. Os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmam que o objetivo é aumentar o patrimônio das famílias e a produtividade, e não estimular o consumo.
Moretti sustenta que, se calibradas corretamente, as ações não prejudicam a política monetária, embora reconheça a necessidade de diálogo com o Banco Central e agentes econômicos.
José Guimarães, ministro das Relações Institucionais - Sputnik Brasil, 1920, 16.04.2026
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Ministro admite que Brasil pode ampliar dívida para conter efeitos da guerra no Irã sobre a economia
Nos bastidores, porém, técnicos do governo admitem preocupação com a possibilidade de que uma eventual queda de Lula nas pesquisas leve ao reforço do pacote, inclusive com mudanças no Bolsa Família — estratégia semelhante à adotada por Jair Bolsonaro em 2022. A fala do ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães, sobre estudar subsídio à gasolina, embora descartada depois, acendeu ainda mais o alerta.
A alternativa apresentada pelo governo — usar receitas extras do petróleo para reduzir tributos — gerou reação negativa no mercado.
Segundo a apuração, o temor é de que a combinação de medidas fiscais amplas e ambiente externo adverso pressione as taxas de juros futuras, justamente na semana em que o Copom se reúne para definir a Selic.
A preocupação não é exclusiva do Brasil: o Fundo Monetário Internacional (FMI) discutiu recentemente o impacto global de políticas fiscais adotadas para conter a alta do petróleo, alertando para o risco de desequilíbrios entre oferta e demanda quando governos tentam amortecer choques sem reduzir o consumo.
Economistas consultados pela reportagem apontam que o ciclo de "bondades" em ano eleitoral se repete, independentemente do governo. Bráulio Borges observa que, embora o Brasil se beneficie da alta do petróleo por ser exportador, o conjunto das medidas pode dificultar o trabalho do Banco Central e reduzir o espaço para cortes de juros, por exemplo.
Entre o setor financeiro, há posições distintas, mesmo com as medidas ainda sob análise e estudo por parte da Fazenda. A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) apoia as renegociações de dívidas e ressalta que não haverá "dinheiro novo" nessas operações. Já a Febraban afirma que o pacote não adiciona risco estrutural, mas deve ser avaliado pelo impacto sobre inflação e expectativas, além da forma de financiamento, destacou a publicação.
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