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Pré-candidatos da direita evitam confronto com Flávio Bolsonaro em meio ao caso Vorcaro

© Sputnik / Leonardo SobreiraEx-governador Romeu Zema durante o evento Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios
Ex-governador Romeu Zema durante o evento Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios - Sputnik Brasil, 1920, 20.05.2026
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Ronaldo Caiado e Romeu Zema fazem críticas gerais à corrupção.
Os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) evitaram nesta quarta-feira (20) romper politicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação de áudios ligando o parlamentar ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Na Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, na capital federal, ambos fizeram críticas à corrupção e defenderam critérios éticos para o exercício da Presidência da República, sem citar diretamente o senador.
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Ronaldo Caiado

Questionado sobre o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master, Caiado evitou citar nominalmente o parlamentar e afirmou que todos têm direito à defesa.
"Nunca falei nada de forma indireta na minha vida. Cada um tem o direito de se explicar das acusações que pesam sobre eles. O que disse são condicionantes para o exercício de presidente da República", declarou o ex-governador goiano a jornalistas. Ao abordar o perfil desejado para um eventual chefe do Executivo federal, Caiado defendeu que candidatos tenham "independência moral".
Durante a sabatina presidencial promovida pelo evento, Caiado ampliou as críticas ao que chamou de "contaminação" da política pela corrupção, direcionando suas declarações aos Três Poderes. "Tanto o Supremo quanto o Congresso e a Presidência da República, e outros tantos, estão envolvidos em escândalos", afirmou.
O ex-governador também declarou que políticos envolvidos em escândalos perdem legitimidade para cobrar conduta ética de outras autoridades. "A pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da presidência, não tem autoridade moral para chamar atenção de ministro do Supremo nem do Congresso Nacional", frisou.
No campo econômico e trabalhista, Caiado criticou a rigidez da legislação trabalhista e defendeu maior liberdade para jornadas de trabalho. "O jovem hoje quer ter essa liberdade de desenvolver sua prática, seu estudo e trabalhar, sem ter a rigidez da legislação trabalhista e que possa trabalhar uma determinada quantidade de horas, que seja da opção dele", disse. "Eu a vida toda defendi que cada cidadão trabalhe quantas horas desejar", acrescentou.
Na área da segurança pública, o governador afirmou que, caso eleito presidente, enviará ao Congresso proposta para classificar facções criminosas como organizações terroristas. "Encaminharei ao Congresso imediatamente a rotulação de facções como terroristas", declarou.

"Temos que ter uma política extremamente agressiva para que a gente restitua o território brasileiro", completou.

Caiado também abordou temas econômicos e industriais, defendendo maior agregação de valor às terras raras brasileiras e criticando a dependência de exportação de matérias-primas. "Que a riqueza em terras raras não seja um estreito de Ormuz, basta sentar à mesa e pedir condições diferenciadas", afirmou. "Eu não posso ter um país que entrega minério de ferro de forma bruta e compro aço a preço de 3.000% a mais", disse.
"O nosso potencial não pode continuar na era de colônia", acrescentou. "Falta inovação, tecnologia e condições de acrescermos a isso tudo o conhecimento e, a partir daí, a transformação e a riqueza", concluiu.
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Romeu Zema

Já o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema adotou um discurso voltado à crítica ao sistema político e econômico, mas também evitou qualquer rompimento direto com Flávio Bolsonaro. "O Brasil é roubado todos os dias pelos intocáveis que ficam nessa cidade", afirmou.
Zema também criticou o tratamento dado aos prefeitos e prometeu um programa econômico baseado em austeridade fiscal e privatizações. "A dívida pública e os juros vão cair, e vamos deixar de ser um país de endividados", acrescentou.
Na área da segurança pública, Zema defendeu políticas inspiradas em El Salvador e endurecimento penal contra facções criminosas. "Vamos retomar os territórios dominados pelas facções", afirmou. "É possível tomar medidas de segurança pública que funcionam", disse.

"A segurança pública no Brasil está nas mãos de antropólogos, assistentes sociais e sociólogos, pessoas que nunca estiveram frente a frente com a bandidagem", acrescentou.

Ao comentar indiretamente o caso envolvendo Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, Zema afirmou que pretende exigir critérios rígidos de integridade para ocupantes de altos cargos públicos. "Vou pegar cargos mais altos da República e terão de passar relação de parentes que podem ter algum tipo de conflito com a autoridade que exerce", afirmou.
O ex-governador mineiro também criticou o uso político de estatais. "Quem fica nas estatais, na maioria das vezes nos estados e no governo federal, são pessoas que recebem um prêmio por terem perdido a eleição", disse. "É uma ferramenta de politicagem", acrescentou. Zema reiterou ainda que manterá sua candidatura presidencial. "Vou levar minha pré-candidatura até o final", afirmou.
Sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro, o ex-governador mineiro fez críticas diretas a Vorcaro. "Não queremos nenhum vice que tenha tido qualquer operação com um banqueiro bandido", declarou.
"Apesar de morar em Belo Horizonte, nunca tive nenhuma reunião com o banqueiro bandido [Vorcaro]", acrescentou. "Esse banqueiro bandido foi atrás de pessoas que ele via que o receberiam bem", afirmou Zema.
Ao final, Zema indicou alinhamento político contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno presidencial. "No segundo turno vou estar contra o PT", declarou.
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