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'Se não se reorganizarem, são os próximos alvos': analista explica parceria entre Minsk e Pyongyang
'Se não se reorganizarem, são os próximos alvos': analista explica parceria entre Minsk e Pyongyang
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Lucas Rubio, presidente do Instituto Paektu, comenta a aproximação dos dois países e como essa relação redefine a organização de alianças e blocos... 14.05.2026, Sputnik Brasil
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No fim de março de 2026, durante a primeira visita oficial do presidente Aleksandr Lukashenko à República Popular Democrática da Coreia (RPDC), Belarus e Pyongyang anunciaram uma nova etapa nas relações bilaterais. A viagem resultou na assinatura de um tratado de "amizade e cooperação", além da decisão de abrir uma missão diplomática belarussa na RPDC e acelerar negociações para ampliar o contato entre empresas e cidadãos dos dois países.A aproximação entre Minsk e Pyongyang levanta questionamentos sobre até onde essa relação pode avançar. Em meio ao aumento das tensões internacionais e das sanções ocidentais, analistas também discutem se o fortalecimento desses laços sinaliza a formação de um bloco informal entre países que buscam ampliar sua autonomia diante da pressão dos Estados Unidos e de aliados.Além da cooperação diplomática, os acordos assinados pelos dois governos indicam possibilidades de colaboração em comércio, agricultura, tecnologia, saúde e educação. O estreitamento das relações também reforça o alinhamento político entre Belarus e RPDC em defesa de uma ordem internacional mais multipolar.Ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, Lucas Rubio, especialista em República Popular Democrática da Coreia e presidente do Instituto Paektu, explica como houve a aproximação entre os dois países.A princípio, Rubio vê a pressão ocidental que ambos sofrem como o fator que uniu Minsk e Pyongyang. "Esses dois países são considerados párias do sistema internacional", afirma o especialista. Como conta, Belarus não é um país socialista, mas que preservou muito da história da União Soviética e possui uma conexão forte com a Rússia, tanto em cultura como em história e interesses.No caso da RPDC, é socialista e possui um programa nuclear "muito controverso para o mundo ocidental". Segundo Rubio, esse processo de isolamento imposto por sanções e pressões diplomáticas acaba incentivando países a buscar novas alianças internacionais.Rubio avalia que as críticas recorrentes ao sistema político e aos processos eleitorais dos dois países fazem parte desse cenário de disputa geopolítica. "São dois países que sofrem essa pressão nos seus assuntos internos e externos por parte das potências ocidentais, e talvez o caminho natural tenha sido essa aproximação."Sobretudo países que não ocupam posição central na ordem global tendem a buscar novas aproximações baseadas em interesses comuns e maior autonomia política. "Nem a Coreia e nem Belarus são grandes potências globais, então eles vão tentar se reordenar ao redor de polos que possam representar seus interesses", afirma Rubio.Segundo ele, os dois países compartilham uma visão favorável ao diálogo, ao multilateralismo e à não intervenção em assuntos internos de outros Estados. O pesquisador também argumenta que Belarus e RPDC mantêm relações estratégicas com potências como China e Rússia sem que isso represente submissão política."São países altamente independentes. As pessoas confundem relações estratégicas com submissão, e não é esse o caso quando a gente fala da Coreia e de Belarus". Para Rubio, a convergência entre as doutrinas de política externa e os acontecimentos geopolíticos dos últimos anos ajudam a explicar o fortalecimento dessa aproximação.Aproximação com Rússia e ChinaSobre como a notícia foi recebida por aliados, Rubio avalia que Pequim e Moscou enxergaram o fortalecimento das relações entre Minsk e Pyongyang "com certa naturalidade" e sem interferir na decisão dos dois governos.Como explica, tanto Rússia quanto China mantêm uma política externa baseada na não intervenção em assuntos internos de outros países, o que teria facilitado essa aproximação. "Entendam que essa é uma decisão interna de cada governo, do governo belarusso e do governo norte-coreano", afirma. Para ele, dadas as circunstâncias geopolíticas e até ideológicas, os dois países "viram com ótimos olhos essa aproximação".Rubio também acredita que Moscou pode ter atuado como ponte diplomática entre Pyongyang e Minsk. Isso porque Belarus ainda não possuía representação diplomática na República Popular Democrática da Coreia, situação que começou a mudar após a visita de Lukashenko ao país asiático no primeiro semestre de 2026. "Pyongyang deve ter passado por Moscou, deve ter não só consultado, como solicitado a Moscou uma ajuda na aproximação", avalia.No caso chinês, Rubio destaca que Pequim continua sendo a principal aliada econômica da RPDC e valoriza relações com países considerados soberanos e independentes. "A China se interessa por países independentes e soberanos, que têm uma participação mundial autônoma", pontua. Segundo ele, Belarus também ocupa posição estratégica importante para Pequim, o que ajuda a explicar o apoio chinês ao estreitamento entre os dois países.O pesquisador cita ainda o desfile realizado em Pequim, em setembro de 