Ex-ministro da Justiça diz que crise de Flávio Bolsonaro é 'escândalo' e pode levar à cassação
12:38 24.05.2026 (atualizado: 12:39 24.05.2026)

© Lula Marques/Agência PT
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A crise envolvendo Flávio Bolsonaro, ligada a repasses de Daniel Vorcaro e ao financiamento de um filme, "atingiu a candidatura no coração", diz José Eduardo Cardozo. Para o ex‑ministro, as contradições do senador e suspeitas financeiras podem levar à cassação e abalar a direita radical brasileira.
O ex‑ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, afirmou que a crise envolvendo Flávio Bolsonaro após denúncias sobre repasses ligados a Daniel Vorcaro representa um "golpe duro" na possível candidatura presidencial do senador do Partido Liberal (PL) pelo Rio de Janeiro.
Em entrevista à mídia brasileira, ele classificou o caso como "escandaloso" e disse que pode desencadear uma ruptura na direita radical.
Segundo Cardozo, os efeitos eleitorais já são visíveis e tendem a se intensificar. "A candidatura de Flávio Bolsonaro já foi atingida no coração antes mesmo da largada", declarou, apontando que o avanço das investigações deve aprofundar o desgaste da imagem do senador.
O ex‑ministro destacou as contradições de Flávio sobre sua relação com Vorcaro, lembrando que o senador negou proximidade antes de admitir encontros e tratativas financeiras. "Ele mente sucessivamente tentando encobrir uma realidade", afirmou. Para Cardozo, isso configura falta de decoro e pode justificar cassação.
Ele comparou o episódio ao caso Eduardo Cunha, cassado por mentir ao parlamento, e disse que o impacto político e ético pode ser semelhante. Cardozo também levantou suspeitas sobre a origem dos recursos do filme ligado ao clã Bolsonaro, afirmando: "Isso parece muito mais uma estrutura de arrecadação de recursos do que uma produção cinematográfica".
O ex‑ministro apontou possíveis crimes financeiros, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, defendendo bloqueio de bens e aprofundamento das investigações internacionais. "Muita água ainda vai rolar. E tenho a sensação de que muita gente pode morrer afogada nesse processo", disse.
Cardozo avaliou que a crise já provoca movimentações na direita, com nomes como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) surgindo como alternativas. Ele ironizou ainda a presença de Sergio Moro (União Brasil) ao lado de Flávio: "A expressão do Moro era histórica. Parecia alguém percebendo que o barco estava afundando".
Apesar de criticar vazamentos seletivos, Cardozo defendeu rigor nas apurações e respeito ao Estado de Direito. Ele também comentou debates no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre projetos ligados aos condenados de 8 de janeiro, afirmando que mudanças que reduzam penas podem ser inconstitucionais.
"É um escândalo de proporções enormes. E a impressão é que estamos apenas no começo", concluiu.

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