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Em entrevista, Lula diz apostar em aproximação com Trump para reforçar imagem pragmática

© Foto / Marcelo Camargo / Agência BrasilO presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante evento oficial
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante evento oficial - Sputnik Brasil, 1920, 17.05.2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista concedida ao The Washington Post, publicada neste domingo (17), afirmou que uma relação cordial com o presidente norte-americano, Donald Trump, evitaria que novas tarifas sejam impostas ao Brasil.
Lula tenta transformar sua inesperada aproximação com Donald Trump em trunfo diplomático e eleitoral: após encontros cordiais e flexibilizações de tarifas, o presidente brasileiro busca projetar pragmatismo, defender a soberania nacional e mostrar que pode dialogar com a direita global sem ceder a ela.

Segundo a mídia norte-americana, Lula tenta usar essa reaproximação como instrumento político e estratégico. Às vésperas de uma eleição competitiva, ele quer projetar experiência e pragmatismo, mostrando capacidade de negociar com governos ideologicamente distintos sem abrir mão de posições brasileiras em temas sensíveis.

As relações entre Brasil e Estados Unidos passaram por forte oscilação em 2025, após tarifas impostas por Donald Trump a exportações brasileiras e sanções contra autoridades do país. A mudança de tom recente decorre de uma reaproximação diplomática construída pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca restabelecer canais de diálogo em condições de igualdade.
Segundo Lula, a deterioração das relações no ano anterior ocorreu por falta de respeito à autonomia brasileira.
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Relação pessoal de Lula da Silva com o presidente norte-americano, Donald Trump, pode ajudar a atrair investimentos dos EUA, evitar novas tarifas e garantir respeito à democracia brasileira, disse o mandatário brasileiro em entrevista ao The Washington Post.

"Trump sabe que sou contra a guerra com o Irã, que discordo da intervenção na Venezuela e que condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina. Mas divergências políticas não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. Quero que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito", sublinhou.

Lula afirmou que entregou a Trump uma cópia do acordo nuclear de 2010 negociado por Brasil e Turquia com o Irã, para mostrar que "não é verdade que o Irã esteja novamente tentando construir uma bomba atômica". Segundo ele, Trump disse que leria o documento.

Para o presidente brasileiro, a guerra com o Irã evidencia os limites da postura confrontacional dos EUA, que já está impactando os próprios estadunidenses com a alta de preços."Trump tem responsabilidade por isso", acrescentou.
A aproximação com Trump também tem efeito interno. Após a flexibilização de tarifas e suspensão de sanções, pesquisas mostraram que a maioria dos brasileiros avaliou positivamente a visita de Lula à Casa Branca, interpretando o gesto como defesa da soberania e da capacidade de negociação do país.
Apesar disso, Lula enfrenta desafios domésticos: inflação de alimentos e combustíveis, polarização intensa e uma disputa apertada com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Medidas econômicas e denúncias envolvendo aliados do adversário devem influenciar o cenário eleitoral, aponta a mídia.
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No plano internacional, Lula tenta se posicionar como mediador em crises globais. Suas tentativas de intervir diplomaticamente na Venezuela, na Ucrânia e em Cuba, porém, encontraram resistência de Washington e dos atores envolvidos, limitando o alcance de sua estratégia.

Ainda assim, ele insiste em posicionar o Brasil como um ator global de diálogo. "Você só pode mediar quando as pessoas no poder querem mediação", afirmou.

Sobre Cuba, Lula defende uma abordagem diferente. Ele pediu ao líder estadunidense, Donald Trump, o fim do embargo e afirmou que a ilha "precisa de uma chance". Segundo ele, se houver uma mesa de negociação sem imposições, Cuba participará.
Segundo a apuração, o presidente brasileiro argumenta que democracias precisam entregar resultados concretos para conter movimentos antissistema e critica o intervencionismo norte-americano na América Latina, rejeitando pedidos de aliados de Bolsonaro para que os EUA classifiquem organizações criminosas brasileiras como terroristas.
O presidente também busca reposicionar o Brasil diante da disputa geopolítica entre EUA e China, afirmando que Washington precisa tratar a região como parceira se quiser recuperar espaço, já que o comércio brasileiro com a China já supera em dobro o comércio com os EUA.
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