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PT defende reforma judicial para fortalecer CNJ e quer debate sobre reforma político-eleitoral

© Sputnik / Leonardo SobreiraEdinho Silva, presidente do PT, fala com a imprensa durante Seminário Nacional do partido, em 9 de junho de 2026
Edinho Silva, presidente do PT, fala com a imprensa durante Seminário Nacional do partido, em 9 de junho de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 09.06.2026
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Edinho Silva afirma que partido quer construir proposta própria a partir de seminário com juristas; eleição direta para juízes é descartada.
O presidente do PT, Edinho Silva, defendeu nesta terça-feira (9), que o Judiciário brasileiro precisa ser fortalecido e aproximado da sociedade civil, e não enfraquecido. A principal bandeira apresentada por ele é o fortalecimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como instrumento de equilíbrio sobre o poder.
"Não tem nenhum país do mundo que a democracia seja forte e o Judiciário fraco. Isso não existe. A democracia será forte se o Judiciário for forte. O Judiciário será forte se ele tiver muita proximidade com a sociedade civil. E é isso que nós vamos defender", afirmou Edinho Silva a jornalistas.
As falas aconteceram durante o Seminário Nacional do Partido, realizado na sede do PT, em Brasília (DF). O evento reúne juristas convidados para contribuir com o debate, embora Edinho Silva tenha ressaltado que as ideias apresentadas não serão necessariamente incorporadas pelo partido.
"Mas certamente vão colaborar com a reflexão para que a gente possa começar a pensar, do ponto de vista dos interesses da sociedade, uma proposta muito forte."
Sobre a participação dos juristas, o dirigente destacou que a maioria dos convidados não tem vínculos partidários com o PT, mas sim que estudam e debatem a questão. Segundo Edinho, o evento marca o início do processo interno de formulação da proposta partidária petista sobre o tema. A partir disso, o PT debaterá internamente o que será a proposta final.
Para o petista, o principal problema que a reforma deve endereçar é o desgaste público do poder, causado recentemente em especial pelo envolvimento de ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Ele ainda foi enfático ao posicionar o PT em oposição a correntes políticas que, segundo ele, atuam para minar o Judiciário. O tema vem sendo foco, nos últimos meses, de debates de todos os espectros políticos. Do lado da direita, representada pelo campo aliado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a principal proposta é realizar o impeachment de ministros do Supremo.

"Ao contrário de outras lideranças que trabalham para enfraquecer o Judiciário, o nosso movimento é de fortalecimento do Poder Judiciário, fortalecer o CNJ. Fortalecendo o CNJ, por exemplo, nós podemos fortalecer o vínculo do Poder Judiciário com a sociedade civil, sempre com o intuito de fortalecer a democracia", defendeu Edinho.

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Reforma fora do programa de governo por ora

Questionado se a reforma judiciária integrará o programa de governo do presidente Lula para a eleição de 2026, Edinho Silva foi cauteloso.

"O que nós queremos é que o PT comece a pensar em uma proposta. O programa do presidente Lula é muito mais amplo do que as posições do PT."

No entanto, acrescentou que a decisão sobre incluir o tema no programa dependerá do debate partidário e do diálogo com aliados.

Reforma política eleitoral também na agenda

Além da pauta judiciária, Edinho Silva anunciou que o PT também pretende debater uma reforma político-eleitoral, que considera igualmente urgente.
"Esse debate é fundamental tanto quanto o da reforma do Poder Judiciário. Então nós precisamos fortalecer as instituições que zelam pela democracia."
Em seu manifesto, redigido em abril deste ano, o Partido dos Trabalhadores defendeu a instituição do voto em lista, sistema eleitoral em que o eleitor vota principalmente em um partido, e não em um candidato individual.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, e criticou o Fundo Eleitoral, afirmando que ele trouxe "promiscuidade" à política. No entanto, destacou que seu posicionamento é pessoal e que o Partido dos Trabalhadores não concorda com a sua opinião.

Decisão de Nunes Marques sobre pesquisa Atlas

Perguntado sobre a decisão do ministro Nunes Marques ― presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ― de derrubar a pesquisa do Instituto Atlas, Edinho Silva evitou qualquer crítica.
"Olha, se ele tomou essa decisão, ele deve ter fundamento. Nós respeitamos a decisão do Poder Judiciário. Você não debate, você não opina, você respeita. Nós temos muito respeito pelo ministro Nunes Marques, nós temos certeza que ele vai conduzir o processo eleitoral da melhor forma possível, então nós vamos sempre acatar aquilo que o TSE decidir e aquilo que o ministro, o presidente do TSE expressar através de suas decisões."

Cenário em Minas e nos estados

Na ocasião, o presidente do PT também comentou sobre as articulações eleitorais nos estados. Em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, Edinho Silva disse que o partido quer acelerar as conversas para definir um palanque, após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSD).
"Nós queremos resolver agora, no próximo período, o segundo maior colégio eleitoral brasileiro. Nós estamos acelerando as conversas, nós temos conversado com diversas lideranças", disse, reconhecendo a resolução aprovada pelo PT mineiro em favor de candidatura própria, mas ponderando que as alianças precisam considerar o quadro nacional.

"A prioridade é a reeleição do presidente. E, a partir dessa prioridade, nós vamos construir as alianças dos estados."

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