2025, pelos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial na Ásia como demonstração da proximidade política entre China, Rússia, Belarus e RPDC. Na ocasião, Xi Jinping posicionou Kim Jong-un e Lukashenko ao seu lado durante a cerimônia, enquanto Vladimir Putin ocupava o outro lado do líder chinês.Mudança de relaçõesOutro ponto abordado é como a relação entre Belarus e RPDC altera como países devem pensar a organização de alianças e relações no cenário internacional. Como uma maneira de não serem encurralados e atacados, Rubio ressalta que esses países estão montando alianças e blocos internacionais sem levar em conta diferenças culturais, geográficas ou históricas."Os países observam o mundo em fluxo e eles também vão seguindo um fluxo", afirma o especialista. Segundo ele, governos considerados alvos frequentes de pressões ocidentais entendem que precisam construir novas formas de cooperação para evitar isolamento político, econômico e até militar.Para ele, países antes apresentados como "vilões" pela mídia e pelo discurso ocidental passaram a ser vistos de outra maneira por parte significativa do mundo. O pesquisador cita o caso da China, vista como referência em desenvolvimento tecnológico e combate à pobreza; e da Rússia, que, apesar das sanções impostas, manteve e ampliou relações com outros países fora do eixo ocidental.Nesse contexto, Belarus e RPDC enxergariam vantagens mútuas em aprofundar relações justamente por compartilhar experiências semelhantes de sanções e isolamento. "São tantas sanções que você encontra nos seus parceiros também sancionados a opção de driblar essas sanções", afirma Rubio.O pesquisador também argumenta que organizações e projetos multilaterais como o BRICS têm atraído cada vez mais países, por apresentarem uma proposta considerada mais "agregadora". "A cada reunião geral do BRICS nós temos novos membros entrando", destaca. Assim, esse movimento demonstra que parte do mundo busca ampliar relações para além do eixo liderado pelos Estados Unidos.Apesar disso, ele pondera que a reorganização internacional não significa necessariamente maior estabilidade global. Rubio avalia que o cenário atual é marcado por crescente desconfiança entre os próprios aliados e pelo aumento do risco de conflitos regionais.Ainda assim, no caso específico de Belarus e República Popular Democrática da Coreia, ele acredita que a aproximação representa o fortalecimento da confiança mútua entre dois países que passaram décadas sob pressão internacional.
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'Se não se reorganizarem, são os próximos alvos': analista explica parceria entre Minsk e Pyongyang
16:17 14.05.2026 (atualizado: 17:32 14.05.2026) Especiais
Lucas Rubio, presidente do Instituto Paektu, comenta a aproximação dos dois países e como essa relação redefine a organização de alianças e blocos internacionais no atual cenário geopolítico.
No fim de março de 2026, durante a primeira visita oficial do presidente Aleksandr Lukashenko à República Popular Democrática da Coreia (RPDC), Belarus e Pyongyang anunciaram uma nova etapa nas relações bilaterais. A viagem resultou na assinatura de um tratado de "amizade e cooperação", além da decisão de abrir uma missão diplomática belarussa na RPDC e acelerar negociações para ampliar o contato entre empresas e cidadãos dos dois países.
A aproximação entre Minsk e Pyongyang levanta questionamentos sobre até onde essa relação pode avançar. Em meio ao aumento das tensões internacionais e das sanções ocidentais, analistas também discutem
se o fortalecimento desses laços sinaliza a formação de um bloco informal entre países que buscam ampliar sua autonomia diante da
pressão dos Estados Unidos e de aliados.Além da cooperação diplomática, os acordos assinados pelos dois governos indicam possibilidades de colaboração em comércio, agricultura, tecnologia, saúde e educação. O estreitamento das relações também reforça o alinhamento político entre Belarus e RPDC em defesa de uma ordem internacional mais multipolar.
Ao
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Sputnik Brasil, Lucas Rubio, especialista em República Popular Democrática da Coreia e presidente do
Instituto Paektu, explica como houve a aproximação entre os dois países.
A princípio, Rubio vê a pressão ocidental que ambos sofrem como o fator que uniu Minsk e Pyongyang. "Esses dois países são considerados párias do sistema internacional", afirma o especialista. Como conta, Belarus não é um país socialista, mas que preservou muito da história da União Soviética e possui uma conexão forte com a Rússia, tanto em cultura como em história e interesses.
No caso da RPDC, é socialista e possui um programa nuclear "muito controverso para o mundo ocidental". Segundo Rubio, esse processo de isolamento imposto por sanções e pressões diplomáticas acaba incentivando países a buscar novas alianças internacionais.
"Quando se cria essa situação de isolar tanto alguns países, como a gente vê acontecer com Cuba, Venezuela e tantos outros, esses países tendem justamente a se reorganizar e procurar outras alianças", afirma.
Rubio avalia que as críticas recorrentes ao sistema político e aos processos eleitorais dos dois países fazem parte desse cenário de disputa geopolítica. "São dois países que sofrem essa pressão nos seus assuntos internos e externos por parte das potências ocidentais, e talvez o caminho natural tenha sido essa aproximação."
