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Trump tem um lado: visita de Lula e Flávio na Casa Branca não são simétricas, ressalta analista
Trump tem um lado: visita de Lula e Flávio na Casa Branca não são simétricas, ressalta analista
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A agenda do presidente dos EUA, Donald Trump, no último mês, foi permeada pela presença de brasileiros. De um lado, a protocolar recepção ao presidente Luiz... 10.06.2026, Sputnik Brasil
2026-06-10T19:35-0300
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O movimento, segundo Monica Hirst, pesquisadora-colaboradora do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), não tem nada de pragmático. Assim fosse, Trump "não teria recebido o potencial candidato opositor ao chefe de Estado que havia sido recebido dez dias antes".A decisão de receber Flávio Bolsonaro naquela ocasião é lida pela analista como um compromisso de "não deixar para trás" uma vinculação ideológica já estabelecida anteriormente com o bolsonarismo. "Se não deixa para trás, coloca para frente", acrescenta. Por outro lado, o encontro de presidentes, conforme a analista, não foi lido como uma vitória para o governo, mas como "uma não derrota".O olhar para o Brasil não é uma coisa distante para os Estados Unidos ao longo da história, pelo contrário. A influência norte-americana na política nacional também não é para menos.Dessa vez, segundo ela, a atuação de Washington não será diferente. "Um detalhe que não é menor é a nomeação do novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, que era uma carta que estava sendo segurada até muito pouco tempo. Inclusive, a informação que havia era que essa nomeação só ia vir depois das eleições, veio antes", avalia ela, ressaltando que trata-se de uma sinalização da presença dos Estados Unidos aqui durante as eleições. Governo dos EUA não fala só com a voz de TrumpDe acordo com a analista, "o que Trump faz ou deixa de fazer" não deve ser a única régua para medir as relações com a Casa Branca. No Salão Oval, a voz do secretário de Estado Marco Rubio "é muito estridente". A exemplo disso fica a articulação intermediada por ele ao levar um senador brasileiro a encontrar o presidente de uma nação estrangeira. Essa postura condiz com o que o secretário pensa do Brasil: um país não amigo, governado por um governo que não é totalmente alinhado. "Ele lida com o Brasil desde um prisma ideológico", aponta Hirst. Entretanto, a lealdade ideológica acaba por ser um percalço para o governo e pode ser um trunfo para a oposição, uma vez que é um "valor altamente cotizado na cartilha da política externa americana".Tarifas, facções criminosas e soberania nacionalAtravessam os encontros brasileiros com Donald Trump as novas tarifas impostas ao Brasil, a classificação de facções criminosas enquanto organizações terroristas e, com isso tudo, a soberania nacional, principalmente nos reclames da Casa Branca sobre o PIX. Enquanto Lula reivindica a soberania nacional, Flávio comemorou a sinalização favorável de Trump ao indicar a classificação do crime organizado como terrorista, mas em seguida tentou se esquivar da pecha de incentivar tarifas contra empresas brasileiras. Nesta quarta-feira (10) a Quaest publicou uma nova pesquisa com a reação dos eleitores em relação a estes temas. A classificação de facções como organizações criminosas é apontado como positiva por 60% dos brasileiros entrevistados, desde que a ordem seja feita pelo governo nacional. Para uma classificação estrangeira, como o caso dos EUA, a opinião se divide e fica em 45% de favoráveis, 45% contrários e 10% não souberam ou quiseram responder. Em relação às tarifas, 53% acreditam que as sanções norte-americanas prejudicarão empresas brasileiras. Ao passo, 47% entendem que Flávio Bolsonaro foi responsável em alguma medida pelas novas tarifas, enquanto 35% imputam o presidente Lula como culpado pelas taxas. O presidente Lula também tem saldo positivo sobre o que a população pensa sobre os ataques ao PIX: 46% acham que as novas tarifas são uma retaliação ao PIX. Outros 36% pensam que as tarifas são uma retaliação ao governo Lula por conta de declarações contra os Estados Unidos. Hirst avalia que as pesquisas mostram que as coisas não são necessariamente lineares, ou seja, "não é porque você está com uma sensação de insegurança que você vai comprar uma determinada narrativa". Em contrapartida, o estudo apresenta lealdade do campo opositor aqui:Nesse sentido, a analista aponta que apesar das baixas pontuais para a oposição, uma desfeita do vínculo do bolsonarismo com o trumpismo não está na ordem do dia. Isso porque o brasileiro ainda se identifica bastante com os EUA e acredita no seu modelo de desenvolvimento, informa um relatório publicado em abril pela Fundação Friedrich Ebert, organização sem fins lucrativos financiada pelo governo alemão."Não vejo o bolsonarismo se apoiando menos no trumpismo como parte da sua estratégia política", diz Hisrt, enquanto avalia que "correções cosméticas" serão feitas.
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Trump tem um lado: visita de Lula e Flávio na Casa Branca não são simétricas, ressalta analista
19:35 10.06.2026 (atualizado: 19:56 10.06.2026) Especiais
A agenda do presidente dos EUA, Donald Trump, no último mês, foi permeada pela presença de brasileiros. De um lado, a protocolar recepção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do outro a visita do senador Flávio Bolsonaro ao Salão Oval e encontro com o chefe da Casa Branca. Os gestos podem até se parecer, mas são assimétricos.
