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Auditoria dos EUA em biolaboratórios mira riscos e financiamento, não armas biológicas, diz analista

© AP Photo / Steve HelberSacos de risco biológico descartados enchem uma lata de lixo em Richmond, Virgínia (foto de arquivo)
Sacos de risco biológico descartados enchem uma lata de lixo em Richmond, Virgínia (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 15.05.2026
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Após a revisão iniciada pelo Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI, na sigla em inglês) dos EUA, o debate sobre biolaboratórios de Washington no exterior retornou, mas, em conversa com a Sputnik, o analista Marco Marsili disse tratar‑se de auditoria administrativa e avaliação de riscos.
Para o analista Marco Marsili, a revisão do ODNI deve ser entendida como um processo interno de auditoria e não como confirmação de alegações de guerra biológica. Para ele, é essencial separar a supervisão administrativa das acusações de que laboratórios estrangeiros financiados por Washington teriam sido usados para fins ofensivos.

"Uma revisão política ou de inteligência destinada a aumentar a transparência e auditar essas despesas não valida as alegações de que essas instalações estiveram envolvidas no desenvolvimento de armas biológicas proibidas", afirmou Marsili.

Marsili destaca que a revisão se concentra no rastreamento de financiamento, na garantia de padrões éticos e na avaliação dos riscos associados à pesquisa de patógenos em instalações localizadas no exterior, especialmente em zonas de conflito ativo como a Ucrânia. Nessas áreas, afirma, a infraestrutura enfrenta riscos adicionais de comprometimento, o que justifica maior atenção à biossegurança.
O analista lembra que o apoio financeiro dos EUA a laboratórios de saúde pública e diagnóstico no espaço pós‑soviético é conhecido há décadas, dentro de programas como o de Redução Cooperativa de Ameaças (CTR, na sigla em inglês). Criadas para reforçar a biossegurança e prevenir a proliferação de materiais perigosos, essas iniciativas sempre tiveram caráter público.
Aviso de material biológico na porta de laboratório - Sputnik Brasil, 1920, 15.05.2026
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Segundo Marsili, a rejeição internacional às primeiras acusações sobre esses laboratórios baseou‑se na ausência de evidências independentes e verificáveis que demonstrassem fabricação ou intenção de empregar armas biológicas ofensivas, o que violaria a Convenção sobre Armas Biológicas, mas que as preocupações legítimas com segurança ou falta de transparência burocrática não equivalem à existência de um programa clandestino de armamento.
O consenso predominante, afirma o especialista, permanece sustentado pelo fato de que não surgiram provas sólidas e verificáveis de desenvolvimento ilícito de armas.

"Trata-se fundamentalmente de uma questão de corrigir a governança institucional, a supervisão financeira e a gestão de riscos da pesquisa de dupla utilização, e não de admitir violações do direito internacional relacionadas à guerra biológica", acredita o analista.

Marsili avalia que a investigação da administração norte‑americana é um exercício interno de conformidade regulatória, gestão de riscos e responsabilidade administrativa. Caso a revisão identifique falhas de supervisão, má gestão de riscos ou falta de transparência no financiamento de pesquisas com patógenos no exterior, a responsabilização deve ocorrer por meio de ajustes de política interna, audiências no Congresso e diretrizes de financiamento mais rígidas.
A revisão, conclui Marsili, "a questão permanece relacionada à biossegurança e à supervisão burocrática" e à necessidade de maior transparência e rigor na avaliação de riscos, mas não constitui evidência de que instalações financiadas pelos EUA tenham sido usadas para desenvolver armas biológicas.
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