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Insumo transversal: como alta do petróleo impacta dinâmica inflacionária e eleição no Brasil
Insumo transversal: como alta do petróleo impacta dinâmica inflacionária e eleição no Brasil
Sputnik Brasil
Economistas ouvidos pela Sputnik Brasil apontam como alta no preço do barril de petróleo tem impacto não só na política monetária, mas na consciência do... 28.04.2026, Sputnik Brasil
2026-04-28T14:25-0300
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A guerra no Oriente Médio e o bloqueio no estreito de Ormuz, deflagrado em consequência, estão causando um grande impacto no mercado global de petróleo. Países já declararam estado de emergência pela falta do insumo energético e os piores impactos, preveem analistas, ainda deverão ser sentidos.Atualmente, o preço do barril de petróleo Brent opera em algo em torno de US$ 110 (cerca de R$ 550), um aumento de mais de 50% quando comparado à faixa de US$ 70 em que o barril se encontrava antes dos ataques norte-americanos e israelenses ao Irã.Nesse ambiente de inflação global, bancos centrais se deparam com um cenário desafiador e, justo hoje, dois grandes reguladores monetários farão sua reunião a respeito da definição da taxa de juros: o Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed, na sigla em inglês) e o Banco Central brasileiro.Nos Estados Unidos, o Fed deve manter sua taxa de juros na banda de 3,5% a 3,75%, onde está desde dezembro. Porém, há a possibilidade de aumentar a taxa caso a inflação acelere. Já no Brasil, a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a tendência de baixa de 0,25 pontos percentuais, de 14,75% para 14,5%. Isso significa que o BC mantém sua postura cautelosa de afrouxamento monetário.A situação, para além de afetar o cenário macroeconômico, também tem impacto político, uma vez que estamos em ano eleitoral no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fim de amortecer os efeitos do conflito no Irã na alta de combustíveis, estuda usar a alta nas receitas das exportações petrolíferas para desonerar a carga tributária sobre gasolina e etanol.Para viabilizar a medida, o governo pretende encaminhar ao Congresso um projeto que flexibiliza o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ação controversa especialmente em ano eleitoral.Ainda não há definição sobre o tamanho da redução dos tributos, nem é de conhecimento se haverá prorrogação das desonerações já aplicadas ao diesel e ao biodiesel. De acordo com estimativas, cada redução de R$ 0,10 nos impostos da gasolina representa um custo de aproximadamente R$ 404 milhões por mês. No caso do etanol, o impacto é menor, mas ainda significativo, em torno de R$ 165 milhões mensais para cada R$ 0,10 de corte.Consultado pela Sputnik Brasil, Mauro Rochlin, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), explica que o tema se tornou protagonista em todos os níveis decisórios, pois o peso do petróleo vai muito além do setor energético, já que se trata de um insumo transversal na economia.Já Maria Beatriz de Albuquerque David, economista e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pontua que, embora o país importe pouco petróleo, ainda há dependência externa na cadeia de refino, o que impede a autossuficiência completa.Ela ressalta ainda que um aumento nos combustíveis sempre impactará a economia brasileira por ela ser "muito dependente" do transporte terrestre.Sobretudo, a economista vê maior impacto nos fertilizantes, um insumo essencial para o agronegócio brasileiro e diretamente sensível às oscilações do petróleo e do cenário internacional. Embora o Brasil busque alternativas, como o fornecimento pelo mercado russo e a retomada da produção doméstica, os custos logísticos tendem a subir com a alta do petróleo, o que limita o alívio.Ela também chama atenção para o efeito sobre o comércio exterior brasileiro. Países árabes, envolvidos ou afetados pela crise, são importantes compradores de produtos agrícolas do Brasil, o que pode levar à redução nas exportações, especialmente de proteínas como o frango. De acordo com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), exportações para países árabes atingiram US$ 1,75 bilhão (cerca de R$ 8,73 bilhões) no primeiro semestre de 2025.Impacto na inflação do BrasilA inflação brasileira acelerou em abril, impulsionada principalmente pelos alimentos, em razão de fatores sazonais e dos efeitos da guerra no Oriente Médio, como o aumento dos combustíveis. O IPCA-15 subiu 0,89% no mês, elevando a taxa acumulada em 12 meses para 4,37%, próxima do teto da meta.Maria Beatriz avalia que o cenário externo tende a influenciar a atuação do Banco Central. Para ela, a tendência é de uma condução mais conservadora dos juros: "A queda pode parar ou ser mais lenta do que o esperado sem esse conflito". Para ela, o impacto dos combustíveis é disseminado e sensível politicamente. Rochlin, por sua vez, classificou que o comportamento do Brent se torna uma variável-chave na definição da política monetária. "O Copom, nas suas reuniões, se utiliza de várias ferramentas para definir o seu posicionamento […] ele olha não só o IPCA, mas também o núcleo da inflação e a chamada inflação de serviços", explica.Segundo ele, caso o cenário externo permaneça volátil, a tendência é de uma política monetária mais cautelosa, com risco de desaceleração mais intensa da economia brasileira.Rochlin também chama atenção para o papel do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos no comportamento do câmbio e da inflação, algo que será definido hoje a partir das reuniões do Fed e do BC."Quando a diferença entre as taxas de juros se acentua […], isso certamente atrai capital para o Brasil, o que faz com que o real se valorize", explica. Esse movimento ajuda a conter os preços, ao reduzir o custo de importados, e dar mais estabilidade às commodities.
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Insumo transversal: como alta do petróleo impacta dinâmica inflacionária e eleição no Brasil
14:25 28.04.2026 (atualizado: 15:30 28.04.2026) Especiais
Economistas ouvidos pela Sputnik Brasil apontam como alta no preço do barril de petróleo tem impacto não só na política monetária, mas na consciência do consumidor durante ano eleitoral brasileiro.
