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Japão escala tensão na Ásia e atende a interesses dos EUA, diz analista (VÍDEOS)

© AP Photo / Alex BrandonO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa durante reunião com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, no Salão Oval da Casa Branca, em 19 de março de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa durante reunião com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, no Salão Oval da Casa Branca, em 19 de março de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 21.05.2026
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O governo japonês, além de reforçar sua aliança com os EUA, intensifica a política de defesa ao avaliar a exportação de mísseis para as Filipinas e aprofundar a cooperação com Reino Unido e Itália no desenvolvimento de um caça de nova geração. O movimento indica que Tóquio também começa a projetar poder em uma região marcada por disputas.
Nesse sentido, o alinhamento nipo-estadunidense é benéfico aos anseios da política externa da Casa Branca, o que pode trazer impactos para a zona que compreende o Indo-Pacífico, conforme disse à Sputnik Brasil Matheus Mapa, bacharel em relações internacionais e graduando em direito.

"Japão e EUA são tremendos aliados e militarmente são alinhadíssimos. Então, [Tóquio] segue sim os interesses de Washington. No próprio white paper [documento] do Ministério da Defesa japonês, de 2025, aponta que é importantíssimo para o Japão e seus aliados mais próximos, citando os EUA, que a segurança no Indo-Pacífico seja preservada", afirmou.

O pesquisador, que tem a vida acadêmica focada no estudo da política, da cultura e do direito japoneses, ressalta que o projeto de militarização do país, além de elevar a tensão na região, ao permitir que o Japão atue como uma espécie de ponta de lança dos EUA, acaba por incomodar Pequim.

"É muito vantajoso para os EUA ter o Japão desse jeito, para defender ou encabeçar conflitos que não estão dispostos a entrar diretamente. A China está extremamente insatisfeita com isso e há comunicados com tom meio passivo-agressivo para que o Japão, cesse esses avanços militares, porque, se não, vai sofrer as consequências duras", comenta.

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Tóquio e os militares estrangeiros em seu território

Para compreender o objetivo da militarização japonesa, é preciso analisar sua política interna, explica Mapa. Ele contextualiza o artigo 9º da Constituição do país, que não permite que as forças japonesas iniciem um ataque, mas também não impede que aliados utilizem o território japonês para realizar manobras militares.

"Para quem não sabe, o território japonês é repleto de bases militares americanas, muitas no arquipélago de Okinawa. A Constituição diz que o Japão não pode iniciar guerras, mas isso não diz respeito ao que os EUA podem fazer, porque as bases não são do Japão", destaca.

Nesse contexto, o especialista aponta que a flexibilização da interpretação do artigo 9º contou, segundo sua análise, com certa omissão do Judiciário japonês, o que abriu espaço para que o ideário de militarização tomasse forma no plano político.

"Na década de 1960, houve um caso em que alguns cidadãos invadiram uma base americana, alegando que ela era ilegítima por estar em território japonês. Na ocasião, a Suprema Corte foi provocada a se posicionar e acabou cedendo sua prerrogativa constitucional aos poderes políticos. Desde então, a Suprema Corte tem se omitido em relação a essa questão", observa.

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Takaichi segue tendência dos seus antecessores

Mapa enfatiza que a chanceler Sanae Takaichi tem popularidade para dar continuidade ao projeto militar. No entanto, pondera que essa atitude não é exclusivamente dela, uma vez que a concepção desse projeto já vinha sendo delineada anteriormente no parlamento japonês.

"A partir dessa flexibilização [do artigo 9] e agora com a Takaichi, que venceu a eleição com uma margem enorme, tem maioria na casa legislativa e capital político para avançar no que quer. Não será surpresa ver o Japão cada vez mais ativo militarmente, seja com seus aliados locais ou por meio de cooperação com os países da OTAN, enquanto Takaichi estiver no governo, esse vai ser o padrão", conclui.

O Japão, integrante do Eixo com a Alemanha nazista e a Itália fascista na Segunda Guerra Mundial, adotou uma postura militar estritamente defensiva após a derrota em 1945, amparado pela forte presença e tutela de segurança dos Estados Unidos. Atualmente, com as crescentes tensões geopolíticas, o governo japonês abandonou o pacifismo tradicional e elevou os gastos militares, o que reacendeu rivalidades históricas e gerou preocupação na Ásia.
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