'Equiparar crime organizado a terrorismo não ajuda', diz Celso Amorim em Moscou
'Equiparar crime organizado a terrorismo não ajuda', diz Celso Amorim em Moscou
Sputnik Brasil
O I Fórum Internacional de Segurança em Moscou, evento coordenado pelo Conselho de Segurança da Rússia, chegou ao terceiro dia nesta quinta-feira (28). O... 28.05.2026, Sputnik Brasil
Com o tema "Desafios e ameaças à segurança internacional nas condições de formação de uma ordem mundial multipolar", os representantes das nações convidadas tiveram o direito de discursar. Na vez do Brasil, Amorim, que foi ministro da Defesa entre os anos de 2011 e 2014, enfatizou que o país tem que combater o crime organizado com energia e determinação, mas rechaçou a ideia de classificar facções como terroristas.Ao longo de sua explanação, o embaixador parafraseou o antigo papa Paulo VI para enfatizar que a paz é de suma importância para o desenvolvimento no atual cenário internacional.Venezuela e a crise no Oriente MédioAo longo de seu discurso na plenária, Amorim relembrou e criticou a intervenção dos Estados Unidos em Caracas em janeiro, que culminou no sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.O ex-chanceler brasileiro também demonstrou preocupação com a atual situação em diversos países do Oriente Médio, com a escala de conflitos que causam impactos na ordem social, com consequências graves.'Auditoria nas instituições internacionais'O encontro foi conduzido e mediado por Sergei Shoigu, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, que em seu discurso inaugural relembrou a omissão de entidades internacionais, citando o caso da Organização Mundial do Comércio (OMC), perante as sanções impostas unilateralmente contra a Rússia pelo Ocidente.Cooperação como chaveO I Fórum Internacional de Segurança em Moscou foi muito além do desenvolvimento militar no campo de batalha, uma vez que abordou temas complexos em diversas camadas, desde cibersegurança a neocolonialismo e alta tecnologia. A tônica entre os participantes foi a cooperação como chave em prol de um mundo multipolar.Mais de 100 países e dezenas de organizações internacionais enviaram representantes. À margem da conferência, realizou-se também um almoço de trabalho dos representantes do BRICS.Amorim manteve reuniões bilaterais com altas autoridades russas, entre elas o assessor do presidente Vladimir Putin para assuntos de política externa, Yuri Ushakov; o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov; o presidente do Conselho Naval e assessor presidencial, Nikolai Patrushev; e o secretário do Conselho de Segurança, Sergei Shoigu.Celso Amorim encontrou-se ainda com o chefe da delegação iraniana e vice-secretário do Conselho de Segurança do Irã, Ali Bagheri Kani, em diálogo centrado na situação regional e nos esforços diplomáticos em curso relacionados ao Oriente Médio. "Na conversa, foi lembrada a Declaração de Teerã, de 2010, como exemplo de iniciativa voltada à solução negociada de controvérsias."
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'Equiparar crime organizado a terrorismo não ajuda', diz Celso Amorim em Moscou
O I Fórum Internacional de Segurança em Moscou, evento coordenado pelo Conselho de Segurança da Rússia, chegou ao terceiro dia nesta quinta-feira (28). O Brasil foi representado por Celso Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, que também liderou a delegação brasileira.
Com o tema "Desafios e ameaças à segurança internacional nas condições de formação de uma ordem mundial multipolar", os representantes das nações convidadas tiveram o direito de discursar. Na vez do Brasil, Amorim, que foi ministro da Defesa entre os anos de 2011 e 2014, enfatizou que o país tem que combater o crime organizado com energia e determinação, mas rechaçou a ideia de classificar facções como terroristas.
"O governo brasileiro, liderado pelo presidente Lula, está agindo de forma decisiva para desmantelar as redes criminosas, em cooperação com países da América do Sul. O crime organizado deve ser combatido com máxima energia e determinação. Mas equipará-lo ao terrorismo não ajuda. Ambos devem ser combatidos, mas compreender as motivações é essencial para a eficácia do combate a todos os tipos de crimes."