Sobretudo países que não ocupam posição central na ordem global tendem a buscar novas aproximações baseadas em interesses comuns e maior autonomia política. "Nem a Coreia e nem Belarus são grandes potências globais, então eles vão tentar se reordenar ao redor de polos que possam representar seus interesses", afirma Rubio.
Segundo ele, os dois países compartilham uma visão favorável ao diálogo, ao multilateralismo e à não intervenção em assuntos internos de outros Estados. O pesquisador também argumenta que Belarus e RPDC mantêm relações estratégicas com potências como China e Rússia sem que isso represente submissão política.
"São países altamente independentes. As pessoas confundem relações estratégicas com submissão, e não é esse o caso quando a gente fala da Coreia e de Belarus". Para Rubio, a convergência entre as doutrinas de política externa e os acontecimentos geopolíticos dos últimos anos ajudam a explicar o fortalecimento dessa aproximação.
Aproximação com Rússia e China
Sobre como a notícia foi recebida por aliados, Rubio avalia que Pequim e Moscou enxergaram o fortalecimento das relações entre Minsk e Pyongyang "com certa naturalidade" e sem interferir na decisão dos dois governos.
Como explica, tanto Rússia quanto China mantêm uma política externa baseada na não intervenção em assuntos internos de outros países, o que teria facilitado essa aproximação. "Entendam que essa é uma decisão interna de cada governo, do governo belarusso e do governo norte-coreano", afirma. Para ele, dadas as circunstâncias geopolíticas e até ideológicas, os dois países "viram com ótimos olhos essa aproximação".
Rubio também acredita que Moscou pode ter atuado como ponte diplomática entre Pyongyang e Minsk. Isso porque Belarus ainda não possuía representação diplomática na República Popular Democrática da Coreia, situação que começou a mudar após a visita de Lukashenko ao país asiático no primeiro semestre de 2026. "Pyongyang deve ter passado por Moscou, deve ter não só consultado, como solicitado a Moscou uma ajuda na aproximação", avalia.
No
caso chinês, Rubio destaca que Pequim continua sendo a
principal aliada econômica da RPDC e valoriza relações com países considerados soberanos e independentes. "A China se interessa por países independentes e soberanos, que têm uma participação mundial autônoma", pontua. Segundo ele, Belarus também
ocupa posição estratégica importante para Pequim, o que ajuda a explicar o apoio chinês ao estreitamento entre os dois países.
O pesquisador cita ainda o desfile realizado em Pequim, em setembro de 2025, pelos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial na Ásia como demonstração da proximidade política entre China, Rússia, Belarus e RPDC. Na ocasião, Xi Jinping posicionou Kim Jong-un e Lukashenko ao seu lado durante a cerimônia, enquanto Vladimir Putin ocupava o outro lado do líder chinês.
"Essas quatro capitais, Minsk, Pequim, Moscou e Pyongyang, estão realmente operando numa linha muito próxima."
Outro ponto abordado é como a relação entre Belarus e RPDC altera como países devem pensar a organização de alianças e relações no cenário internacional. Como uma maneira de não serem encurralados e atacados, Rubio ressalta que esses países estão montando alianças e blocos internacionais sem levar em conta diferenças culturais, geográficas ou históricas.
"Os países observam o mundo em fluxo e eles também vão seguindo um fluxo", afirma o especialista. Segundo ele, governos considerados alvos frequentes de pressões ocidentais entendem que precisam construir novas formas de cooperação para evitar isolamento político, econômico e até militar.
"Se eles não se reorganizarem, eles são os próximos alvos", pontua.
Para ele, países antes apresentados como "vilões" pela mídia e pelo discurso ocidental passaram a ser vistos de outra maneira por parte significativa do mundo. O pesquisador cita o caso da China, vista como
referência em desenvolvimento tecnológico e combate à pobreza; e da Rússia, que, apesar das sanções impostas,
manteve e ampliou relações com outros países fora do eixo ocidental.Nesse contexto, Belarus e RPDC enxergariam vantagens mútuas em aprofundar relações justamente por compartilhar experiências semelhantes de sanções e isolamento. "São tantas sanções que você encontra nos seus parceiros também sancionados a opção de driblar essas sanções", afirma Rubio.
O pesquisador também argumenta que organizações e projetos multilaterais como o BRICS têm atraído cada vez mais países, por apresentarem uma proposta considerada mais "agregadora". "A cada reunião geral do BRICS nós temos novos membros entrando", destaca. Assim, esse movimento demonstra que parte do mundo busca ampliar relações para além do eixo liderado pelos Estados Unidos.
Apesar disso, ele pondera que a
reorganização internacional não significa necessariamente maior estabilidade global. Rubio avalia que o cenário atual é marcado por crescente desconfiança entre os próprios aliados e pelo aumento do risco de conflitos regionais.
Ainda assim, no caso específico de Belarus e República Popular Democrática da Coreia, ele acredita que a aproximação representa o fortalecimento da confiança mútua entre dois países que passaram décadas sob pressão internacional.
"No caso da Coreia e de Belarus, eu acho que é o sentido contrário: é um reforço do sentimento de confiança e de cooperação entre países que passaram muito tempo isolados."
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