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Disputa por recursos naturais desmascarou o mito do destino manifesto dos EUA, avaliam analistas
Disputa por recursos naturais desmascarou o mito do destino manifesto dos EUA, avaliam analistas
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Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analistas apontam que o mundo atravessa uma catástrofe social e climática tão grave que os países centrais... 17.06.2026, Sputnik Brasil
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O Destino Manifesto foi uma crença que ganhou muita força nos EUA em meados do século XIX, na qual os norte-americanos acreditavam que tinham uma missão divina de expandir territorialmente, levando para outras regiões e outros povos a civilização e o progresso, cumprindo, assim, a vontade de Deus.Esse conceito ideológico doutrinário se deu primeiro na expansão dos EUA para o oeste. Depois, passou a incluir a América Latina e, finalmente, o mundo como um todo, após os EUA se tornarem a principal potência do planeta no final da Segunda Guerra Mundial.Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Roberto Moll Neto, professor de história da América da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que essa missão de "salvar o mundo" tem por trás objetivos materiais muito claros, sobretudo dos setores da burguesia estadunidense.Ele destaca, no entanto, que essa perspectiva de inferiorização do outro não foi construída especificamente nos EUA e tem ligação com a perspectiva colonialista, construída no centro do capitalismo, primeiramente na Europa e, depois, apropriada pelos EUA.Com o passar dos anos, a globalização chegou com força, fruto de uma perspectiva econômica neoliberal, e a indústria estadunidense levou suas fábricas para fora dos EUA, para países com mão de obra consideravelmente mais barata e precarizada."Só que isso teve um efeito rebote na economia dos EUA recentemente, a precarização dos trabalhos, a diminuição de salários, a precarização da vida desse operário branco estadunidense que tem a memória de uma vida muito confortável até os anos 1960."Neto afirma que esse operário branco precarizado estadunidense foi uma das bases de sustentação do governo Donald Trump, que enxergou esse problema e passou a oferecer a esses trabalhadores "o sonho da reindustrialização".O conceito de Destino Manifesto vem fazendo menos sentido hoje do que já fez no século XIX e ao longo do século XX, segundo Tatiana Poggi, professora de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante do Núcleo Interdisciplinar de Estudo e Pesquisa em Marx e o Marxismo (Niep-Marx) e Laboratório de História Econômico-Social (Polis).Ela afirma que a justificativa de levar a civilização ou a democracia a povos apontados como não civilizados vem sendo substituída pelo pragmatismo da corrida aberta por recursos.A especialista destaca que o mundo atravessa uma catástrofe social e climática tão grave que os países centrais, principalmente os EUA, já não estão mais interessados em justificar a expansão e o seu domínio. Eles simplesmente fazem."Eu não vejo os países, não só os EUA, mas outros países, se preocupando em se mostrar como figura civilizada que está levando algo de bom para o lugar. Eu acho que é uma busca, uma perseguição pelos seus interesses. Eu vejo muito mais uma expansão pela via realista […]. Hoje em dia, eu não vejo os países se preocupando com soberania local e respeitar limites."Poggi frisa que um reflexo dessa tendência é que empresas de tecnologia, bilionários e grandes conglomerados financeiros vêm mostrando de forma cada vez mais aberta que o interesse deles não está na preservação da humanidade.
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Disputa por recursos naturais desmascarou o mito do destino manifesto dos EUA, avaliam analistas
12:52 17.06.2026 (atualizado: 14:01 17.06.2026) Especiais
Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analistas apontam que o mundo atravessa uma catástrofe social e climática tão grave que os países centrais, principalmente os EUA, já não estão mais interessados em justificar a expansão e o seu domínio. Eles simplesmente fazem.
O Destino Manifesto foi uma crença que
ganhou muita força nos EUA em meados do século XIX, na qual os norte-americanos acreditavam que tinham uma missão divina de expandir territorialmente,
levando para outras regiões e outros povos a civilização e o progresso, cumprindo, assim, a vontade de Deus.
