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México vive novo Junho de 2013? As semelhanças e diferenças com o caso brasileiro
México vive novo Junho de 2013? As semelhanças e diferenças com o caso brasileiro
Sputnik Brasil
Embora Lula veja paralelos com as manifestações de 2013, especialistas avaliam que Sheinbaum enfrenta um cenário distinto, com apoio político mais sólido e... 16.06.2026, Sputnik Brasil
2026-06-16T16:10-0300
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Na última quarta-feira (10), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que conversaria por telefone com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, sobre a situação política do país latino-americano.Observando que o México está passando por uma onda de protestos enquanto sedia a Copa do Mundo, o petista viu um paralelo perigoso com o Brasil, em que o governo da época, de Dilma Rousseff, fora enfraquecido nas "manifestações dos 20 centavos", em 2013. As agitações contestaram muitos dos gastos para a realização da Copa de 2014 e se desdobraram, poucos anos depois, no impeachment da presidente, em 2016.Os dois chefes de Estado tiveram uma videoconferência na noite da última quarta-feira (10), reafirmando apoio ao multilateralismo e rejeição à interferência externa. Como um dos aliados de esquerda na América Latina, Lula espera compartilhar o que o governo brasileiro vivenciou para que a história não se repita no governo de Sheinbaum.Na avaliação de Rodrigo Gallo, coordenador do curso de relações internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia, é preciso "tomar cuidado para não fazer uma comparação automática" do México de hoje com aquele Brasil de 2013.No México, manifestantes estão aproveitando a visibilidade internacional do torneio para pressionar o governo, e demandas setoriais podem servir como catalisador de contestações mais amplas.Foi o que aconteceu no Brasil, quando as marchas ganharam rapidamente dimensão nacional e passaram a reunir grupos com reivindicações diversas, transformando-se em uma expressão abrangente de insatisfação com o sistema político.Para Gallo, as diferenças entre os casos são mais significativas do que as semelhanças. Até agora, os protestos seguem concentrados em pautas específicas e não demonstram capacidade para produzir uma crise de governabilidade.Já Eduardo Siqueira, professor emérito da Universidade de Massachusetts Boston, afirma que o contexto político mexicano apresenta diferenças importantes em relação ao Brasil de 2013 e dos anos que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff.Por um lado, o governo de Claudia Sheinbaum mantém uma base de apoio popular mais que Dilma. Seu governo está associado à continuidade do projeto político iniciado por Andrés Manuel López Obrador, marcado pela ampliação de programas sociais e por uma postura crítica à austeridade fiscal. Além disso, o México não possui atualmente uma força oposicionista unificada e com grande capacidade de mobilização nacional.Já a presidenta brasileira, especialmente a partir de seu segundo mandato, enfrentou forte desgaste ao adotar medidas de ajuste fiscal e cortes de gastos, o que provocou atritos com setores sociais que historicamente apoiavam o governo. Para Gallo, a preocupação demonstrada por Lula possui também uma dimensão estratégica para a política externa brasileira. Ambos os países ocupam posições de destaque na América Latina e, quando atuam de forma coordenada, ampliam a capacidade regional de negociação da região frente a potências como os Estados Unidos e a União Europeia, além de fortalecerem sua influência em fóruns multilaterais.Por isso, um eventual cenário de instabilidade prolongada no México teria consequências que ultrapassariam as fronteiras mexicanas.
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México vive novo Junho de 2013? As semelhanças e diferenças com o caso brasileiro
16:10 16.06.2026 (atualizado: 16:50 16.06.2026) Especiais
Embora Lula veja paralelos com as manifestações de 2013, especialistas avaliam que Sheinbaum enfrenta um cenário distinto, com apoio político mais sólido e papel estratégico para a integração latino-americana.
Na última quarta-feira (10), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que conversaria por telefone com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, sobre
a situação política do país latino-americano.Observando que o México está passando por uma onda de protestos enquanto sedia a Copa do Mundo, o petista viu um paralelo perigoso com o Brasil, em que o governo da época, de Dilma Rousseff, fora enfraquecido nas "manifestações dos 20 centavos", em 2013. As agitações contestaram muitos dos gastos para a realização da Copa de 2014 e se desdobraram, poucos anos depois, no impeachment da presidente, em 2016.
Os dois chefes de Estado
tiveram uma videoconferência na noite da última quarta-feira (10),
reafirmando apoio ao multilateralismo e rejeição à interferência externa. Como um dos aliados de esquerda na América Latina, Lula espera compartilhar o que o governo brasileiro vivenciou para que a história não se repita no governo de Sheinbaum.
Na avaliação de Rodrigo Gallo, coordenador do curso de relações internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia, é preciso "tomar cuidado para não fazer uma comparação automática" do México de hoje com aquele Brasil de 2013.
No México, manifestantes estão aproveitando a visibilidade internacional do torneio para pressionar o governo, e demandas setoriais podem servir como catalisador de contestações mais amplas.
Foi o que aconteceu no Brasil, quando as marchas ganharam rapidamente dimensão nacional e passaram a reunir grupos com reivindicações diversas, transformando-se em uma expressão abrangente de insatisfação com o sistema político.
Para Gallo, as diferenças entre os casos são mais significativas do que as semelhanças. Até agora, os protestos seguem concentrados em pautas específicas e não demonstram capacidade para produzir uma crise de governabilidade.
"O que a gente vê é um impacto um pouco mais limitado. Há desgaste político, constrangimento para o governo durante um evento de grande exposição internacional e necessidade de dar respostas às demandas dos manifestantes. [...] Mas nada até esse momento nos indica que há a produção de uma ruptura na base de apoio da presidente."
Já
Eduardo Siqueira, professor emérito da Universidade de Massachusetts Boston, afirma que o contexto
político mexicano apresenta diferenças importantes em relação ao Brasil de 2013 e dos anos que antecederam o impeachment de
Dilma Rousseff.Por um lado, o governo de Claudia Sheinbaum mantém uma base de apoio popular mais que Dilma. Seu governo está associado à continuidade do projeto político iniciado por Andrés Manuel López Obrador, marcado pela ampliação de programas sociais e por uma postura crítica à austeridade fiscal. Além disso, o México não possui atualmente uma força oposicionista unificada e com grande capacidade de mobilização nacional.
Já a presidenta brasileira, especialmente a partir de seu segundo mandato, enfrentou forte desgaste ao adotar medidas de ajuste fiscal e cortes de gastos, o que provocou atritos com setores sociais que historicamente apoiavam o governo.
Para Gallo, a preocupação demonstrada por Lula possui também uma dimensão estratégica para a política externa brasileira. Ambos os países ocupam posições de destaque na América Latina e, quando atuam de forma coordenada, ampliam a capacidade regional de negociação da região frente a potências como os Estados Unidos e a União Europeia, além de fortalecerem sua influência em fóruns multilaterais.
Por isso, um eventual cenário de instabilidade prolongada no México teria consequências que ultrapassariam as fronteiras mexicanas.
"Se o México eventualmente entrasse em um processo de desestabilização política que enfraquecesse o governo e criasse problemas para a governabilidade, provavelmente a capacidade de articulação conjunta entre os dois países também enfrentaria problemas".
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