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'Há um movimento na Coreia do Norte que foca na Eurásia via Rússia e Belarus', diz analista (VÍDEOS)

© Sputnik / Gavriil Grigorov/POOLPresidente russo Vladimir Putin com seu homólogo norte-coreano Kim Jong-un
Presidente russo Vladimir Putin com seu homólogo norte-coreano Kim Jong-un - Sputnik Brasil, 1920, 30.03.2026
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A visita recente do presidente belarusso Aleksandr Lukashenko a Pyongyang, acompanhada da assinatura de um tratado de amizade e cooperação somado à parceria estratégica com Moscou e à aliança histórica com Pequim, mostra que, apesar de todas as sanções promovidas pelo Ocidente, a política externa norte-coreana amplia sua rede para além da Ásia.
A tentativa de isolamento e cerceamento à República Popular Democrática da Coreia (RPDC) em nível econômico e político, principalmente por parte dos EUA e aliados, além de ter feito o governo norte-coreano priorizar o seu desenvolvimento interno, apesar de toda dificuldade, fez com que aprofundasse a sua relação com a China e compreendesse a Eurásia como alternativa através da cooperação com Rússia e Belarus, conforme explica Lucas Rubio, especialista em Coreia do Norte e presidente do Instituto Paektu, focado em estudos sobre o país em entrevista à Sputnik Brasil.

"Há um direcionamento para a Eurásia através de Rússia e Belarus. A visita recente do presidente Lukashenko mostra o reposicionamento global norte-coreano e sua reinserção na política internacional, depois de muito tempo isolada por conta das sanções econômicas por ter construído seu programa nuclear na década de 90", disse.

Nesse âmbito, Rubio também interpreta esse movimento voltado para a Eurásia como uma forma de diversificação de parcerias estratégicas e da proteção de sua soberania, uma vez que seus adversários geopolíticos também têm suas próprias articulações.

"Em um momento de acirramento de tensões globais e com inimigos tão próximos como Coreia do Sul, Japão e EUA. Pyongyang entende que deve diversificar suas relações e acordos. Atualmente, o tratado mais importante é com a Rússia, que abrange áreas diversas como a militar e econômica, e com Belarus, se fortalece ainda mais", comenta.

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Pyongyang e seu desenvolvimento com Moscou e Minsk

Além da defesa, o especialista, que recentemente esteve pela terceira vez na Coreia do Norte a convite do governo para a celebração do 80º aniversário da fundação do Partido do Trabalho da Coreia, observa que, no aspecto econômico, os norte-coreanos visam um desenvolvimento nas áreas agrícola, industrial e de transportes. Com isso, a relação com a Rússia e Belarus pode ajudar a desenvolver.

"Há expectativa na aliança com a Rússia e com Belarus para o crescimento na agricultura, no setor industrial, já que por muito tempo a Coreia focou na sua siderurgia e uma diversificação é esperada assim como no transporte, uma vez que Moscou e Minsk possuem uma capacidade automobilística, de construção de veículos, muito desenvolvida", destaca.

Rubio, que atualmente cursa engenharia nuclear na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que o fortalecimento de um trânsito entre russos e belarussos pode ser benéfico para ampliar o programa nuclear norte-coreano para uso civil como forma de solucionar seus problemas de ordem energética.

"Uma área em que se pode ter avanços é a da energia, da qual a Coreia ainda enfrenta dificuldades no fornecimento. Dessa forma, a Rússia, que é uma potência da energia nuclear, e Belarus, que possui uma usina, podem sim auxiliar os norte-coreanos no uso nuclear civil e pacífico como fonte garantidora de energia segura e confiável para a população", pontua.

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Língua russa em prol da integração com a Eurásia

Um dos meios de um país se integrar com outro também se dá por meio da cultura e do aprendizado do idioma, nesse contexto, Rubio, que também é professor de russo formado pela UFRJ, reparou em sua última visita um aumento de russófonos, além de serviços com atendentes que tinham o russo como segundo idioma.

"A Coreia Popular investiu muito no ensino de russo aos seus cidadãos e fiquei impressionado na minha última visita, que havia mais pessoas falantes da língua, até no setor de serviços, além de muitos turistas russos. Vale ressaltar que, ao aprender russo, um dos idiomas mais falados do mundo, abrem-se portas para outros países também", afirma.

Além da língua russa, o mandarim é bastante difundido e, em conteúdos culturais como o setor audiovisual, é comum ter produções russas ou chinesas, segundo o pesquisador, isso é uma forma que estimula a interação entre os povos, indo muito além da política.

"Ao contrário do que se pensa de que a Coreia do Norte é um país isolado, todas às vezes que estive lá, assisti a vários canais de televisão da China e da Rússia que são transmitidos na TV local. Muitas vezes não temos ideia, mas, um intercâmbio cultural é muito importante para uma aproximação entre povos", conclui.

Em um mundo conturbado e em uma transição sistêmica, a Coreia do Norte, além de seu investimento militar, também preza pela diplomacia e em relações diplomáticas para defender a sua soberania. Dessa forma, o eixo Pyongyang, Pequim, Moscou e Minsk se fortalece como uma nova configuração geopolítica no coração da Eurásia.
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