Ao longo de sua explanação, o embaixador parafraseou o antigo papa Paulo VI para enfatizar que a paz é de suma importância para o desenvolvimento no atual cenário internacional.
"Em 1967, Paulo VI, na encíclica 'Populorum progressio', cunhou a célebre frase: "O desenvolvimento é o novo nome da paz". Mas nos tempos turbulentos em que vivemos atualmente, cito a mim mesmo: 'A paz é o novo nome do desenvolvimento'. Não pode haver desenvolvimento quando se teme pela própria vida", discorreu.
Ao longo de seu discurso na plenária, Amorim relembrou e criticou a intervenção dos Estados Unidos em Caracas em janeiro, que culminou no sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.
"Na América Latina, o uso da força por uma potência estrangeira, como foi o caso na Venezuela, não tinha precedentes desde a independência. Após décadas de um bloqueio ilegal.E, novamente, nós condenamos isso", enfatizou.
Celso Amorim discursa durante plenária no I Fórum Internacional de Segurança em Moscou. Ao seu lado, o embaixador do Brasil na Rússia, Sérgio Rodrigues
Celso Amorim discursa durante plenária no I Fórum Internacional de Segurança em Moscou. Ao seu lado, o embaixador do Brasil na Rússia, Sérgio Rodrigues
Celso Amorim discursa durante plenária no I Fórum Internacional de Segurança em Moscou
O ex-chanceler brasileiro também demonstrou preocupação com a atual situação em diversos países do Oriente Médio, com a escala de conflitos que causam impactos na ordem social, com consequências graves.
"Já a intensificação das hostilidades no Oriente Médio desencadeou uma escalada regional com grave impacto humanitário e econômico. Não nos esqueçamos das crianças de Gaza e das aspirações do povo palestino ao seu próprio Estado, à segurança e à dignidade. As mortes de inocentes no sul do Líbano também devem ser deploradas."
O encontro foi conduzido e mediado por Sergei Shoigu, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, que em seu discurso inaugural relembrou a omissão de entidades internacionais, citando o caso da Organização Mundial do Comércio (OMC), perante as sanções impostas unilateralmente contra a Rússia pelo Ocidente.
"Foi introduzido um número sem precedentes de sanções econômicas contra a Rússia e outros países por parte dos membros ocidentais da OMC, que permanece em silêncio, preferindo manter um perfil discreto. Nas condições atuais, é preciso que haja uma auditoria nas instituições internacionais. Isso é de extrema importância para preservar o papel coordenador do sistema jurídico internacional."
O I Fórum Internacional de Segurança em Moscou foi muito além do desenvolvimento militar no campo de batalha, uma vez que abordou temas complexos em diversas camadas, desde cibersegurança a neocolonialismo e alta tecnologia. A tônica entre os participantes foi a cooperação como chave em prol de um mundo multipolar.
Mais de 100 países e dezenas de organizações internacionais enviaram representantes. À margem da conferência, realizou-se também um almoço de trabalho dos representantes do BRICS.
Amorim manteve reuniões bilaterais com altas autoridades russas, entre elas o assessor do presidente Vladimir Putin para assuntos de política externa, Yuri Ushakov; o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov; o presidente do Conselho Naval e assessor presidencial, Nikolai Patrushev; e o secretário do Conselho de Segurança, Sergei Shoigu.
"Nas reuniões, foi ressaltada a importância de encontros recentes, em especial a Comissão de Alto Nível de Cooperação (CAN), bem como a relevância da cooperação tecnológica e comercial entre os dois países. Amorim ressaltou a importância de ampliar e diversificar as exportações brasileiras para a Rússia, de modo a alcançar maior equilíbrio na balança comercial bilateral", destacou sua assessoria.
Celso Amorim encontrou-se ainda com o chefe da delegação iraniana e vice-secretário do Conselho de Segurança do Irã, Ali Bagheri Kani, em diálogo centrado na situação regional e nos esforços diplomáticos em curso relacionados ao Oriente Médio. "Na conversa, foi lembrada a Declaração de Teerã, de 2010, como exemplo de iniciativa voltada à solução negociada de controvérsias."
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