A guerra no Oriente Médio e o bloqueio no estreito de Ormuz, deflagrado em consequência, estão causando um grande impacto no mercado global de petróleo. Países já declararam estado de emergência pela falta do insumo energético e os piores impactos, preveem analistas,
ainda deverão ser sentidos.
Atualmente, o preço do barril de petróleo Brent opera em algo em torno de US$ 110 (cerca de R$ 550), um aumento de mais de 50% quando comparado à faixa de US$ 70 em que o barril se encontrava antes dos ataques norte-americanos e israelenses ao Irã.
Nesse ambiente de inflação global, bancos centrais se deparam com um cenário desafiador e, justo hoje, dois grandes reguladores monetários farão sua reunião a respeito da definição da taxa de juros: o Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed, na sigla em inglês) e o Banco Central brasileiro.
Nos Estados Unidos, o Fed deve manter sua taxa de juros na banda de 3,5% a 3,75%, onde está desde dezembro. Porém,
há a possibilidade de aumentar a taxa caso a inflação acelere. Já no Brasil, a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a
tendência de baixa de 0,25 pontos percentuais, de 14,75% para 14,5%. Isso significa que o BC mantém sua postura cautelosa de afrouxamento monetário.
A situação, para além de afetar o cenário macroeconômico, também tem
impacto político, uma vez que estamos em ano eleitoral no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fim de amortecer os efeitos do conflito no Irã na alta de combustíveis, estuda usar a alta nas receitas das exportações petrolíferas para
desonerar a carga tributária sobre gasolina e etanol.
Para viabilizar a medida, o governo pretende encaminhar ao Congresso um projeto que flexibiliza o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ação controversa especialmente em ano eleitoral.
Ainda não há definição sobre o tamanho da redução dos tributos, nem é de conhecimento se haverá prorrogação das desonerações já aplicadas ao diesel e ao biodiesel. De acordo com estimativas, cada redução de R$ 0,10 nos impostos da gasolina representa um custo de aproximadamente R$ 404 milhões por mês. No caso do etanol, o impacto é menor, mas ainda significativo, em torno de R$ 165 milhões mensais para cada R$ 0,10 de corte.
Consultado pela Sputnik Brasil, Mauro Rochlin, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), explica que o tema se tornou protagonista em todos os níveis decisórios, pois o peso do petróleo vai muito além do setor energético, já que se trata de um insumo transversal na economia.
"Como o petróleo é um insumo importante em várias cadeias produtivas […], o impacto da variação de preço tem rebatimento em vários serviços e produtos."
Já Maria Beatriz de Albuquerque David, economista e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pontua que, embora o país importe pouco petróleo, ainda há dependência externa na cadeia de refino, o que impede a autossuficiência completa.
"Nós não somos tão dependentes assim, porque importamos pouco e temos uma produção grande, mas não temos o tipo de refino para atender toda a demanda brasileira."
Ela ressalta ainda que um aumento nos combustíveis sempre impactará a economia brasileira por ela ser "muito dependente" do transporte terrestre.
Sobretudo, a economista vê
maior impacto nos fertilizantes, um insumo essencial para o
agronegócio brasileiro e diretamente sensível às oscilações do petróleo e do cenário internacional. Embora o Brasil busque alternativas, como o fornecimento pelo mercado russo e a retomada da produção doméstica,
os custos logísticos tendem a subir com a alta do petróleo, o que limita o alívio.
Ela também chama atenção para o efeito sobre o comércio exterior brasileiro. Países árabes, envolvidos ou afetados pela crise, são importantes compradores de produtos agrícolas do Brasil, o que pode levar à redução nas exportações, especialmente de proteínas como o frango. De acordo com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), exportações para países árabes atingiram US$ 1,75 bilhão (cerca de R$ 8,73 bilhões) no primeiro semestre de 2025.
Impacto na inflação do Brasil
A
inflação brasileira acelerou em abril, impulsionada principalmente pelos alimentos, em razão de fatores sazonais e dos efeitos da guerra no Oriente Médio, como o aumento dos combustíveis. O IPCA-15
subiu 0,89% no mês, elevando a taxa acumulada em
12 meses para 4,37%, próxima do teto da meta.
Maria Beatriz avalia que o cenário externo tende a influenciar a atuação do Banco Central. Para ela, a tendência é de uma condução mais conservadora dos juros: "A queda pode parar ou ser mais lenta do que o esperado sem esse conflito". Para ela, o impacto dos combustíveis é disseminado e sensível politicamente.
"Impacta todos os eleitores. Então, nenhum governador vai querer se posicionar contra medidas de alívio, porque isso também repercute diretamente na população."
Rochlin, por sua vez, classificou que o comportamento do Brent se torna uma variável-chave na definição da política monetária. "O Copom, nas suas reuniões, se utiliza de várias ferramentas para definir o seu posicionamento […] ele olha não só o IPCA, mas também o núcleo da inflação e a chamada inflação de serviços", explica.
"Difícil dizer se a inflação vai ser, de fato, controlada. Isso depende muito de como o preço do petróleo se comportar."
Segundo ele, caso o cenário externo permaneça volátil, a tendência é de uma política monetária mais cautelosa, com risco de desaceleração mais intensa da economia brasileira.
Rochlin também chama atenção para o papel do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos no comportamento do câmbio e da inflação, algo que será definido hoje a partir das reuniões do Fed e do BC.
"Quando a diferença entre as taxas de juros se acentua […], isso certamente atrai capital para o Brasil, o que faz com que o real se valorize", explica. Esse movimento ajuda a conter os preços, ao reduzir o custo de importados, e dar mais estabilidade às commodities.
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