Esse conceito ideológico doutrinário se deu primeiro na expansão dos EUA para o oeste. Depois, passou a incluir a América Latina e, finalmente, o mundo como um todo, após os EUA se tornarem a principal potência do planeta no final da Segunda Guerra Mundial.
Em entrevista ao podcast
Mundioka, da
Sputnik Brasil,
Roberto Moll Neto, professor de história da América da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que essa missão de "salvar o mundo" tem por trás
objetivos materiais muito claros, sobretudo dos setores da burguesia estadunidense.
"Como essa é uma perspectiva quase que identitária, muito difundida nos EUA e pelos EUA, ela acaba servindo de elemento de legitimação para o alcance desses objetivos materiais", afirma.
Ele destaca, no entanto, que essa perspectiva de inferiorização do outro não foi construída especificamente nos EUA e tem ligação com a perspectiva colonialista, construída no centro do capitalismo, primeiramente na Europa e, depois, apropriada pelos EUA.
"Porque na medida em que se constrói essa perspectiva de diminuição ou inferiorização do outro, isso acaba servindo para legitimar, inclusive com base no Destino Manifesto, ou articulada ao Destino Manifesto, serve como elemento para legitimar a expropriação de riquezas materiais em outros lugares do planeta, ou a expropriação de trabalho barato sobre os corpos dos indivíduos em outros lugares do planeta."
Com o passar dos anos, a globalização chegou com força, fruto de uma perspectiva econômica neoliberal, e a indústria estadunidense levou suas fábricas para fora dos EUA, para países com mão de obra consideravelmente mais barata e precarizada.
"Só que isso teve um efeito rebote na economia dos EUA recentemente, a precarização dos trabalhos, a diminuição de salários, a precarização da vida desse operário branco estadunidense que tem a memória de uma vida muito confortável até os anos 1960."
Neto afirma que esse operário branco precarizado estadunidense foi uma das bases de sustentação do governo Donald Trump, que enxergou esse problema e passou a oferecer a esses trabalhadores "o sonho da reindustrialização".
"Esse sonho da melhoria da qualidade de vida vem também com o sonho dos EUA de serem grandes no mundo novamente, serem a grande potência tecnológica. Então é isso que está por trás dessa discussão da reindustrialização dos EUA", pondera o analista.
O conceito de Destino Manifesto vem fazendo menos sentido hoje do que já fez no século XIX e ao longo do século XX, segundo Tatiana Poggi, professora de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante do Núcleo Interdisciplinar de Estudo e Pesquisa em Marx e o Marxismo (Niep-Marx) e Laboratório de História Econômico-Social (Polis).
Ela afirma que a justificativa de levar a civilização ou a democracia a povos apontados como não civilizados vem sendo substituída pelo pragmatismo da
corrida aberta por recursos.
"Porque é o nosso interesse, pelo menos as últimas intervenções. Por exemplo, Donald Trump, em sua ameaça de invasão à Groenlândia, ao Canadá, ao canal do Panamá, em todos elas, um argumento de Destino Manifesto não estava colocado ali. Era simplesmente: 'Esses são os nossos interesses'."
A especialista destaca que o mundo atravessa uma catástrofe social e climática tão grave que os países centrais, principalmente os EUA, já não estão mais interessados em justificar a expansão e o seu domínio. Eles simplesmente fazem.
"Eu não vejo os países, não só os EUA, mas outros países, se preocupando em se mostrar como figura civilizada que está levando algo de bom para o lugar. Eu acho que é uma busca, uma perseguição pelos seus interesses. Eu vejo muito mais uma expansão pela via realista […]. Hoje em dia, eu não vejo os países se preocupando com soberania local e respeitar limites."
Poggi frisa que um reflexo dessa tendência é que empresas de tecnologia, bilionários e grandes conglomerados financeiros vêm mostrando de forma cada vez mais aberta que o interesse deles não está na preservação da humanidade.
"Eles já desistiram até deste planeta, vêm apostando em sobrevivências interplanetárias, conquistas interplanetárias, que, obviamente, não é algo para salvar a humanidade, é para salvar um grupo de superseletos, no qual a imensa maioria de nós não se inclui", afirma a especialista.
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