O movimento, segundo Monica Hirst, pesquisadora-colaboradora do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), não tem nada de pragmático. Assim fosse, Trump "não teria recebido o potencial candidato opositor ao chefe de Estado que havia sido recebido dez dias antes".
A decisão de receber Flávio Bolsonaro naquela ocasião é lida pela analista como um compromisso de "não deixar para trás" uma vinculação ideológica já estabelecida anteriormente com o bolsonarismo. "Se não deixa para trás, coloca para frente", acrescenta.
Por outro lado, o
encontro de presidentes, conforme a analista, não foi lido como uma vitória para o governo, mas como "uma não derrota".
O olhar para o Brasil não é uma coisa distante para os Estados Unidos ao longo da história, pelo contrário. A influência norte-americana na política nacional também não é para menos.
"Não vai ser a primeira vez que nós vamos ter os EUA como um fator de ingerência nas eleições presidenciais recentes no Brasil. Nas últimas eleições, onde foi vitorioso a opção liderada por Lula, o apoio do governo americano, do presidente democrata John Biden, foi muito importante. Não para definir as eleições, mas para dar legitimidade aos resultados dela", diz Hirst.
Dessa vez, segundo ela, a atuação de Washington não será diferente. "Um detalhe que não é menor é
a nomeação do novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, que era uma carta que estava sendo segurada até muito pouco tempo. Inclusive, a informação que havia era que essa nomeação só ia vir depois das eleições,
veio antes", avalia ela, ressaltando que trata-se de uma
sinalização da presença dos Estados Unidos aqui durante as eleições.
Governo dos EUA não fala só com a voz de Trump
De acordo com a analista, "o que Trump faz ou deixa de fazer" não deve ser a única régua para medir as relações com a Casa Branca. No Salão Oval, a voz do secretário de Estado Marco Rubio "é muito estridente".
A exemplo disso fica a articulação intermediada por ele ao levar um senador brasileiro a encontrar o presidente de uma nação estrangeira. Essa postura condiz com o que o
secretário pensa do Brasil: um país não amigo, governado por um governo que não é totalmente alinhado.
"Ele lida com o Brasil desde um prisma ideológico", aponta Hirst.
"Ao Brasil é imposto um mesmo tratamento que qualquer outra república latino-americana. Isso é uma coisa que incomoda muito ao Brasil em geral, e a esse governo em particular. Esse governo tem reivindicado um tratamento à altura do peso político e econômico que o país tem na região e no contexto internacional", acrescenta a analista.
Entretanto, a lealdade ideológica acaba por ser um percalço para o governo e pode ser um trunfo para a oposição, uma vez que é um "valor altamente cotizado na cartilha da política externa americana".
Tarifas, facções criminosas e soberania nacional
Atravessam os encontros brasileiros com Donald Trump as novas tarifas impostas ao Brasil, a
classificação de facções criminosas enquanto organizações terroristas e, com isso tudo, a soberania nacional, principalmente nos
reclames da Casa Branca sobre o PIX. Enquanto Lula reivindica a soberania nacional, Flávio comemorou a sinalização favorável de Trump ao indicar a classificação do crime organizado como terrorista, mas em seguida tentou se esquivar da pecha de incentivar tarifas contra empresas brasileiras.
Nesta quarta-feira (10) a Quaest publicou uma nova pesquisa com a reação dos eleitores em relação a estes temas.
A classificação de facções como organizações criminosas é apontado como positiva por 60% dos brasileiros entrevistados, desde que a ordem seja feita pelo governo nacional. Para uma classificação estrangeira, como o caso dos EUA, a opinião se divide e fica em 45% de favoráveis, 45% contrários e 10% não souberam ou quiseram responder.
Em relação às tarifas, 53% acreditam que as sanções norte-americanas prejudicarão empresas brasileiras. Ao passo, 47% entendem que Flávio Bolsonaro foi responsável em alguma medida pelas novas tarifas, enquanto 35% imputam o presidente Lula como culpado pelas taxas.
O presidente Lula também tem saldo positivo sobre o que a população pensa sobre os ataques ao PIX: 46% acham que as novas tarifas são uma retaliação ao PIX. Outros 36%
pensam que as tarifas são uma retaliação ao governo Lula por conta de declarações contra os Estados Unidos.
Hirst avalia que as pesquisas mostram que as coisas não são necessariamente lineares, ou seja, "não é porque você está com uma sensação de insegurança que você vai comprar uma determinada narrativa". Em contrapartida, o estudo apresenta lealdade do campo opositor aqui:
"Mesmo que exista uma visão de mais desconfiança ou de menos aplauso aos candidatos e ao [pré-candidato] específico, o Flávio Bolsonaro, não se está colocando em questão a candidatura", analisa.
Nesse sentido, a analista aponta que apesar das baixas pontuais para a oposição, uma desfeita do
vínculo do bolsonarismo com o trumpismo não está na ordem do dia. Isso porque o brasileiro ainda se identifica bastante com os EUA e acredita no seu modelo de desenvolvimento, informa um relatório publicado em abril pela Fundação Friedrich Ebert, organização sem fins lucrativos financiada pelo governo alemão.
"Não vejo o bolsonarismo se apoiando menos no trumpismo como parte da sua estratégia política", diz Hisrt, enquanto avalia que "correções cosméticas" serão feitas.
"Umas vírgulas que incluam a importância da soberania, frases e termos mágicos como interesse nacional, ou seja, determinados clichês, vão ser incluídos para não parecer que essa é uma opção que vende o país de forma barata aos EUA."
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