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México vive novo Junho de 2013? As semelhanças e diferenças com o caso brasileiro

© Foto / Ricardo Stuckert / Presidência da RepúblicaO presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro bilateral com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, em 9 de abril de 2025
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro bilateral com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, em 9 de abril de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 16.06.2026
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Embora Lula veja paralelos com as manifestações de 2013, especialistas avaliam que Sheinbaum enfrenta um cenário distinto, com apoio político mais sólido e papel estratégico para a integração latino-americana.
Na última quarta-feira (10), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que conversaria por telefone com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, sobre a situação política do país latino-americano.
Observando que o México está passando por uma onda de protestos enquanto sedia a Copa do Mundo, o petista viu um paralelo perigoso com o Brasil, em que o governo da época, de Dilma Rousseff, fora enfraquecido nas "manifestações dos 20 centavos", em 2013. As agitações contestaram muitos dos gastos para a realização da Copa de 2014 e se desdobraram, poucos anos depois, no impeachment da presidente, em 2016.
Os dois chefes de Estado tiveram uma videoconferência na noite da última quarta-feira (10), reafirmando apoio ao multilateralismo e rejeição à interferência externa. Como um dos aliados de esquerda na América Latina, Lula espera compartilhar o que o governo brasileiro vivenciou para que a história não se repita no governo de Sheinbaum.
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Na avaliação de Rodrigo Gallo, coordenador do curso de relações internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia, é preciso "tomar cuidado para não fazer uma comparação automática" do México de hoje com aquele Brasil de 2013.
No México, manifestantes estão aproveitando a visibilidade internacional do torneio para pressionar o governo, e demandas setoriais podem servir como catalisador de contestações mais amplas.
Foi o que aconteceu no Brasil, quando as marchas ganharam rapidamente dimensão nacional e passaram a reunir grupos com reivindicações diversas, transformando-se em uma expressão abrangente de insatisfação com o sistema político.
Para Gallo, as diferenças entre os casos são mais significativas do que as semelhanças. Até agora, os protestos seguem concentrados em pautas específicas e não demonstram capacidade para produzir uma crise de governabilidade.

"O que a gente vê é um impacto um pouco mais limitado. Há desgaste político, constrangimento para o governo durante um evento de grande exposição internacional e necessidade de dar respostas às demandas dos manifestantes. [...] Mas nada até esse momento nos indica que há a produção de uma ruptura na base de apoio da presidente."

Eduardo Siqueira, professor emérito da Universidade de Massachusetts Boston, afirma que o contexto político mexicano apresenta diferenças importantes em relação ao Brasil de 2013 e dos anos que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff.
Por um lado, o governo de Claudia Sheinbaum mantém uma base de apoio popular mais que Dilma. Seu governo está associado à continuidade do projeto político iniciado por Andrés Manuel López Obrador, marcado pela ampliação de programas sociais e por uma postura crítica à austeridade fiscal. Além disso, o México não possui atualmente uma força oposicionista unificada e com grande capacidade de mobilização nacional.
Já a presidenta brasileira, especialmente a partir de seu segundo mandato, enfrentou forte desgaste ao adotar medidas de ajuste fiscal e cortes de gastos, o que provocou atritos com setores sociais que historicamente apoiavam o governo.
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Para Gallo, a preocupação demonstrada por Lula possui também uma dimensão estratégica para a política externa brasileira. Ambos os países ocupam posições de destaque na América Latina e, quando atuam de forma coordenada, ampliam a capacidade regional de negociação da região frente a potências como os Estados Unidos e a União Europeia, além de fortalecerem sua influência em fóruns multilaterais.
Por isso, um eventual cenário de instabilidade prolongada no México teria consequências que ultrapassariam as fronteiras mexicanas.
"Se o México eventualmente entrasse em um processo de desestabilização política que enfraquecesse o governo e criasse problemas para a governabilidade, provavelmente a capacidade de articulação conjunta entre os dois países também enfrentaria problemas".
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