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Visita de Trump à China rende gestos simbólicos, não avanços estratégicos, diz analista

© AP Photo/Mark SchiefelbeinPresidentes da China, Xi Jiping, e dos Estados Unidos, Donald Trump, atravessam tapete vermelho durante cerimônia em Pequim. 13 de maio de 2026
Presidentes da China, Xi Jiping, e dos Estados Unidos, Donald Trump, atravessam tapete vermelho durante cerimônia em Pequim. 13 de maio de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 15.05.2026
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A visita de Donald Trump a Pequim produziu mais cerimônia do que resultados concretos, afirmou à Sputnik o analista Angelo Giuliano, para quem a China manteve posições firmes e os EUA saíram apenas com anúncios simbólicos que não alteram a dinâmica estratégica entre as duas potências.
A visita de Trump à China foi marcada por pompa e declarações grandiosas, mas com pouca substância prática, avalia o analista geopolítico Angelo Giuliano. Segundo ele, anúncios como a compra de aeronaves Boeing, mais produtos agrícolas e um "Conselho de Comércio" bilateral carecem de confirmação e refletem o padrão de exagero do presidente norte-americano.
Giuliano afirma que, apesar do espetáculo diplomático, a China manteve firmeza em temas centrais.

"A China simplesmente não precisa ceder; sua economia e base industrial lhe conferem uma vantagem que os EUA não possuem mais unilateralmente", afirmou o analista.

Xi Jinping reiterou que Taiwan é uma linha vermelha e alertou Trump sobre riscos de conflito. Para Giuliano, não houve avanços em tecnologia, controles de exportação ou desequilíbrios estruturais, e as compras anunciadas seriam calibradas por Pequim conforme seus próprios interesses.
Segundo sua análise, a estratégia norte‑americana de pressionar a China fracassou porque não se baseava em força real. Giuliano argumenta que Pequim se adaptou às tarifas e restrições, diversificou sua economia, fortaleceu cadeias de suprimentos e investiu em setores estratégicos como inteligência artificial (IA), semicondutores e energias renováveis.
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Giuliano destaca que, diante de uma China mais forte econômica e industrialmente do que há nove anos, os EUA já não têm capacidade de impor concessões. O resultado, diz, é um relacionamento administrado em termos mais próximos da igualdade, com acordos modestos e sem mudanças estruturais.
O analista também aponta contradições na política externa norte‑americana. Enquanto Trump posa para fotos em Pequim, figuras como o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificam a China como o "principal desafio geopolítico", revelando incoerência entre engajamento econômico e retórica de confronto.

Essa dualidade, afirma Giuliano, mostra que Washington ainda não se ajustou à multipolaridade. Os EUA "reconhecem que a China é grande demais para ser isolada, mas não abandonam a mentalidade hegemônica que a trata como rival existencial".

Para ele, as cúpulas evitam rupturas que prejudicariam empresas norte-americanas, enquanto o discurso agressivo mantém viva a narrativa da "ameaça chinesa" para consumo interno. No fim, Giuliano vê mais fraqueza do que força: uma potência tentando conciliar dois mundos, enquanto a China segue uma estratégia consistente de longo prazo.
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