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Comerciantes da 25 de Março vão às ruas contra Trump: 'Pix é nosso, fora intervenção dos EUA'

© Sputnik / Guilherme CorreiaComerciantes da 25 de Março vão às ruas contra Trump: 'Pix é nosso, fora intervenção dos EUA'
Comerciantes da 25 de Março vão às ruas contra Trump: 'Pix é nosso, fora intervenção dos EUA' - Sputnik Brasil, 1920, 11.06.2026
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Manifestantes se reuniram nesta quinta-feira (11) na rua 25 de Março, no centro de São Paulo, um dos mais famosos polos de comércio de rua do Brasil, em protesto contra as recentes iniciativas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltadas contra o comércio brasileiro e o sistema de pagamentos Pix, o mais usado no país.
O governo norte-americano incluiu tanto o comércio popular da 25 de Março quanto o sistema de transações brasileiro em uma investigação por supostas práticas desleais de comércio. A Casa Branca argumenta que o Banco Central do Brasil acumula os papéis de regulador e operador do sistema, o que, na visão de Washington, prejudicaria empresas estadunidenses de pagamentos e redes sociais.
Alex Eça, diretor do Sindicato dos Comerciários de São Paulo (SECSP), comenta que o Pix movimenta R$ 35 trilhões por ano, valor que escapa às taxas cobradas por operadoras como Mastercard e Visa — cerca de R$ 12,5 bilhões que deixaram de ir para os cofres dos EUA. Eça também rejeitou a proposta, atribuída à família Bolsonaro, de substituir o Pix pelo sistema norte-americano Zelle nas negociações com Washington.

"Soberania do Brasil, sem intervenção norte-americana ou de qualquer outro país. A garantia de que o Pix seja a moeda corrente no nosso país, sem intervenção, principalmente norte-americana", disse ele.

A manifestação também reuniu lideranças comunitárias, como Celeste Gastão, cuidadora e líder da região de São Mateus, Zona Leste paulistana. Presente no ato, foi além da pauta econômica e conectou a luta contra a escala de trabalho 6 x 1 à questão da soberania popular. Para ela, a jornada exaustiva equivale a uma forma moderna de escravidão: os homens não têm tempo de cuidar dos filhos nem de jogar bola, e as mulheres tampouco têm espaço para nada.
A liderança entende que o interesse de Washington está nos recursos brasileiros e que atacar o Pix também seria atacar a soberania nacional. "O Brasil existe e é soberano. O Pix também é nosso."

O que Trump falou do Pix?

Donald Trump vê o Pix como ameaça aos interesses das empresas de pagamento estadunidenses e ao domínio global do dólar. A ofensiva estadunidense contra esse sistema teve início em 15 de julho de 2025, quando Washington anunciou a abertura de uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil. À época, o documento não citava o Pix diretamente, referindo-se a "serviços de comércio digital e pagamento eletrônico" oferecidos pelo Estado brasileiro — na prática, o único sistema público com essa finalidade no país.
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Em 1º de junho de 2026, o governo dos EUA concluiu a investigação e propôs a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, medida que ainda depende da decisão final de Trump. O instrumento utilizado é a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, mecanismo que permite a Washington investigar países cujas políticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio ou às empresas norte-americanas.
O cronograma prevê audiência pública para o dia 6 de julho, com prazo para comentários escritos até 1º de julho, e define 15 de julho como data-limite para a adoção de medidas corretivas contra o Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter sido pego de surpresa com o relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), destacando que havia uma negociação em andamento entre os dois países após encontro na Casa Branca em maio, quando foi estabelecido o prazo de 30 dias para avançar nas discussões bilaterais.
O governo brasileiro trabalha agora para fechar um acordo comercial até 15 de julho e impedir que os Estados Unidos imponham a sobretaxa de 25%, avaliando que é possível, ainda que difícil, chegar a um entendimento mais vantajoso para ambos os países. A leitura no Planalto é de que o governo Trump pode recuar na tarifa de 25%, mas apenas mediante concessões.
A disputa comercial vai além do Pix. Somadas às tarifas da investigação específica contra o Brasil, outras medidas do USTR poderiam resultar em uma taxação de até 37,5% sobre exportações brasileiras. Diante do cenário, Lula sinalizou que o Brasil buscará novos parceiros comerciais para reduzir os impactos de eventuais sanções norte-americanas.
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