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Pressão dos EUA na América Latina aproxima Brasil e México ainda mais, diz analista (VÍDEOS)
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A empreitada da Casa Branca em remodelar a Doutrina Monroe, que concebe os Estados latino-americanos como parte de seu "quintal", reconfigurou o tabuleiro... 17.06.2026, Sputnik Brasil
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Com a imposição política dos Estados Unidos, a adesão ideológica de países vizinhos à esfera de influência norte-americana e o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças dos EUA, governos que buscam autonomia, como o brasileiro e o mexicano, acabam estreitando laços bilaterais. Essa dinâmica é explicada por Beatriz Naddi, professora da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e doutora em relações internacionais, em entrevista à Sputnik Brasil.Nesse cenário complexo, blocos como o Mercosul e a CELAC acabam tendo impasses internos devido à preferência ideológica de seus respectivos membros. Desse modo, no caso brasileiro, o Planalto acaba buscando alternativas de cooperação mais ao norte, com países como Colômbia, no âmbito sul-americano, e México, no contexto latino-americano mais amplo, como explica Naddi, que também é mestre em Integração Regional da América Latina e integra o grupo de pesquisa Observatório de Regionalismo.Aproximação entre os países além da esfera políticaBrasil e México compartilham características muito semelhantes, que vão desde suas dimensões geográficas e culturais até a relevância de suas empresas estatais como Petrobras e Pemex, que inclusive discutem parceria entre si. Para a pesquisadora, essa é uma boa oportunidade para ambos, principalmente em um momento de tensão geopolítica.A pesquisadora também lembrou a visita ao México, com uma comitiva de empresários brasileiros, do vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, que naquele momento também acumulava o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O episódio simboliza uma tentativa de expandir a relação bilateral para outras esferas.Relação deve ser institucionalizada para se fortalecerCom as intempéries da geopolítica, a cada troca de governo, a relação entre dois países pode mudar de forma brusca. Para que isso seja evitado entre Brasil e México, Naddi elucida que é preciso que haja institucionalização para que os acordos e demais cooperações que venham a ser firmadas não fiquem sujeitas a mudanças políticas.Com os governos latino-americanos divididos entre o apoio incondicional à política da administração Donald Trump e a busca por soberania e diversificação em um mundo multipolar, as relações bilaterais tornaram-se vitais. Elas funcionam como uma alternativa prática em relação aos blocos regionais da América Latina, que frequentemente enfrentam impasses devido a divergências políticas internas.
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Pressão dos EUA contribui para a aproximação do Brasil e México, diz analista
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Brasil e México já contam com acordos de complementação econômica de bastante tempo
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Relação entre Brasil e México precisa ser institucionalizada, diz analista
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Pressão dos EUA na América Latina aproxima Brasil e México ainda mais, diz analista (VÍDEOS)
Especiais
A empreitada da Casa Branca em remodelar a Doutrina Monroe, que concebe os Estados latino-americanos como parte de seu "quintal", reconfigurou o tabuleiro geopolítico na região. Nesse cenário, Brasília e Cidade do México, com governantes não alinhados automaticamente a Washington, aprofundaram sua relação.
Com a imposição política dos Estados Unidos, a adesão ideológica de países vizinhos à esfera de influência norte-americana e o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças dos EUA, governos que buscam autonomia, como o brasileiro e o mexicano, acabam estreitando laços bilaterais. Essa dinâmica é explicada por Beatriz Naddi, professora da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e doutora em relações internacionais, em entrevista à Sputnik Brasil.
"Com certeza, essa pressão vinda dos EUA pode ser considerada um fator de aproximação entre o Brasil e o México. De fato, são potências regionais com muitas semelhanças, por serem países com maior desenvolvimento industrial em comparação com seus vizinhos. No entanto, não se pode atribuir essa aproximação apenas a isso. Acredito que também há um contexto político-ideológico na contemporaneidade que influencia bastante", disse.
Nesse cenário complexo,
blocos como o Mercosul e a CELAC acabam tendo impasses internos devido à preferência ideológica de seus respectivos membros. Desse modo, no caso brasileiro, o Planalto
acaba buscando alternativas de cooperação mais ao norte, com países como Colômbia, no âmbito sul-americano, e México, no contexto latino-americano mais amplo, como explica Naddi, que também é mestre em Integração Regional da América Latina e integra o grupo de pesquisa Observatório de Regionalismo.
"A partir do segundo governo de FHC [Fernando Henrique Cardoso], o Brasil reduziu o espaço geográfico estratégico da América Latina para a América do Sul. E, com essa fragmentação política do Mercosul, o Brasil busca outros parceiros mais ao norte. Isso pode levar a uma reinversão desse processo de sul-americanização, com o Brasil voltando a uma estratégia de valorização da América Latina, que está, inclusive, presente em nossa Constituição", comenta.
Aproximação entre os países além da esfera política
Brasil e México compartilham características muito semelhantes,
que vão desde suas dimensões geográficas e culturais até a relevância de suas empresas estatais como Petrobras e Pemex, que inclusive discutem parceria entre si. Para a pesquisadora, essa é uma boa oportunidade para ambos, principalmente em um momento de tensão geopolítica.
"A gente pode considerar isso como uma oportunidade de aproximação menos discursiva e mais prática entre os dois países, com suas duas grandes estatais de exploração de petróleo [Petrobras e Pemex]. Isso é ainda mais relevante considerando o conflito no estreito de Ormuz, toda essa escassez de petróleo e a dependência ainda comprovada do mercado internacional em relação ao petróleo", destaca.
A pesquisadora também lembrou
a visita ao México, com uma comitiva de empresários brasileiros, do vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, que naquele momento também acumulava o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O episódio simboliza uma tentativa de expandir a relação bilateral para outras esferas.
"Em agosto de 2025, houve a visita do vice-presidente Geraldo Alckmin ao México, onde foram firmados acordos de cooperação, além de todo esse aspecto diplomático, já alimentado nessa pressão constante dos EUA e os tarifaços que vão e voltam do Trump. Além disso, se pensarmos de uma perspectiva um pouco mais sólida, Brasil e México já contam com acordos de complementação econômica de bastante tempo", observa.

16 de setembro 2024, 18:56
Relação deve ser institucionalizada para se fortalecer
Com as intempéries da geopolítica, a cada troca de governo, a relação entre dois países pode mudar de forma brusca. Para que isso seja evitado entre Brasil e México, Naddi elucida que é preciso que haja institucionalização para que os acordos e demais cooperações que venham a ser firmadas não fiquem sujeitas a mudanças políticas.
"Nas relações internacionais, a inconstância na manutenção de uma política externa coerente com as trocas de governo é muito frequente. Nesse sentido, o que esses governos têm de fazer para aproveitar o bom relacionamento momentâneo? Institucionalizar as relações. A conversa recente entre Lula e Claudia Sheinbaum, já apontando para um próximo encontro da comissão binacional, mostra esse esforço", conclui.
Com os governos latino-americanos divididos entre o apoio incondicional à política da administração Donald Trump e
a busca por soberania e diversificação em um mundo multipolar, as relações bilaterais tornaram-se vitais. Elas funcionam como uma alternativa prática em relação aos blocos regionais da América Latina, que frequentemente enfrentam impasses devido a divergências políticas internas.
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